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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Nem peixe?

Não, nem peixe! Esta deve ser a pergunta mais clássica feita a um vegetariano.
Por isso resolvi dedicar o texto de hoje que é Dia Mundial do animal ao peixe. Quando olho para um aquário e observo um peixe a nadar de um lado para o outro com o seu olhar vítreo, a primeira sensação que me invade é de profunda calma e acho que isso é geral. Aliás a maior parte dos aquários, principalmente os presentes nas casas, fazem parte da decoração, como um quadro, um quadro para aliviar o stress, dos humanos, claro, porque já o peixe... O peixe não interage connosco como um cão ou um gato mas reage a estímulos quando lhe deitamos comida ou batemos no vidro, ou seja luta pela sobrevivência como qualquer animal, então podemos concluir que também sente dor. A primeira razão para ter me tornado vegetariana é porque não quero causar sofrimento e morte a mais nenhum animal para que eu me alimente e isso inclui também o peixe.
Confesso que eu também não pensava muito sobre o sofrimento dos peixes até ter lido o livro Como Comemos, de que já falei aqui. Depois que li como muitos peixes, sobretudo os de grandes dimensões vivem em produção industrial e a maneira como morrem, vi como estes animais são tão desprezados e prejudicados por nós seres humanos.

A aquacultura tem vindo a aumentar devido à grande procura do peixe na alimentação e tal como toda e qualquer superprodução, tem malefícios ao meio ambiente:
- O peixe também produz excrementos e ainda mais numa criação industrial, alimentados com ração para que seja obtida a máxima produção. Os efluentes gerados, se lançados sem tratamento prejudicam gravemente os ecossistemas, poluem os rios e mares.
- Muitas vezes são feitas culturas de espécies não nativas da região. Alguns exemplares escapam-se e causam desequilíbrios nos ecossistemas próximos pois são mais fortes que a espécie local e ainda podem disseminar pragas e parasitas.
A pesca de arrasto, que consiste no arrastamento de grandes redes ao longo do fundo do mar, esmagam tudo por onde passam, destroem a floresta que existe no fundo do mar e matam muitos animais marinhos que não servirão para alimento, como tartarugas, golfinhos, cavalos marinhos, estrelas do mar...
Aqui no site da Greenpeace Portugal podemos ler mais sobre o assunto.

O paladar é algo que se educa, tanto sabemos isso que quando algum alimento nos é proibido por questões de saúde temos que aprender a fazer as substituições necessárias. Ser vegetariana foi uma escolha, saber que os meus alimentos não são obtidos por qualquer forma de sofrimento deixa-me muito tranquila, mas não é por isso que a comida tem de ser sem graça, até pelo contrário... O mar ainda está presente na minha alimentação através das algas, da flor de sal, do agar-agar transmitindo um sabor sutil e delicado a muitos pratos e enriquecendo de sais minerais a alimentação.

Salada de tofu, feijão frade e algas, receita aqui

Massa do mar, receita aqui
 
Inspirada nesta receita de Legumes do Mar, da Sandra do delicioso blogue vegano Papacapim, fiz há tempos uma versão de caldeirada de algas em substituição da caldeirada de peixe, que como já expliquei aí em cima, não como mais.
Ficou uma delícia e é um prato ótimo para saborear nos dias mais frios que aí se aproximam.

Caldeirada de algas
(2 pessoas)
2 batatas médias descascadas e cortadas às rodelas de 1cm de espessura
3/4 chávena(chá) de grão de bico cozido
2 dentes de alho picados
1 cebola média em rodelas
1/2 pimento vermelho
1 ou 2 tomates bem maduros cortados às rodelas(depende do tamanho)
Cerca de 10 grs de algas Wakame (expande bastante)
1 raminho de salsa
1 punhado de hortelã
Azeite, vinho branco, sal(ou melhor flor de sal) e pimenta preta
Preparação
Coloque as algas para demolharem em água, numa pequena taça, por cerca de 10 minutos.
Num tacho pequeno, coloque os ingredientes por camadas, da seguinte forma: tomate, batatas, grão, pimento, algas, cebola, alho. Vá temperando as camadas com um pouquinho de sal(ou flor de sal), pimenta, azeite, salsa e hortelã. Regue tudo com um borrifo de vinho branco. Tape e deixe cozer em lume brando agitando o tacho de vez em quando. Se necessário(o que é raro) borrife com um pouco de água.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Quanto

Salada de "patisson"grelhada, grão de bico e feijão verde
Quando as pessoas que conheço souberam da minha escolha pelo vegetarianismo houve várias reações, desde um leve espanto até o apoio e normalmente a aceitação, pelo menos aparente. Mas o que mais me espantou, foi que alguns acham que a dieta vegetariana é mais cara do que a dieta omnívora. Como nunca me passou pela cabeça uma coisa destas, pus-me a pensar o porque desta opinião e cheguei à conclusão de que há algumas razões para as pessoas acharem isso.
Muita gente pensa que os vegetarianos comem alimentos confeccionados com ingredientes estranhos, com nomes impronunciáveis e difíceis de encontrar e por essa razão serão mais caros do que aqueles que se compram num vulgar supermercado. É verdade que muitos ingredientes eu só conheci depois de ser vegetariana e alguns são comprados em lojas de produtos naturais, mas isso não quer dizer que sejam caros.
Outro fator, que penso levarem as pessoas a acharem o custo mais elevado da comida vegetariana é o rácio saciedade/custo. Para que entendam, esta ideia também existe para a comparação peixe/carne. Normalmente as pessoas acham o peixe mais caro do que a carne e diz o ditado popular " peixe não puxa carroça", ou seja pelo meu raciocínio, a comida é tanto considerada mais cara quanto menos saciedade transmitir, e a comida vegetariana é considerada "leve". A verdade é que um prato vegetariano é normalmente de fácil digestão, o que para mim só tem vantagens, mas não quer com isso dizer que seja menos saciante.
Salada de arroz integral, lentilhas e cenoura
É claro que existem no mercado produtos pré-preparados que podem atingir preços consideráveis, mas com ingredientes simples e baratos podem-se fazer burgers, croquetes e bolinhos muito mais saborosos e saudáveis.
"Cheesecake" vegetariano, com ingredientes mais baratos e saudáveis do que o original. Receita aqui no blogue
Eu noto que a despesa com alimentação baixou desde que me tornei vegetariana, sobretudo depois que aboli praticamente a compra de ingredientes pré-confeccionados e passei a fazer o meu próprio tofú, os burgers, o queijo e o leite vegetais. É certo que compro alguns ingredientes que nem sonhava existirem há um ano atrás, como trigo sarraceno, espelta, nigari(para fazer tofu), agar-agar, levedura de cerveja, entre outros, mas os preços destes ingredientes não são muito dispendiosos e eles rendem bastante, apenas não estão vulgarizados.
Legumes de verão grelhados
Há ingredientes chave, bastante económicos, que são muito fáceis de encontrar em supermercados, mercearias e feiras e que não faltam na minha dispensa:
Leguminosas:feijão(preto, branco, vermelho, catarino, frade, azuki, mung), grão de bico, lentilhas, ervilhas, favas, soja em grão e tremoços
Cereais: arroz integral, cevada em grão e flocos, quinoa em grão e flocos, aveia em grão e flocos, trigo para quibe, trigo sarraceno, etc.
Massas: integrais, refinadas e couscous
Farinhas: de trigo, de milho e de mandioca
Oleaginosas: nozes, castanhas, cajús, amendoins, amêndoas, pistácios, avelãs, etc. O preço destes pode alcançar valores um pouco elevados mas a quantidade diária a consumir é pequena e sempre podemos comprar os frutos com casca, muito mais baratos.
Sementes: linhaça, sésamo, chia, papoila, alfafa, girassol, abóbora.
Frutos secos: figos, alperces, passas, tâmaras, bagas goji
Especiarias e ervas aromáticas secas
Chá e café
Algas
Produtos frescos: legumes, verduras e frutas que comprados na época são muito mais baratos e com melhor sabor.

Abóbora patisson, a branca ainda não tive coragem de cortar...
Uma sugestão diferente, simples, saciante e nada dispendiosa para aproveitar os últimos dias de sol.

Salada de "patisson" grelhada, grão de bico e feijão verde
Ingredientes:
1 chávena(chá) de grão de bico cozido
1 chávena(chá) de feijão verde cortado em pedaços e cozido "al dente"
2 colheres(sopa) de tomate seco demolhado em água por cerca 30 minutos
2 colheres(sopa) de sementes de abóbora levemente tostadas
1/2 pimento vermelho cortado em tiras e algumas fatias finas de abóbora patisson(ou courgette) grelhados em frigideira anti -aderente com um fio de azeite
1 cebola pequena picada
Azeite extra virgem, sal, pimenta preta

Misture todos os ingredientes, tempere e sirva

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Como

Salada de soja em grão, quinoa, cenoura e passas
Tomada a decisão de enveredar pela dieta vegetariana, chegou a altura de pensar em como me alimentar nesta nova fase. Mesmo antes do vegetarianismo entrar na minha vida, já tentava ter opções mais saudáveis evitando o excesso de carnes vermelhas, sobretudo porco, enchidos e queijo até porque tive um problema no estômago com a bactéria H. Pilory que só ficou resolvido com uma mudança radical na alimentação após a consulta com um naturopata. Por isso acredito realmente na máxima “Somos aquilo que comemos”. Podemos ter uma ótima ou má saúde conforme os alimentos que consumimos e a forma como os ingerimos. Não bebo leite desde os 11 anos, após vários anos de enjoo pela manhã a minha mãe libertou-me finalmente deste fardo. Portanto, para mim não foi nada difícil abdicar da carne e praticamente abolir todos os derivados do leite. 

Inicialmente procurei literatura e livros de receita vegetarianos. A maior parte dos livros não me satisfizeram pois nas receitas utilizavam demasiados lacticínios e ovos e desconfio que se seguisse essas receitas acabava por ter o colesterol nos píncaros… O que me valeu foram os blogues amigos, os conselhos das minhas manas do coração, a Rute e a Isabel, um pouco de bom senso e muita pesquisa que continuo sempre a fazer. Cheguei à conclusão que agora penso muito mais naquilo que como e de que ser vegetariano não é sinal de desequilíbrio alimentar, o risco de se ficar carente nutricionalmente pode acontecer em qualquer tipo de dieta se não se variar os alimentos e ingerir demasiados alimentos perigosos.
Não descarto a possibilidade de procurar a ajuda profissional de um nutricionista, até porque pretendo realizar algumas análises para ver se está tudo em ordem com a minha saúde, só não o fiz até agora porque sinto-me bem, inclusive alguns incómodos que habitualmente tinha desapareceram, não sei se por coincidência ou não. Durante este ano não senti nenhuma vez dores no estômago, não tive qualquer crise de fígado ou vesícula (tenho cálculos biliares), não tive as habituais alergias ao pólen não tendo sido necessário recorrer a nenhum anti-histamínico. Aliás as poucas vezes que recorri a um comum analgésico (daquela marca de venda livre que até os bebés e as grávidas tomam) foi para curar umas dores de cabeça ocasionadas pelo stress, que disso infelizmente ainda não consegui livrar-me.

Verifiquei que a chave é a combinação de alimentos para nos fornecer os nutrientes necessários e por incrível que pareça o corpo “pede” estas combinações. Por exemplo, hoje em dia sinto frequentemente vontade de comer laranjas, tangerinas ou quivis depois das refeições que normalmente incluem leguminosas (ricas em ferro), e descobri que uma fonte de vitamina C na mesma refeição com alimentos ricos em ferro ajuda na sua síntese. Uma combinação perfeita: cereal + leguminosa + fruta

No início utilizava alguns produtos pré-confeccionados que existem nas grandes superfícies como salsichas e enchidos de soja, alheiras vegetarianas, burgers, iogurtes de soja, tofu, proteína texturizada de soja (carne de soja), seitan, etc. Já quase não consumo este tipo de produtos. Prefiro fazer os meus próprios burgers com ingredientes que facilmente encontro, que congelo e assim tenho uma refeição pronta num instante. Confecciono o meu tofu e queijo vegetal. Procuro os alimentos na forma mais simples, sem processamento e tento que sejam biológicos, tenho a sorte de ter muitos produtores locais e dos meus pais cultivarem uma horta para consumo da família.

Concretamente a minha alimentação resume-se ao seguinte:
Pequeno-almoço
Pão integral com manteiga de soja ou compota caseira. Estou a tentar substituir esta manteiga (um dos últimos produtos processados que consumo) por pastas de oleaginosas (como a manteiga de amendoim, de amêndoa…). Também costumo consumir com regularidade papas de cereais, como aveia, cevada, quinoa, trigo sarraceno, principalmente depois de ter descoberto esta receita de papas de aveia, da Sandra, do Papacapim e esta, de trigo sarraceno da Rute, do Publicar para Partilhar às vezes faço uma mistura de cereais. Estas papas sustentam bastante, tiram a fome até o almoço.
Papas de aveia e chia
 Os lanches entre as refeições são constituídos por frutas, frutos secos (amêndoas, castanha do Brasil, nozes, avelãs, figos secos..) e bolachas simples(uma tentação que quero abolir…).
O almoço, como tenho pouco tempo, pode ser constituído por uma fast food saudável, uma sanduíche de legumes assados, sopa e fruta, um burger no pão com alface e tomate, uma salada de leguminosas da véspera…

Este foi o meu almoço de hoje: Pão com burger de feijão vermelho e quinoa, nesta deliciosa receita da Márcia, do Compassionate and Passionate Cuisine
Burger de feijão vermelho e quinoa
Para o jantar posso preparar algo mais reconfortante como um estudado de legumes, um salteado de couves, tofu mexido, massa com legumes… 

Ensopado de batata, grão e algas
Para as ocasiões especiais, como os almoços de domingo, posso optar por um assado, um arroz de forno ou algo mais elaborado.

Assado de avelãs, receita aqui no blogue
Abóbora recheada, receita aqui no blogue
Bolinhos de feijão preto e aveia, salsa de manga e tabule de quinoa, desta receita da Sandra do Papacapim

Salada de feijão preto e manga, desta receita da Sandra do Papacapim
Fusili com favas e alho francês, receita daqui do blogue
Dobrada vegetariana, receita d'A Isabel Matos da Escola é Bela, receita aqui no blogue

Alguns sítios inspiradores em português.
Nota: Alguns destes blogues que indico não são veganos ou mesmo vegetarianos, mas publicam receitas vegetarianas regularmente.
- A Escola é Bela(não é de culinária, mas ensina…)
- Cozinhando com Josy (colega das segundas sem carne)
- Simples assim (colega das segundas sem carne)

Tudo aquilo que escrevi hoje sobre alimentação vegetariana partiu da minha experiência, de informações dadas por amigos e pesquisa em literatura e sites da especialidade.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Porque


Há pouco mais de um ano a minha alimentação era muito diferente do que é hoje. A carne e outros produtos de origem animal eram presença habitual nas minhas refeições e isso pode ser visto em várias receitas que publiquei aqui(a última receita com carne foi publicada em 30/06/2011).
Quando iniciei este blogue, confesso que estava longe de imaginar que um dia iria me tornar vegetariana. No entanto, desde criança, em algumas vezes custava-me comer carne, sobretudo de animais que eu convivia, como coelhos e galinhas, e penso que quase todas as pessoas sentem isso pelo menos uma vez. Com o passar do tempo, e o distanciamento que se ganha ao comprar a carne nos supermercados, esses momentos de desconforto ficaram em segundo plano, porque não associava a comida no prato ao ser vivo que um dia vivia e respirava, e o paladar, depois de anos a consumir, até era bom. Mas esse mau estar continuava existindo só que estava camuflado, ou escondido pela rotina apressada do dia-a-dia, que nos impede de parar e refletir mais profundamente sobre nossos atos, até um dia... Dia feliz que conheci virtualmente (por enquanto!) a Rute, minha irmã do coração, do blogue Publicar para Partilhar e ela gentilmente emprestou-me o livro Como Comemos, de Jim Mason e Peter Singer. Bastou lê-lo para que a minha consciência acordasse e a opção pela dieta vegetariana foi imediata. Neste ótimo livro há informação detalhada do quanto os animais, o nosso Planeta e consequentemente todos nós sofremos com o consumo abusivo de carne e produtos de origem animal.
Não foi difícil tomar esta opção e não sinto "saudades" do tempo que era omnívora, o que muita gente acha estranho, pois a maior parte das pessoas acham que tomei esta decisão por questões de saúde, o que no fundo acaba por ser, uma opção saudável para mim e para o Planeta. Quando falo assim, do passado, que ainda é recente, dá a impressão que está muito longínquo o dia em que um bife estava presente no meu prato, e realmente o tempo não é muito, mas a sensação que tenho é que já nasci vegetariana! Além de gostar muito de cozinhar, daí a existência deste blogue, comer tem sido realmente um prazer. Descobrir novos sabores, outras formas de cozinhar, ingredientes diferentes tem sido divertido e interessante, mas o mais importante de tudo isso é porque optar por este caminho e as respostas são o que mantém-me perseverante, serena e feliz pela minha escolha.

Porque?
Porque me alimentar de outro ser vivo consciente, mas indefeso perante a dominância do ser humano, se existem outras opções alimentares sem prejudicar a minha saúde.
Porque a criação intensiva de animais que vivem uma vida curta e de atroz sofrimento, unicamente para serem abatidos e fornecerem o máximo de produtos(carne, couro, leite, ovos, penas, lã...) causa imensos danos ao nosso Planeta: poluição ambiental, destruição de florestas para realização de pastos ou para plantio de alimento para ração, gasto abusivo de água, entre outros.
Porque a aquacultura polui os mares e a pesca intensiva provoca a morte, além dos peixes para consumo, de muitos outros animais marinhos como golfinhos, tartarugas, tubarões, além de causar danos ao fundo dos oceanos, destruindo corais e outros ecossistemas.
Porque tenho pena das pessoas que são obrigadas a matar os animais e conviverem diariamente com esse sofrimento em seus empregos nos matadouros. Ao contrário, semear, ver as plantas nascerem e desenvolverem-se produzindo frutos é tão melhor, é criar vida!
Porque quero dar um exemplo para a minha filha e espero que um dia ela partilhe das razões por esta opção, pelo amor profundo que lhe tenho e por esperar deixar um lugar melhor para ela viver, faço a minha pequena parte.
Estas são apenas algumas das muitas razões porque me tornei vegetariana.

Para iniciar a participação na 5ª Semana Vegetariana apresento a receita de uma entrada ou refeição leve, que não sendo difícil de fazer têm um resultado surpreendente. Adaptei a receita deste site, e tornei-a totalmente vegana. Aconselho a visualizarem a receita no site pois tem um passo a passo muito bom. Para acompanhamento destes apetitosos palitos, usei a receita deste fantástico molho que a Sandra, do blogue Papacapim fez e triturei-o, transformando-o numa pasta.


Palitos de courgette e pasta de beringela e tomate
(para 2 pessoas)
Rejeite as extremidades de 1 courgette média, corte-a ao meio e depois divida estes pedaços em seis tiras cada um. Coloque-os num escorredor e polvilhe com sal grosso. Deixe-os repousar por 1 hora ou mais, para que larguem algum líquido.
Forre o tabuleiro do forno com papel vegetal.
Prepare a mistura para envolver os palitos juntando 3 colheres(sopa) de amêndoa moída, 1 1/2 colheres(sopa) de levedura de cerveja em pó, 3 colheres(sopa) de pão ralado, 1/2 colher(sopa) de alho em pó, 1/2 colher(sopa) de cebola desidratada moída, 1 colher(sobremesa) de óregãos secos, 1 colher(chá) de salsa seca, pimenta preta e 1(colher) café de sal fino.
Prepare o substituto do ovo juntando 2 colheres (sopa) de sementes de linhaça trituradas
e 3/4 chávena(água) quente. Deixe repousar até que se forme uma substância com a consistência de clara de ovo.
Seque os palitos de courgette, passe um por um na mistura de água e linhaça e a seguir envolva no pó que preparou.
Coloque os palitos no tabuleiro forrado e leve ao forno 170º C até ficarem douradinhos.

Para fazer a pasta segui à risca esta receita da Sandra e triturei uma parte para fazer a pasta, guardando o restante para outra utilização.

Você poderá usar outras ervas secas e especiarias para fazer o pó para panar as tiras de courgette, mas aconselho a manter a amêndoa(ou outra oleaginosa), o pão ralado, a levedura de cerveja e o alho em pó.


quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Um convite, um café e um bolinho

Convido a todos a participarem da 5ª Semana Vegetariana promovida pelo Centro Vegetariano, que ocorrerá de 1 a 7 de Outubro. Mesmo que você não seja vegetariano, aproveite esta semana que também inclui o Dia Mundial do Animal,  para refletir sobre os seus hábitos alimentares e o quanto poderá fazer pela sua saúde, pelos animais e por um ambiente melhor ao adotar uma dieta vegetariana, mesmo que seja um dia por semana. Lembram-se da Segunda sem carne
Penso que todos vocês têm uma receita vegetariana em seu repertório culinário e se não for o caso que tal experimentar? Durante a próxima semana gostaria de ver em vossos blogues muita alegria vegetal!

A receita que vos trago nasceu da necessidade de usar parte de uma lata de polpa de manga que utilizei nesta receita. Não sei como é com vocês, mas eu gosto muito de comprar ingredientes diferentes para cozinhar e experimentar novidades, só que chega uma altura em que há muitas coisas não utilizadas e até esquecidas. Durante as férias, tirei um tempo para organizar a despensa e prometi a mim mesma duas coisas: gastar todos os ingredientes extra da lista habitual de compras e até isso acontecer não comprar mais nada. Muitos destes ingredientes foram adquiridos por impulso e alguns talvez não voltarei a comprar. Esta lata de polpa de manga foi o caso. Gostei muito das receitas que fiz com ela, mas para a próxima vez que as fizer utilizarei a fruta natural.


Queijadinhas de manga
rende cerca de 15
Ingredientes:
400grs de polpa de manga
200grs de açúcar
100grs de manteiga de soja
2 dl de água
300grs de farinha de trigo
4 ovos biológicos
Preparação:
Juntar a polpa de manga com o açúcar e misturar. Adicionar a manteiga derretida(e fria), a água e a farinha. Adicionar os ovos um a um e bater bem até ficar um creme homogéneo. Verta para forminhas de silicone ou de alumínio(neste caso unte-as com manteiga e polvilhe-as com farinha) e leve a cozer em forno pré-aquecido a 180ºC até ficarem douradinhas. Faça o teste do palito para verificar a cozedura, que deverá sair húmido, mas limpo.
Delicie-as com um café ou chávena de chá.
Aqui por casa todos gostaram.

Fonte(receita ligeiramente adaptada): Cat Caffe.

sábado, 8 de outubro de 2011

De onde vem a nossa comida?

Dias preenchidos...Cidades superlotadas...Caos! Final de uma sexta feira: fazer compras numa grande superfície, onde tudo vem embalado, a salada já lavada e ensacada, a fruta brilhante de parafina ou triturada acondicionada em caixinhas, o leite pasteurizado, o peixe congelado embalado, a carne em cuvetes plastificadas. Chegar em casa com montes de sacos plásticos, colocar qualquer comida pronta no microondas e comer em frente à uma televisão aos berros.  Este é um cenário vivido por milhares de pessoas em várias partes do mundo. Se eu me materializasse em frente à uma família que tivesse vivido um fim de sexta feira desses e perguntasse: De onde vem a vossa comida? Acho que pelo menos me olhariam com estranheza,  talvez me atirassem com uma lata de refrigerante(espero que vazia!). 
É triste pensar que a maior parte das pessoas, ao se alimentar, nem faz a mínima ideia da origem do que está a comer, de onde veio ou como foi feito. Quanto mais processado o alimento, mais fácil de ingerir, menos trabalho a manipular e menos tempo para pensar nos milhares de calorias aportados. Esta forma de se alimentar é uma espécie de escravidão hipnotizadora, pois a indústria de alimentação tem os seus pozinhos de pirlimpimpim para que as pessoas se tornem cativas do seu sabor e enriquecer largamente o bolso dos seus donos.
Por outro lado, em outras partes do mundo, outras  pessoas morrem à fome, numa brutalidade atroz,  hipnotizados também,  e atrofiados pela carência, incapazes de agir da melhor forma para combater o seu fim. 
Ambos os extremos são perigosos, levam à morte  aos milhares, mais dia menos dia! 
E mesmo quem está a meio da escala,  pode facilmente descambar para um dos extremos, hoje em dia tudo é possível, com a rapidez com que as situações se modificam.

No meio disto tudo, sinto-me uma pessoa privilegiada. Da maior parte dos alimentos que consumimos cá em casa é possível saber a sua origem. Mas sei que as minhas escolhas também fazem a diferença! E nem sempre é fácil ou cómodo, é preciso perder tempo, andar bem informada e até deixar de comer o que apetece, simplesmente porque não é época ou é potencialmente danoso para o ambiente e para a saúde.

Vou então falar um pouco das minhas opções:
Os produtos hortículas e frutas - É a maior fatia da nossa alimentação. Consumo normalmente produtos da época ou que foram congelados em tempos de fartura e quase todos são de produção familiar, da horta dos meus pais ou sogros(tenho muita sorte por isso felizmente!) O restante compro da Dna.Manuela que é uma produtora local certificada de produtos biológicos e pouquíssimo resta para comprar além disso. Se algo faltar, procuro quase sempre os mercados onde há produtos locais. Com as frutas é um pouco mais complicado, tento que sejam da época ou nacionais ou o extremo inverso compro fruta importada de locais mais pobres, que precisam daqueles poucos cêntimos que ganham para garantir, não uma vida melhor, mas a própria sobrevivência. Comecei a utilizar seriamente esse critério, depois do que li neste livro(obrigada, Rute!). Mesmo que cometa alguma extravagância neste campo, comprando uma fruta tropical rara ou algum legume fora de época sei que pelo menos, com toda a certeza, é um produto saudável.

Peixe e carne - ultimamente não tenho ingerido, mas o resto da minha família sim, aqui é a parte mais difícil e trabalhosa das compras. Peixe, só pescado no mar ou rio, de aquacultura, só se for por engano, prefiro levar menos quantidade do que comprar mais barato, a aquacultura normalmente é uma forma muito poluente e gravosa para o ambiente e bem estar dos animais marinhos. Verifico os peixes que não estejam na lista vermelha. E os melhores peixes, por incrível que pareça, são os mais baratos: a sardinha, o carapau, e não pertencem à lista vermelha! Com a carne, ainda é mais complicado. Carne vermelha, tento que o consumo seja o menor possível. Frangos e perus, evito sempre que posso, comprar os de criação intensiva, o que nem sempre é fácil, principalmente no caso dos perus. Alguns animais simplesmente estão riscados da lista: como vitela, leitão, cabrito, coelho, codorniz, perdiz e caracóis.
Ovos - tento consumir apenas os das galinhas criadas pelos meus pais e sogros , que vivem de forma melhor à solta e alimentadas com produtos naturais, e quando não há(no Inverno), compro ovos biológicos à venda nos hipermercados.
Alimentos processados - não compro pão de forma, aqui em casa o pão consumido ou é integral ou de mistura, pão totalmente branco simplesmente não entra! Bolachas, depois da criança nascer foi difícil evitar, mas tento que sejam das mais simples, Maria, tostadas ou integrais ou biscoitos caseiros. 
Café - Cá em casa uso café de filtro desde sempre, sem querer optei pelo método mais ecológico de consumir esta bebida. Uso café de comércio justo, de uma marca nacional.

Restrinjo o uso de enlatados. O atum, que antes gastava imenso, depois de ver que estava na lista vermelha, restrinjo-o.

Alguns pecados que ainda não consegui evitar - Nectar de pacote, leite pasteurizado, coca-cola, chocolate e açúcar refinado.

É claro que esta forma de nos alimentarmos dá um pouco de trabalho, perde-se algum tempo nas compras e no manuseio dos alimentos. Escolher verduras, armazenar , confeccionar dá mais trabalho do que servir-me de algo pronto. 
Mas sei que no fim, ganho a parada e isso reflecte-se na minha vida. Gasto pouco em farmácia, será reflexo da alimentação? Em grande parte creio que sim! 

Esta forma de alimentação também é mais amiga do ambiente:
- Menor produção de lixo, pelo restrito uso de embalagens.
- Menor emissão de gases, pelo menor gasto de combustível utilizado no transporte dos alimentos e pelo menor consumo de carne (a criação intensiva de animais é uma das maiores responsáveis pela produção de gases efeito estufa).
- Consumir produtos biológicos contribui para a melhoria da fertilidade do solo.  

Poderia ficar aqui o resto da noite a escrever, mas gostaria de publicar isto ainda hoje, no âmbito da Teia Ambiental.

A receita de hoje, já foi publicada anteriormente aqui


Vou só descrever a forma como os ingredientes foram adquiridos:
Batatas, da horta dos meus pais, que fica a cerca de 15 Km de distância de minha casa.  
Beldroegas, erva daninha comestível colhida por mim, de um terreno, quando vinha  para casa, à pé, depois do trabalho.
Cebolas,  mais uma produção da horta paterna
Azeitonas pretas, de produção portuguesa, compradas à granel, na feira local.
Azeite extra-virgem, puríssimo, quase um néctar dos deuses, comprado a um pequeno produtor local.
Sal, marinho, de produção artesanal portuguesa.
Vinagre de arroz, de um produtor português(este, tive que ir olhar o rótulo)
Outra receita do género:

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Palhada colorida com salsichas

Não era esta receita que estava programada para hoje. Aliás quando cheguei à casa, depois do trabalho, não me apetecia nada cozinhar. Mas tenho uma família para alimentar, portanto fui buscar ânimo às minhas reservas de emergência e saiu este prato bem simples, mas que ficou surpreendentemente bom! Está anotado mentalmente para quando a vontade de cozinhar for bem pouca, como hoje. 

Ingredientes(para 2 pessoas)
4 batatas médias
1 cenoura em fios
1/2 beterraba em fios 
1 cebola  pequena cortada em meias luas finas
folhas de couve sabóia(ou repolho) cortadas em juliana fina
folhas de alface cortada em juliana
Azeite, sal, vinagre de arroz e pimenta preta
1 salsicha de soja por pessoa
folhas de rúcula e azeitonas pretas para decorar
Preparação:
Cozer as batatas em água com sal. Entretanto juntar a cenoura, beterraba, couve sabóia,  alface e cebola numa taça, temperar com azeite, vinagre sal e pimenta. Misturar bem para que todos os legumes e verduras fiquem impregnados pelos temperos. Reservar. Descascar as batatas e esmaga-las, se necessário juntar um pouco de leite de soja para conseguir um puré homogéneo. Juntar a salada reservada e mexer até que tudo fique bem ligado. Rectifique temperos. Sirva com as salsichas de soja grelhadas e enfeite com a rúcula e azeitonas.
A foto não está muito apelativa, mas dá para ver a cor bonita que ficou esta palhada. Espero que no fim de semana possa redimir-me com fotos e pratos mais elaborados.


Veja a versão original da Palhada que já fiz aqui.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Couves de bruxelas gratinadas

A rapidez com que se confecciona um prato vegetariano é outra das vantagens que aprecio neste tipo de alimentação. E rapidez quer dizer economia: de combustível, de energia e de tempo. O nosso corpo também utiliza menos energia para digerir a refeição.
E como poupar deve ser um dos verbos mais presentes no nosso dia a dia, este é mais um motivo para optarmos mais(ou sempre) por refeições vegetarianas. E opções não faltam, cá vos trago mais uma:

Couve de Bruxelas Gratinadas
(Revista Cozinha Semanal Vegetariana n.º 127)

Ingredientes(8 pessoas):
0,5kg de couves de bruxelas
Sal
Azeite para untar
200g de cogumelos
2 colheres(sopa) de sementes de girassol
1 colher(sopa) de gengibre em pó
100 g de  queijo da ilha (usei mozzarella)
2 colheres(sopa) de azeite
2 colheres(sopa) sumo de limão
1 colher (sopa) de molho de soja
Preparação:
Escalde as couves em água a ferver temperada com sal por 5 minutos. Escorra bem e transfira para um recipiente refractário, previamente untado com azeite.
Junte os cogumelos cortados às lâminas finas, as sementes de girassol, o gengibre e o queijo ralado.
Verta por cima a mistura do azeite com o sumo de limão e o molho de sija e leve ao forno a 190ºC, até gratinar. Sirva quente.

Acompanhei com batatas cozidas.


terça-feira, 4 de outubro de 2011

Dia Mundial do Animal

Hoje celebra-se o Dia Mundial do Animal. Penso que o comemorei da melhor forma: não comendo nenhum! Brincadeiras à parte, cada vez me convenço mais que o vegetarianismo e tudo o que este estilo de vida representa é o melhor que podemos fazer pelos animais, por nós e pelo Planeta. Vejam os factos:


. A indústria de carne é responsável por 18% das emissões globais de gases causadores do efeito estufa, ao passo que todos os transportes somados geram 13%.(1).
. A pecuária gera directamente 80% do desmatamento no bioma amazónico (2) e 14% em todo o mundo.
. Somos quase 7 biliões de pessoas na Terra e criamos, para produzir carne, mais de 30 biliões de animais (3) que consomem água, comida e recursos energéticos, demandam espaço, despejam detritos, contaminam os mananciais, causam erosão e geram poluição atmosférica.
. A criação de animais para abate é uma forma ineficiente de produzir alimentos: para cada quilo de proteína animal são necessários de 3 a 10 kg de proteína vegetal (milho, soja etc.) (4).
_________
(1) FAO (2009)
(2) Ministério da Agricultura
(3) Incluindo aves, peixes, camarões e moluscos
(4) FAO (2005)

Deixo-vos, então, mais uma opção simples, para uma refeição sem carne.

Pataniscas de legumes
Ingredientes: (para 2 pessoas)
300grs de legumes cortados em juliana (usei feijão verde, cenoura, beterraba, pimento verde e cogumelos)
1/2 cebola picada
1 ramo de salsa
2 ovos biológicos
4 colheres(sopa) de farinha integral
Sal, pimenta preta, alho em pó, orégãos secos
Óleo de amendoim para fritar
Preparação:
Coza os legumes em água fervente temperada com sal por dois minutos. Arrefeça em água fria. Misture os ovos, a farinha e junte os legumes escorridos. Adicione a cebola e a salsa picadas. Tempere com sal e demais temperos. Aqueça o óleo e frite colheradas do preparado. Escorra sobre papel absorvente. Ficam muito boas servidas com arroz de tomate ou de feijão. Acompanhei com salada e sopa.


Outra sugestão:
Pastéis de courgette da Ameixa Seca

O que já escrevi sobre os animais na Teia Ambiental:
Esta noite quero sonhar com morcegos
Os amigos animais

# 9 Segunda feira sem carne

Quando eu era adolescente comecei várias vezes a escrever um diário, mas como nunca fui pessoa metódica, em pouco tempo o diário transformava-se em semanário, em mensário, perdia o caderno, enfim tudo frutos da minha natureza inquieta que quer fazer várias coisas ao mesmo tempo. De certa forma sinto-me redimida ao escrever aqui de uma forma mais disciplinada. Reflecti sobre isto hoje, ao sentir o calor abrasador que nos tem assolado nestes últimos dias e pus-me a pensar como terá sido no ano passado. Se nesta altura já tivesse começado com o blogue era só consultar as publicações, pois o que comemos dá-nos sempre uma pista, além de que o estado do tempo é um tema recorrente e que influencia muito o nosso estado de espírito. Claro que sempre posso consultar o Google, que tem resposta para tudo, o sabichão!

Apesar de não ser metódica e disciplinada, de não fazer ementas semanais, nem ter a dispensa super organizada, com listas e frascos(tenho profunda "inveja" de quem é assim!) procuro alimentar-me de forma equilibrada, embora hoje em dia seja tentador descambar para a comida de plástico ou semi-pronta pois a oferta é muita e o tempo escasso.
Já ouvi, inclusive, algumas pessoas dizerem que não se alimentavam de forma saudável por não terem tempo. Será mesmo verdade? Mas eu penso: se eu que não sou muito ordenada até consigo, porque outros não conseguirão? Vou então descrever um pouco dos meus hábitos:
- Faço sempre uma panela de sopa de legumes variados todos os dias, mesmo que tenha muita preguiça. Às vezes é a primeira coisa que faço pela manhã e enquanto me arranjo fica pronta. Ao almoço se não tiver mais nada, um prato de sopa e mais qualquer coisa já não ficamos mal. 
- Faço sempre salada em todas as refeições, mesmo que o prato principal seja massa ou estufado, tenho de ter sempre algo verde no prato. Às vezes com a pressa são apenas umas folhas de alface, mas tem de ser algo verde.
- Tenho sempre fruta em casa que comemos normalmente ao lanche, em casa/trabalho/escola. 
- Eu não bebo leite, mas levo todos os dias um iogurte para o lanche, que de uns meses para cá tem sido dos de soja.
- Tomamos o pequeno almoço em casa. Além de mais económico é muito mais saudável, pois podemos variar. Não dispenso o pão integral, que tenho em versão tostas para os dias em que não há fresco.

Mas não pensem que fui sempre assim, comer de forma saudável é um hábito como outro qualquer, de início estranha-se mas depois entranha-se. 
Também posso dizer que conto com a ajuda preciosa de meu marido, aliás foi por ele que hoje tenho o hábito de comer sopa todos os dias, ele faz umas sopas óptimas!

E como já vem sendo hábito, hoje foi uma segunda feira sem carne, numa semana vegetariana. Posso dizer que este hábito já está totalmente enraizado.

Almoço:


Salada fresca de arroz integral e legumes
Lembram-se do arroz que acompanhou esta dobrada? Fiz propositadamente mais quantidade, depois foi só juntar outros ingredientes de manhã, conservar no frigorífico e ao almoço foi só servir-me.

Ingredientes(para 2 pessoas):
1 chávena almoçadeira de arroz integral cozido
1 cebola picada
1 cenoura em fios
1/2 beterraba vermelha em fios
1/2 beterraba amarela em fios
3 colheres(sopa) de milho em lata
1 punhado de sementes de abóbora tostadas
1 punhado de sementes de girassol
1 punhado de passas de sultanas
Salsa e cebolinho picados 
Temperos:Azeite, vinagre de arroz, pimenta preta e pitada de sal.
Preparação:
Colocar todos os ingredientes numa taça, temperar e misturar bem. Esta tarefa fica facilitada com duas colheres. Guardar no frigorífico até servir.

Jantar
Apeteceu-me algo mais reconfortante, então fiz umas tradicionais 
Papas de milho 

Ingredientes(para 1 pessoa)
3 folhas de couve galega cortadas como para caldo verde
1 chávena(chá) de água
Farinha de milho amarelo q.b.
2 colheres(sopa) de feijão cozido
Azeite, sal e pimenta.
Preparação:
Num tacho coloque a água a ferver, sal, azeite e pimenta. Junte as couves, deixando ferver 1 minuto. Junte farinha de milho em chuva, aos poucos, até atingir a consistência desejada. Cozinhe por uns minutos, sem deixar de mexer. Junte o feijão, rectifique os temperos e sirva bem quente. 

Outros blogues amigos aderentes às Segundas sem carne:


Estou a participar na Semana Vegetariana.

domingo, 2 de outubro de 2011

Dobrada vegetariana

Mais uma Amizadeia, isto é, uma ideia de amiga, ou ideia amiga que foi concretizada na minha cozinha. Esta série começou com a Rute, e foi nesta publicação e no comentário da Isabel Matos  que eu me inspirei para o almoço de hoje. 
A dobrada ficou magnífica, bem apurada e até o aspecto ficou parecido com a original e aquecida ainda ficou melhor, como é habitual nas feijoadas. Vai ser um prato a repetir com certeza porque até os mais cépticos gostaram do resultado. O acompanhamento, em vez do habitual arroz branco, foi arroz integral e salada verde com tomate.
A sobremesa, foi também vegan, já publicada aqui hoje. Tudo se conjugou para um almoço delicioso e saudável. E rápido de fazer e de digerir, para nos deixar bem dispostos para esta dobrada de Verão.

Mas o melhor de tudo foi saborear este prato sem culpas, sabendo que nenhum animal foi sacrificado para que eu me alimentasse. 

Ingredientes(para 4 pessoas):
2 chávenas(chá) de feijão branco cozido
1 cebola média picada
2 dentes de alho picados
2 colheres(sopa) de azeite
1 cenoura grande cortada em cubos
1/2 pimento verde em tiras
200grs de cogumelos pleorotus cortados em tiras grossas
1 chouriço de soja (opcional)
4 colheres(sopa)de molho de tomate(usei caseiro)ou 1 tomate grande sem pele picado
folhas de couve sabóia ou repolho q.b.cortadas em juliana
Sal, pimenta preta, cominhos em pó, caril e 1 folha de louro.
salsa e cebolinho 
Preparação:
Num tacho verta o azeite, junte a cebola, o alho picado, o chouriço de soja (se utilizar), o pimento, a cenoura e a folha de louro. Leve ao lume e deixe amolecer a cebola. Junte os cogumelos cortados em tiras. Em seguida adicione o molho de tomate (ou o tomate picado). Deixe apurar um pouco e junte o feijão branco. Se necessário, adicione água a ferver. Tempere, tendo o cuidado de usar os cominhos e caril com cuidado, é melhor colocar pouca quantidade de cada vez. Se achar que o caldo está pouco apurado, retire cerca de 2 colheres de sopa de feijão e esmague-o, juntando novamente ao tacho. Quando a dobrada estiver quase pronta, junte a couve e deixe levantar fervura. Rectifique temperos e desligue. Polvilhe com salsa e cebolinho picados.
Sirva com arroz integral solto, e se quiser salada.

Delícia de laranja

O calor apareceu novamente e embora seja estranho nesta época do ano, sabe bem recordar o Verão. Hoje fiz esta sobremesa fresca, para finalizar um almoço mais substancial. Ficou deliciosa, é fácil de fazer, económica, sem colesterol e vegan. Tudo bons motivos para que você a faça também e se delicie como eu.

Ingredientes:
2 laranjas
4 dl de sumo de laranja
8 colheres(sopa) de frutose
4 colheres(sopa) de maizena
5 dl de leite de soja
1 pau de canela e canela em pó
Preparação:
Com um utensílio próprio, retire tiras da casca das laranjas e reserve-as. Descasque-as e separe-as em gomos; reserve-os.
Verta o sumo de laranja num tacho. Junte-lhe metade da frutose e da maizena e mexa bem. Leve ao lume, sem deixar de mexer, até ferver. retire e deixe arrefecer. À parte, leve também ao lume o leite de soja, a frutose e a maizena restantes e o pau de canela, mexendo sempre até ferver. Retire e deixe arrefecer.
Divida o creme de soja pelas taças. Polvilhe com canela. Coloque os gomos de laranja e cubra com o creme de laranja. Decore com as tiras da casca de laranja reservadas e sirva.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

4ª Semana Vegetariana

De 1 a 7 de Outubro vai decorrer a 4ª Semana Vegetariana que promove as razões ecológicas para uma alimentação vegetariana. Por todo o país e também a nível internacional ocorrerão várias iniciativas que visam difundir o vegetarianismo. São 7 dias dedicados a um estilo de vida saudável, ético e ecológico. 

Um futuro sustentável depende das nossas escolhas alimentares
A actividade pecuária orientada para uma dieta baseada na carne está a destruir o nosso planeta ameaçando a nossa civilização e sua prosperidade.
Desistir ou cortar no consumo de carne é a coisa mais importante que um indivíduo pode fazer para proteger o ambiente e as futuras gerações de um desastre. Essa é a razão pela qual a Semana Vegetariana deste ano vai focar-se principalmente nas razões ecológicas para se ser vegetariano ou vegano.
Este artigo considera por isso que uma grande mudança social à base de uma dieta vegetal (vegetariana ou vegana) é essencial para evitar crises climáticas, ambientais, alimentares, energéticas e uma crise de água.
Continue a ler este artigo aqui no Centro Vegetariano

Depois de já estar engajada no movimento Segunda feira sem carne, resolvi juntar-me também a esta iniciativa, praticando durante esta semana uma dieta 100% vegetariana. Por aqui serão publicadas receitas, textos e artigos subordinados ao tema.

Para quem ainda acha que alimentar-se desta forma é difícil, estranho e até dispendioso, vou deixar agora algumas sugestões de receitas que já fiz, para demonstrar exactamente o contrário e quem sabe convenço mais alguém a juntar-se nesta deliciosa, saudável e ética aventura? 

Os ingredientes são normalíssimos, encontrados em qualquer supermercado ou mercearia. É também uma oportunidade para experimentar novos sabores e receitas com ingredientes menos comuns, como o tofú, o seitan, a proteína de soja, e mesmo estes já se encontram facilmente em superfícies comerciais.

As minhas sugestões para se inspirarem:

 Salada italiana

Fusilli com favas e alho francês

 Figos grelhados com salada de mozzarella fresca
 Lasanha vegetariana de beringela
 Salada de batatas e beldroegas
Salada de figos com tofú









Deixo ainda a sugestão de blogues amigos que são vegetarianos ou veganos:


As minhas queridas companheiras da Segunda feira sem carne: