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sábado, 20 de julho de 2013

O regresso e uma sobremesa para um passatempo

Este passatempo foi um ótimo motivo para retirar o Aroma de Café da letargia. Para comemorar os 1000 gostos da página do Facebook o Cozinhar sem Lactose lançou-nos um passatempo que eu não poderia deixar de participar pois também eu gosto de associações e ingredientes inusitados na cozinha além ser fã das suas deliciosas e sempre diferentes receitas. 
Mil ideias me passaram pela cabeça e numa última inspiração decidi-me por uma sobremesa simples e rápida, mas também saborosa e fresca para estes dias quentes. A estrela principal é o inesperado tremoço. Se julga que o tremoço apenas tem lugar acompanhado de cerveja é porque ainda não o experimentou em outra vestimenta. Aqui já não é novidade, já foi visto na pele de um queijo e de um cheesecake. E agora especialmente para o Cozinhar sem Lactose... uma sobremesa obviamente sem lactose, sem glutén, sem ovos e vegana, ou seja todos podem se deliciar!

Creme bicolor com fruta
Ingredientes(para 3 porções)
1 chávena (chá) de tremoços em conserva
1 1/2 chávena (chá) de água
1/4 chávena(chá) de geleia de agave
2 colheres(sopa) de coco ralado
1 colher(sobremesa) de amido de milho(maizena)
1 colher(sobremesa) de agar-agar em flocos
1 colher(sobremesa) de cacau puro em pó
1 colher(chá) de aroma de baunilha
morangos ou cerejas q.b.
Preparação:
Coloque os tremoços de molho em água na véspera, mudando-lhes a água algumas vezes para retirar o sal. Escorra-os e coloque-os no copo do liquidificador juntamente com a geleia de agave e o coco. Entretanto leve ao lume, num pequeno tacho, a água juntamente com o amido de milho e o agar agar. Deixe ferver por cerca de 3 minutos, sempre a mexer até que o agar-agar se dissolva. Transfira a mistura para o liquidificador e triture até que fique um creme liso. Misture o aroma de baunilha. Despeje metade do creme numa vasilha e junte-lhe o cacau, misturando bem. Divida este preparado por 3 taças de vidro. Junte uma camada do creme claro por cima do creme de cacau em cada taça. Deixe arrefecer e leve ao frigorífico. Antes de servir junte morangos lavados, secos e partidos em pedaços ou cerejas.

Notas:
- Pode usar açúcar no lugar da geleia de agave, embora ultimamente prefira este ingrediente pois tem um um menor indíce glicémico que o açúcar, além de ter nutrientes, coisa que o açúcar não tem.
- Se não utilizar o agar-agar, pode optar por utilizar mais amido de milho(talvez o dobro). O agar-agar tem a vantagem da rápida solidificação.
- Pode utilizar a varinha mágica em lugar do liquidificador
- Qualquer fruta pode ser usada, manga ou abacaxi devem ficar divinos também.


sábado, 10 de novembro de 2012

Ciranda Interativa do blogue Fractais de Calú - Não é do meu feitio

Vi hoje no blogue da Calu, esta Ciranda Interativa - O que não é do meu feitio. O prazo para participar termina amanhã e como achei o tema interessante que me fez refletir e não é do meu feitio contrariar a corrente de pensamentos, ideias e sonhos que me assolam constantemente, embora a maioria deles vão parar na reciclagem, no sítio das ideias não concretizadas... resolvi dar corda aos dedos e assim vocês, a quem interessar é claro, ficam a conhecer um pouco mais de mim.

Não é do meu feitio gostar de acordar cedo, aliás até o fim da manhã sou um pouco anti-social. Prefiro estar calada no meu canto e gosto de estar uns momentos sozinha sem falar com ninguém e em silêncio.

Pequeno-almoço, sozinha com minha caneca de café
Não é do meu feitio chegar atrasada, nem faltar a compromissos. Quando isso acontece, fico angustiada.
Não é do meu feitio ser organizada, embora tente, com todas as minhas forças mudar. Isto pode parecer uma antítese do que disse acima, mas podem acreditar, sou um caos com papeis, roupas, livros, ficheiros do computador...
Uma das resoluções do início do ano: organizar e gastar estas lãs
Não é do meu feitio gostar de reuniões, convívios sociais, festas, jantares em grupo e estar em lugares com muita gente. 
Não é do meu feitio gostar de me ver em fotografias.
Não é do meu feitio falar muito.
Não é do meu feitio ter paciência com pessoas que falam demais e detalham demasiado as conversas, principalmente sobre coisas muito banais.
Não é do meu feitio, e tenho pena que não o seja, ser mais frontal e corajosa para dizer o que penso em muitas situações.
Não é do meu feitio tomar decisões rapidamente, e isso me prejudica muito.
Não é do meu feitio, vestir peças de roupa estampadas, pintar o cabelo, andar de saltos altos, almejar o último grito da moda seja em roupa, carros, telemóveis, para mim as coisas foram feitas para durarem até o fim.
Máquina de costura que foi da minha bisavó, da minha avó e agora é minha e em uso. O usrsinho foi feito por minha avó.
Poderia escrever muito mais, mas como não é do meu feitio falar muito tempo de mim, por isso vou parar por aqui.

Agradeço à querida Calú esta oportunidade de reflexão e de demonstração que nos proporcionou. 
Um grande abraço a todos e um ótimo domingo.

terça-feira, 17 de julho de 2012

"Cheesecake" vegetariano para comemorar um aniversário

O blogue Mãos de Manteiga completou 1 ano de existência no dia 11 de Julho. Uma ocasião especial merece uma sobremesa caprichada. A Anouska convidou-nos a puxar pela imaginação e realizar uma sobremesa com ingredientes que ela aprecia. Eu, como formiguinha que sou, não demorei muito a aceitar o desafio e da lista que ela publicou, escolhi 3. 

Amendoins
Bolacha Maria de chocolate
Chocolate preto(usei cacau em pó puro)


Cheesecake é uma sobremesa que aprecio muito, mas que só fiz uma vez porque aquela quantidade astronómica de queijo intimida-me! Então(não sei como não pensei nisto antes!)porque não usar o queijo vegetal num cheesecake vegetariano, e não é que deu certo! Fiz uma sobremesa mini, numa forma de 15cm, ideal para 4 porções. Assim não tenho uma tentação no frigorífico a semana inteira!


Anouska, espero que gostes desta sobremesa que fiz especialmente para a tua festa! Parabéns pelo blogue delicioso e espero que continues por muitos anos a espalhar doçuras pela blogosfera!

Cheesecake vegetariano de chocolate

Ingredientes :
(para 4 doses, se quiser uma sobremesa maior dobre as quantidades)
1/2 chávena(chá) de amendoins torrados descascados
4 bolachas Maria chocolate
1 colher(sopa) não muito cheia de manteiga de soja
1 1/2 chávena(chá) de água
2 colheres(chá) de agar-agar
1 colher(sopa) de amido de milho(maizena)
1 colher(sopa) de cacau puro em pó ou chocolate preto ralado
2 colheres(sopa) de açúcar amarelo(fica pouco doce, use mais açúcar se desejar)
1/2 chávena de chá de tremoços escorridos(com casca)
1 colher(sopa) de óleo vegetal(de milho, amendoim ou girassol)
1 colher(chá) de levedura de cerveja em pó
algumas gotas de sumo de limão
Preparação:
Comece por fazer a base, triturando no liquidificador as bolachas e os amendoins. Reserve 2 colheres de sopa desta mistura. O restante misture com a manteiga de soja até que se forme uma massa homogénea. Forre o fundo de uma forma de aro removível(15cm de diâmetro) com a massa, calcando com as costas de uma colher. Reserve. Num tachinho misture o amido de milho, o cacau em pó, o açúcar e o agar-agar e verta a água aos poucos mexendo com uma colher de pau. Leve ao lume brando e ferva por alguns minutos até que o agar-agar se dissolva. No copo de liquidificador coloque os tremoços escorridos(convém que não sejam muito salgados), a levedura, o óleo e algumas gotas de sumo de limão e triture. Junte o preparado do tacho, ainda quente(trabalhe depressa, o agar-agar solidifica rapidamente). Bata a mistura até que não se notem grumos. Despeje a mistura em cima da base. Deixe arrefecer e leve ao frigorífico por algumas horas. Antes de servir, retire o aro e polvilhe com as migalhas de bolacha e amendoim que reservou ou com compota de sua preferência. Decore a gosto(eu utilizei folhas de hortelã e cerejas cristalizadas). 
Um conselho: não diga aos comensais que a sobremesa leva tremoços, só depois de provarem, o sabor não se nota!


quarta-feira, 18 de abril de 2012

Uma coletiva colorida


A comida tem aromas, formas e sobretudo cores. E são as cores que nos atraem(ou retraem) para saborear(ou afastar)um prato. Quem não gosta de observar e comer uma salada de frutas colorida ou uma salada artisticamente decorada com tudo o que a natureza nos oferece. 
A Margarida, do blogue Tachos versus Panelas, lançou uma coletiva que eu não poderia deixar de participar e acho que você aí também não! A Blogagem das Cores. A cada dia 21 publica-se um prato culinário baseado numa cor. No próximo dia 21de abril vamos começar com o BRANCO. Sei que está um pouco em cima da hora, mas sei que a inspiração vai chegar. 

Olhem só quantos alimentos brancos existem: couve flor, nabos, cebolas, alho francês, espargos brancos, palmito, pastinaca, feijão branco, farinha de trigo, leite, iogurte, coco ralado, maizena, natas, queijo fresco...não vai ser difícil fazer algo com eles! Vamos lá participar, vai ser muito divertido!

Vejam aqui mais detalhes.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Arroz Alternativo da Vovó


Assim como para a Mané, o arroz é um ingrediente que tem um significado festivo para mim. Os meus domingos de infância, em São Paulo, Brasil, eram sempre uma festa:
Acordávamos cedo, não tão cedo como durante a semana, mas ainda assim cedo. Vestia-mo-nos e íamos à missa da Igreja do Sagrado Coração. Eu, meus pais e meus dois irmãos. Ficávamos ao fundo da igreja, porque dizia o meu pai que não queria passar vergonha, já que éramos 3 crianças com idades muito próximas. Os adultos ficavam em pé e nós, quando podíamos, sentávamos no genuflexório do altar da Nossa Senhora de Aparecida. Bem, talvez o meu pai tivesse um pouco de razão, dado que algumas vezes aconteciam coisas estranhas, tipo: o meu irmão mais novo levar um balão(bexiga), enche-lo e esvazia-lo com aquele barulho característico no meio da homilia...
Acabada a missa, era chegada a ansiada hora do pacotinho de pipocas, um para cada criança, que eram religiosamente comprados pelo meu pai ao mesmo senhor pipoqueiro e vinham com o mesmo aviso de sempre: Não sujem o carro!
Após isso lá íamos à feira do bairro, que acontecia sempre aos domingos, comprar legumes, verduras e frutas para a semana toda. Após chegarmos em casa e minha mãe guardar tudo púnhamo-nos a andar com destino à da casa de minha avó, que ficava em outra cidade(São Bernardo do Campo).
Era um percurso demorado, cerca de 1 hora, que para nós era uma eternidade. Pelo caminho, nós crianças, íamos atrás brigando brincando uns com os outros. Quando finalmente chegávamos, era uma festa! A casa da minha avó tinha tudo o que uma criança poderia desejar, um cão(cadela, a Suzy, que me detestava!), passarinhos, um cágado(a Huguinha, que ainda existe!), rebuçados, montes de gente(ainda tinha 1 tio e 2 tias solteiros ), vários livros de banda desenhada(o meu tio era e ainda é viciado), vizinhança boa, sossego na rua para poder brincar, e o mais importante: a minha querida avozinha, que era um doce de pessoa, tinha sempre uma surpresa para mim(um vestido para a boneca, um pequeno peluche...). Mas sobretudo o que eu mais gostava era de andar atrás dela, sentir o quanto gostávamos uma da outra(era por isso que a cadela me detestava, tinha ciúmes...).
Nestes dias, os almoços eram alegres e barulhentos, com no mínimo 10 pessoas à mesa. A minha avó fazia sempre uma grande travessa de arroz de forno, que para mim ainda é o melhor de sempre. A receita foi alguma vizinha que lhe passou, e ainda me lembro do pedaço de papel com a letra dela escrito... O nome do prato era arroz brasileiro, vá se lá saber porque, afinal os ingredientes existem em muitas partes do mundo!
É uma receita muito fácil e económica, e mesmo quem não tem muito jeito para cozinha(não era o caso de minha avó!)é capaz de confeccionar este arroz e fazer um figurão num almoço de família! Já fiz as mais variadas versões. A primeira que publiquei, é a versão original, não vegetariana. A segunda versão, vegana, publiquei-a aqui no seguimento da participação da 6ª fase da BCFV, a Melhor Idade, onde falo um pouco sobre a história da minha avó, que é uma das pessoas mais importantes de minha vida. O título desta publicação define bem o que ela era, um anjo, uma doce mulher, mas com coragem de leoa.

Esta versão de hoje, uma das muitas que já fiz, batizei-a de Arroz Alternativo da Vovó, porque levou dois ingredientes especiais, feijão Mung e sementes de chia. Sinta-se à vontade para fazer a sua própria versão, garanto que não se arrependerá!

E será com esta receita de arroz, para mim, muito especial, que junto-me à festa de comemoração do 1º aniversário do blogue da Mané, o Bolo da tia Rosa. Uma delícia de cozinha, onde dá vontade mesmo de entrar, sentar e tomar uma chávena de chá, prosear um pouco, e saborear uma fatia do fantástico bolo da tia Rosa e não só... porque coisas deliciosas lá não faltam!

Ingredientes (para 2 pessoas)
1/2 chávena(chá) de arroz lavado
1/2 chávena(chá) de feijão Mung (ou ervilhas congeladas)
1 colher(sopa) de sementes de chia
4 azeitonas descaroçadas e picadas
1 tomate pequeno sem casca e cortado aos pedaços
1/2 cenoura cortada aos cubinhos
2 colheres (sopa) de queijo parmesão vegan(receita aqui)
salsa, oregãos e cebolinho, tudo fresco e picado
sal e pimenta a gosto
1 colher(sopa) de azeite extra virgem
2 chávenas(chá) de água a ferver
Preparação:
Misturar todos os ingredientes numa travessa de ir ao forno(deixar alguma folga porque o arroz e feijão crescem ao cozer). Levar ao forno médio(cerca de 170ºC) por cerca de 40 minutos a 1 hora. Nesta versão, no início da cozedura convém mexer, pois alguns grãos de feijão Mung poderão ficar à superfície e não cozerem devidamente. Acompanhado com salada ou verdura cozida, no meu caso hoje foram grelos de nabo, é uma refeição completa. 
O arroz fica com uma camada crocante de legumes por cima e soltinho por dentro, uma delícia!

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Bolo da Welze - BC Welze

A Welze foi uma companheira virtual neste mundo dos blogues que nos marcou com a sua sempre boa disposição, com as palavras carinhosas com que brindava cada um que chegasse à sua cozinha (Gostosuras sem Travessuras) nos fazendo sentir especiais, quase como se estivéssemos sentadas juntas à saborear um cafezinho...Além das receitas deliciosas, com um sabor de família contava-nos muitos "causos" em que era impossível não nos sentirmos alegres depois de os ler. Sabíamos que gostava de ter a família sempre reunida, principalmente nos aniversários.
Fisicamente não está entre nós, mas deixou-nos lições de vida que jamais esqueceremos. 

Viver cada dia com alegria, espalhando a amizade e o amor, foi uma delas.

Hoje é o seu aniversário e reunimo-nos virtualmente para comemorá-lo numa grande festa, como ela gosta.

Eu decidi fazer uma das receitas maravilhosas que existem no seu blogue, não foi fácil escolher, mas decidi-me pelo bolo com vinho tinto, que para mim será sempre o Bolo da Welze.

A receita, na íntegra está aqui.

Utilizei frutas cristalizadas que ainda restavam do Natal(uma mistura de cerejas, casca de laranja, figos e pera) e vinho maduro alentejano.


Feliz aniversário, Welze.

 Esta linda iniciativa e homenagem à querida Welze (blogagem colectiva) foi impulsionada pelo Blogue Ora, Pitangas!

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A sopa especial de todos os dias


A Pammy lançou um desafio muito interessante para comemorar o 2º aniversário do Menu Verde, cujo tema é Comida Local. Para concorrer é necessário elaborar uma receita vegetariana utilizando o maior número possível de ingredientes produzidos no local. 

Longe de ser excepção, pelo contrário, para mim consumir alimentos locais(e biológicos) faz parte da rotina do meu dia a dia. A maior parte dos produtos, principalmente os frescos, são da horta da família(pais e sogros) ou da Manuela, que é uma produtora de agricultura biológica cá do concelho e que entrega os produtos colhidos no dia para mim e para alguns colegas de trabalho. Depois de entrarmos nesta rotina de consumo, jamais queremos sair, as vantagens são mais do que as desvantagens. Os produtos, sendo da época, são mais saborosos, colhidos no ponto de maturação adequado para serem consumidos, potenciando o seu sabor e como não são armazenados a perda de vitaminas e minerais é muito reduzida. Sem falar no transporte que é quase inexistente, poupando a atmosfera de emissões tóxicas.
É claro que não há tomates frescos em Dezembro, tangerinas em Junho ou figos em Março, mas quando consome-se os produtos locais e da estação, dificilmente apreciaremos os desenxabidos das estufas fora de época, longamente transportados e que são colhidos verdes. Os morangos são um exemplo marcante, depois de provar morangos biológicos, da época certa e colhidos na hora, maduros, nunca mais quero outros, nem que para isso os coma apenas algumas vezes por ano.

Na maior parte das receitas que faço utilizo alimentos locais, por isso poderia escolher uma de entre as várias já publicadas,  mas aproveito esta oportunidade para destacar um prato que é consumido diariamente cá em casa e que ainda não tinha tido o lugar merecido aqui no blogue: a sopa. Seja Verão ou Inverno, seja como entrada, como prato principal ou acompanhamento, a sopa está sempre presente, em todas as refeições, e é uma forma simples, rápida, nutritiva, económica e saciante de comer legumes. Fácil de executar, mesmo para quem tiver pouca prática na cozinha e não tenha jeito para descascar os legumes, se estes forem biológicos basta serem bem lavados. Não é preciso vigiar muito o cozimento, nem medir quantidades rígidas, pois na mistura é que está a novidade de cada dia.

E foi numa das centenas de vezes que estava a fazer a panela diária da sopa e ao mesmo tempo a pensar em  que receita escolher, que o clic aconteceu:
Esta é a receita ideal, onde normalmente uso 100% ingredientes locais, desde a água, puríssima e fresca, que vem de uma mina da casa de meus pais, que uso para cozinhar, fazer café e chá, até o azeite, que compro dos pais de uma amiga, de Vila Flor, o sal marinho, que é produzido nas salinas tradicionais de Aveiro, até os legumes e verduras que já mencionei a origem, ou seja, conheço os locais e as pessoas que os produzem. 
Tudo isto torna um prato aparentemente simples e trivial, em algo especial. Todo o cuidado e amor que cada interveniente amigo transmite em cada fase, torna este alimento carregado de boas vibrações, imanado de alegria e amor: pela manipulação cuidada da Terra, a surpresa ao ver germinar e crescer as plantas no seu ritmo natural, pela colheita endereçada, pela confecção familiar do alimento, pelo fervilhar poético e confortável da panela, pela sopa a fumegar no prato, pelas pessoas reunidas na mesa e quando, finalmente nos alimentamos, todas essas boas energias serão transmitidas para o nosso corpo e alma.


Sopa de legumes
para 6 doses
Desta vez escolhi:
2 batatas médias, 1chuchu pequeno, 1 cabeça de nabo, 1 cebola pequena, 3 folhas de couve galega, do quintal dos meus pais
1 cenoura média, 1 fatia de abóbora e 1/2 alho francês(parte branca) da quinta biológica da Manuela, a 3 km daqui
1 colher (sobremesa) rasa de sal marinho, das salinas tradicionais de Aveiro
2 colheres(sopa) de azeite extra virgem, de Vila Flor, produção dos pais de uma amiga
1,5 l de água, proveniente de uma mina existente na casa dos meus pais
Preparação:
Coloco a água para ferver(eu uso uma chaleira eléctrica). Entretanto arranjo os legumes: descasco apenas a batata, chuchu e cebola, lavo todos os legumes,usando uma escova própria se necessário(normalmente para a cenoura). Parto tudo em pedaços, excepto a couve e coloco numa panela alta com a água a ferver e o sal. Deixo cozinhar por aproximadamente 20 a 30 minutos com a tampa e fogo mínimo. Entretanto corto a couve em juliana fina. Verifico se os ingredientes da panela estão cozidos e então trituro-os com a varinha mágica, misturo a couve cortada e o azeite e deixo levantar fervura, com a panela destapada. Desligo o fogo, deixo repousar uns minutos e sirvo.

Pammy, aproveito para enviar-te os meus parabéns pelos 2 anos de receitas maravilhosas e pela divulgação de uma alimentação saudável e amiga do Planeta. Espero que gostes da minha reconfortante sopa, que com certeza seria saboreada com prazer numa noite fria aí na Islandia.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

# 14 Segunda sem carne

A receita que vos trago hoje é muito especial, para uma segunda feira que é especial porque é sem carne e porque ainda degustei este delicioso prato, que sobrou do almoço de ontem, fora isso o tempo hoje por aqui está péssimo e foi super preenchido, quando só me apetecia estar em casa, a cozinhar, a ler, a preguiçar... 

Foi baseada numa das receitas do livro Cozinha Toscana, gastronomia do mundo. Este foi um dos livros que ganhei ao participar no passatempo que a Carla promoveu no seu blog O meu tempero. O outro livro é sobre Cozinha Latina. Não poderiam ser melhor escolhidos, pois aprecio muito a cozinha destas paragens. E gostei tanto que já fiz duas receitas da Cozinha Toscana, a que reservei para hoje é a receita da capa. Apesar de não estar com o mesmo aspecto e os ingredientes terem sido um pouco diferentes, o resultado foi muito bom.

Obrigada, Carla, pelo carinho e pelo prémio, que como vês já está a ser usado!

Gnocchi de espinafres e requeijão
para 2
1 c. de sopa de azeite
300g de folhas de espinafre
1 requeijão
2 c.sopa de queijo mozzarella ralado(ou parmesão)
1 ovo, ligeiramente batido
2 c. de sopa de farinha de trigo, mais um pouco para polvilhar
noz moscada, ralada
sal e pimenta
Molho
1 c. de sopa de azeite
1 cebola pequena finamente picada
1 dente de alho esmagado
1 chávena de molho de tomate, caseiro ou tomate em pedaços, enlatado
salsa ou manjericão fresco
Preparação:
Aqueça o azeite numa caçarola grande. Junte os espinafres e refogue, tapada durante 1-2 minutos, até murcharem. Escorra-os num passador e deixe arrefecer. A seguir esprema-os com as mãos libertando o máximo de água possível(pode espreme-los com um pano de cozinha limpo para se certificar  que ficam bem secos). Finalmente pique os espinafres e coloque-os numa tigela. Adicione o requeijão bem escorrido, o mozzarella, o ovo, a farinha e misture bem. Tempere a gosto com sal e pimenta e uma boa pitada de noz moscada ralada.Tape e leve ao frigorífico durante pelo menos 1 hora, ou 20 minutos no congelador.
Entretanto faça o molho. Aqueça o azeite numa caçarola, deite a cebola e o alho e refogue em lume médio, mexendo frequentemente durante 3-4 minutos, ou até a cebola ficar macia. Junte o molho de tomate ou tomate picado e deixe ferver. Se utilizar tomate enlatado, reduza o lume e refogue, destapada por 10-15 minutos até o molho reduzir e engossar. Tempere a gosto com sal e pimenta(se for caso disso) e acrescente a salsa(reserve alguma para decorar). Reserve.
Para moldar os gnocchi, enfarinhe um prato e as mãos. Coloque uma colher de chá cheia de mistura de espinafre na palma de uma das mãos, depois enrole com cuidado dando-lhe a forma de um ovo e coloque no prato enfarinhado. Repita a operação com a restante mistura de espinafre.
Leve uma panela grande com água a ferver. Com cuidado junte os gnocchi, em pequenas levas e coza, em lume brando durante 2-3minutos, ou até subirem à superfície. Retire-os com uma escumadeira e coloque-os numa travessa aquecida para os manter quentes, enquanto coze os restantes gnocchi.
Sirva os gnocchi em pratos aquecidos com o molho deitado por cima e salpicados com queijo parmesão, a gosto.

Notas:
Em Portugal, o nome requeijão refere-se exclusivamente ao derivado do leite formado a partir do soro de leite obtido aquando do fabrico do queijo e que é novamente sujeito à acção do calor, equivalente à ricota italiana e brasileira[3].
No Brasil, o termo "requeijão" também se aplica a um tipo de queijo sólido, de cor amarela, feito de leite, muito encontrado na culinária do interior paulista, mineiro e do sul baiano. Entretanto, a palavra alude mormente ao tipo mais comum e mais consumido: o cremoso.
Fonte: Wikipedia

O nhoque ou inhoque (do italiano gnocchi) é um prato amplamente difundido no mundo todo. O nhoque é frequentemente preparado à base de batata ou farinha de trigo.
Fonte: Wikipedia

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Ganhei um passatempo!

Hoje estou de parabéns! Fui uma das vencedoras do passatempo "Ajudem a Carla", do blogue O meu tempero, em que concorri com o mil folhas de bilharacos e leite creme. Gostei muito de participar e adorei ganhar, é a primeira vez que isso me acontece! 
Agradeço à Carla por nos ter proporcionado este passatempo tão original e por ter escolhido a minha participação.
Parabéns à Susana, do blogue Belina da Ilha, que também foi vencedora com o delicioso mil  folhas de abóbora crocante com molho de manjericão.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Queijadinhas para a festa do 6º aniversário do Pecado da Gula


Eu não sou de faltar à uma festa, nem que esta seja virtual. E como em quase todas as festas que compareço, gosto de levar um agrado comestível. Algumas pessoas que me conhecem já esperam por isso. Estas queijadinhas são sucesso garantido em qualquer ocasião, são muito fáceis de fazer, com ingredientes simples existentes em qualquer dispensa e dão sempre certo, mesmo que a experiência culinária não seja muita. Escolhi este docinho para comparecer na festinha virtual que a Akemi nos convidou para comemorar o 6º aniversário do seu blogue, Pecado da Gula

Aproveito, também, Akemi, para te dar os parabéns pelo maravilhoso blogue, pelos anos de dedicação e deliciosas receitas com que nos tem brindado!
Beijinhos

Queijadinhas
Ingredientes:
200grs de açúcar
100grs de farinha de trigo
1/2 litro de leite
50grs de manteiga derretida
2 ovos inteiros
Preparação:
Misturar o açúcar com a farinha peneirada, juntar a manteiga, os ovos e misturar bem com colher de pau. Juntar o leite, fica uma mistura líquida tipo massa de panquecas, se ficarem grumos, usar a varinha mágica. Dividir a massa por forminhas de alumínio untadas e enfarinhadas ou de silicone. Colocar as forminhas no tabuleiro do forno, no qual se coloca um bocadinho de água a ferver.Cozer no forno, 180º C, por cerca de 30 minutos, até ficarem ligeiramente douradas. Para verificar a cozedura, espetar um palito, que deverá sair húmido, mas limpo. Deixar esfriar um pouco, desenformar, colocar em forminhas de papel frisado e polvilhar as queijadinhas com açúcar e canela.
Nota: pode-se juntar aroma de baunilha à massa

Mil folhas de bilharacos e leite creme

Esta receita foi criada especialmente para participar no passatempo "Ajudem a Carla", do blog O meu Tempero, a elaborar um mil folhas especial. Penso que o dela está perfeito, mas achei genial a ideia do desafio e logo de início imaginei várias versões, doces e salgadas, mas decidi-me por esta. Lindíssima, não está, que eu não tenho jeito para decoração, mas estava uma delícia. Aliás, a partir de hoje esta vai ser a versão oficial dos bilharacos, cá de casa.

Como o Natal está a porta, ouve-se muitas vezes esta frase: " O Natal já não é o que era" aliás esta expressão aplica-se a tudo, até: "A amizade já não é o que era ". 
Pois eu também acho. 
O Natal não tem de ser, no que se transformou ultimamente, um motivo para consumirmos desenfreadamente, deixando de desfrutar os momentos simples de união dessa noite mágica: uma conversa barulhenta de família a relembrar os velhos tempos, em que cada um acrescenta um ponto e uma vírgula, um brinde animado, o barulho das crianças, uma refeição feita com carinho por várias mãos, uma prenda singela feita por nós...
Os amigos também não são apenas, aqueles que cresceram connosco, mas aqueles que nos fazem crescer, que encontramos ao longo do caminho e que decidem nos acompanhar, que nos instigam a viver aventuras, que desafiam a nossa criatividade, fazendo de nós seres melhores.

Para um Natal diferente e uma amiga com muita imaginação!

Espero que gostes, Carla, desta sobremesa para o teu mil folhas.

Esta receita dá para 2 gulosos, ou 3 com juízo.
Comece pelo recheio, para que esfrie.
Leite creme vegetal
2,5 dl(250 ml) de leite de soja simples(sem aroma)
1 colher (sopa) cheia de farinha custard
1 colher (sopa) de açúcar amarelo
1 casca de limão
25 grs de margarina de soja
1 pau de canela
Preparação:
Num pequeno tacho dissolva a farinha custard em cerca de 1 dl(100ml) de leite de soja. Adicione os restantes ingredientes e leve a lume brando, mexendo sempre até obter um creme. Colocar em uma taça e cobrir com película aderente, encostada ao creme(para que não crie "casca")
Bilharacos planos
3/4 de chávena(chá) de polpa cozida e escorrida de abóbora manteiga
1 ovo pequeno
1 colher(sopa) cheia de açúcar amarelo
1 colher(sopa) cheia de amido de milho(Maizena)
1 colher(sopa) de amêndoa moída
1 colher(café) de sementes de papoila
raspa de 1 laranja
óleo de amendoim ou milho para untar
Preparação:
Misture bem todos os ingredientes. Leve a aquecer uma frigideira anti aderente untada com óleo. Com a ajuda de um molde metálico, molde pequenos crepes com cerca de 1/2 centímetro de espessura. Frite dos dois lados. Reserve.  

Montagem:
Coloque um bilharaco espalmado no prato, polvilhe canela em pó, espalhe uma camada de creme, polvilhe canela em pó. Sobreponha um bilharaco e recheio, assim sucessivamente. A última camada de creme é espalhada com o saco de confeitar. Polvilhe canela e decore com um raminho fresco de mangericão.
Nota:
O bilharaco é um doce português típico de Aveiro. É uma espécie de pastel doce feito de massa de abóbora, característico da época do Natal. Na região de Coimbra são conhecidos como belhoses.
A massa, além da abóbora, é composta por farinha de trigo, ovos, fermento e uma pitada de sal. Depois de misturados os ingredientes, são feitas pequenas bolinhas que são fritadas em óleo bem quente e, finalmente, polvilhadas com açúcar e canela.
Fonte: Wikipedia

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Um bolo misterioso para uma data especial

Hoje já é 30 de Setembro! O tempo passa, o relógio implacável não para de pulsar, mas ainda tenho algumas horas para sugerir um bolo especial para a minha amiga Mariana que está de parabéns no próximo dia 6 de Outubro.

Mariana, embora só te conheça virtualmente, fazes parte de uma parte de minha vida que tem se tornado importante a cada dia e não poderia deixar de comemorar contigo esta data tão especial, os  teus 40 anos. 

Nesta altura da vida temos a maturidade suficiente para sabermos como agir nas mais variadas situações, a ansiedade de tudo querer abraçar fica para trás, pois a aprendizagem da vida nos ensina que é impossível alcançar a perfeição em todos níveis e finalmente aceitamos isso. Aprendemos a gostar mais de nós, a desprezar aqueles pequenos defeitos, que super valorizamos em outras alturas da vida e além do mais estamos lindas, com muita vitalidade e charme. E falo com conhecimento de causa, afinal os meus 40 já foram há quase 3 anos...

Escolhi um dos meus bolos preferidos, que já fez parte de muitos aniversários meus.




Um bolo aparentemente comum, mas que contém uma surpresa no seu interior que só é revelada quando cortamos a 1ª fatia.

Transpondo essa simbologia para a realidade, penso que é assim que devemos ser nesta fase da vida: simples, sem adornos exagerados, cultivando a beleza interior para que ela se reflicta em todo o nosso ser, para quem nos quiser descobrir e verdadeiramente merecer...

Um beijo grande e muitas felicidades é o meu grande desejo para ti neste dia, que o passes da melhor forma e com aqueles que amas!

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O que é a Espiritualidade para mim

Para comemorar o 2º aniversário do blog Espiritual-idade, participo hoje na festa virtual para a qual Rosélia gentilmente me convidou, com o tema O que é a Espiritualidade para mim.
Difícil de definir, no entanto fácil de sentir, penso que a espiritualidade existe em todos nós, pelo menos para aqueles que crêem que existe algo que nos move além da matéria. 

Perde-se no tempo quando aprendi e absorvi em meu ser a ideia da existência de Deus. Será que já nasci com ela? 

Depois do meu Nascimento, em São Paulo, Brasil, meus pais, cristãos católicos, baptizaram-me com 2 meses de idade, na Igreja de Santo António, disso, como é óbvio, não me recordo, mas tenho um álbum de fotografias e o vestidinho cor de rosa que usei nessa ocasião.  

Na minha Infância, fui estudar para um colégio católico, o Colégio Nossa Senhora do Sagrado Coração. Desse tempo recordo-me bem. Junto com a aprendizagem das primeiras letras e números, havia as aulas de ensino religioso. A imagem que mais me marcou nessa fase foi a de Irmã Geralda, numa das primeiras aulas, em que à medida que nos narrava a criação do mundo, descrita no primeiro capítulo da Bíblia, o Génesis, ia desenhando no quadro a sua evolução, com giz colorido, e nós assistíamos maravilhados, encantados com sua bela voz de negra e o desenho lindíssimo que ia nascendo de suas mãos e que ocupava o quadro todo. Essa foi a primeira ideia que me lembro da existência de Deus e foi muito positiva.
Cantávamos muito, acompanhados de violão que algumas freiras tocavam e as nossas orações, hoje sei disso, eram muitas vezes meditações feitas com olhos fechados e com música muito doce, como a conversar com Deus dentro de nós. Lembro-me também que o Colégio promovia várias acções beneficentes de solidariedade social em que todos participavam e envolviam toda a família.
Na 4ª classe meus pais resolveram passar uma longa temporada cá em Portugal (8 meses) e fiz cá a minha Comunhão, foi algo que também me marcou e pude perceber várias diferenças que haviam no ensino religioso, tive um choque quando apercebi-me que não sabia de cor várias orações, como o ato de contrição, mas a febre da novidade fez-me ultrapassar isso tudo. Lembro-me desse dia, de vestido branco e em que fui ler ao lado do padre gigante (ele mede 1,90m!) e da festa, em que fui a personagem principal e sentei-me na cabeceira de uma mesa muito comprida.

Ao entrar na Adolescência, Deus entrou-me na minha natureza inquieta, ao ingressar para o grupo Renovação Carismática Católica, através dos dons do Espírito Santo, em experiências que chegavam a ser transcendentes e muito intensas. Lembro-me desses tempos em que todos parecíamos cheios da graça, vivíamos a cantar músicas religiosas e até aqueles mais rebeldes ficavam envolvidos. Em alguns momentos lembro-me das expressões serenas das freiras, e só depois compreendi...que esta euforia não duraria muito, as hormonas também eram um pouco culpadas disso. Mas esses tempos foram importantes para aprender a olhar para dentro de mim, a meditar, aprender que Deus existe pela beleza do mundo e de suas obras, deixei para trás o materialismo necessário da infância e ingressei no Mundo começando pela porta do meu ser. 

Na minha Juventude, houve a mudança para Portugal, e foi também marcada pelo meu abandono da religião. Mas não de Deus. Nunca deixei de falar com Ele, em meu coração, como havia aprendido, mas os rituais da Igreja já não faziam mais sentido para mim. A espiritualidade tomou outro sentido, foi nessa fase que comecei a ler sobre diversas culturas e religiões, mas os estudos tomavam-me muito tempo e nesse campo foi quase que um adormecimento, um coma, em que Deus era como um amigo, que estava presente no meu dia a dia, nos meus momentos de solidão, aflição e também de alegria, mas de uma forma mais íntima e solitária.

Com a Maturidade, fase em que me encontro, a universalidade de Deus, é para mim quase uma certeza. Penso que Deus existe, acima de qualquer religião. Não penso que para acreditarmos Nele, é necessário pertencer a um grupo, mas também acho que se a pessoa se sentir bem, é uma escolha pessoal, que eu respeito. A única coisa que a mim causa-me impressão é quando a religião motiva a desunião das pessoas, e infelizmente, nesse campo tenho uma experiência familiar. É incompreensível para mim, quando em nome da religião, as pessoas deixem de conviver umas com as outras, por causa de "regras" religiosas. Eu, que fui ensinada, desde pequena que se Deus criou todos nós com o dom da palavra e da audição é para vivermos em comunidade, em pleno convívio uns com os outros e se deu-nos inteligência é para sermos tolerantes e entendermos que o credo depende muitas vezes do lugar do globo onde nascemos, até da geografia e do clima! Mas Deus, é universal e existe em toda a parte, não importando o aspecto que tem para cada um!
O respeito pelos nossos semelhantes, pelo nosso Planeta, a atitude individual, mas proactiva e bondosa em relação a todos os seres é para mim a Espiritualidade, e Deus continua a representar para mim o Grande Criador e aquele mundo maravilhoso, desenhado pela Irmã Geralda é o que considero que todos devemos ter e preservar.
A minha filha está na fase da Infância, e depois de muito reflectirmos, eu e meu marido decidimos matricula-la na Catequese, na Igreja Católica, para que seja ela também a ingressar na busca individual de Deus, sem a nossa influência com as experiências pessoais de já termos trilhado esse caminho. 

Espero, na Melhor Idade, continuar neste caminho e serenar ainda mais o meu espírito, mas não estagnar na aprendizagem do conhecimento, tendo Deus como uma certeza e não como uma obrigação mecânica de rituais, em que se perde a essência da Sua existência. Espero poder fazer parte do mundo e no mais pequeno dos gestos contribuir para que melhore mais, por todos nós, para ser cada vez mais belo e em que todos possam desfrutá-lo nas mesmas condições. Que todos tenham pelo menos o básico, para que possam aprender, meditar e encontrar Deus, é este o meu sonho.

E quando a Morte chegar, que seja apenas uma passagem para outro lugar, ou uma pausa para cá voltarmos outra vez, não sei... e acho que ninguém sabe, mas tenho a sensação que nada é definitivo, que o que nos anima é tão sublime, que não deve ser efémero, que vamos todos caminhando para mais perto da Perfeição, junto de Deus.

E foi com a história da minha vida, neste prisma, que descrevi o que representa para mim, a Espiritualidade.

Neste contexto, a receita do bolo que trago hoje, leva apenas ingredientes vegetais. Por nosso Planeta que Deus tão bem nos presenteou e pela inteligência que nos deu, para procurar formas menos agressivas de tratar nossos semelhantes, sejam eles irracionais ou racionais, este pequeno gesto é isto que simboliza, uma forma de se alimentar sem que disso seja necessário martizar algum ser, pelo menos hoje! E também porque para comemorar um aniversário gosto de um bolo, e deste ritual eu não abro mão!

Parabéns Rosélia! Pelo blog, pelos ensinamentos que nos trazes, pela vida missionária que tens em prol dos semelhantes, fazendo com que Deus entre nos seus corações e o Mundo seja um lugar cada vez melhor!

Bolo de frutas
Ingredientes:
2 chávenas(chá) de farinha de trigo
1 chávena(chá) de açúcar amarelo(mascavo claro)
1 colher(sopa) de fermento em pó
1/2 chávena(chá) de óleo de amendoim (ou outro de sua preferência)
1/2 chávena(chá) de sumo de maçã sem açúcar(ou outro de sua preferência)
2 colheres(sopa) de sementes de linhaça moídas(opcional)
1 pitada de canela
1 pitada de erva doce em pó
2 chávenas(chá) de maçã cortada em pedaços
1 banana cortada em pedaços
1 fatia pequena de melão cortada em pedaços
Preparação:
Triture as frutas juntamente com o óleo e o sumo de maçã no liquidificador ou usando a varinha mágica, até que se forme uma mistura lisa e homogénea. Junte o açúcar e as sementes de linhaça moídas e bata até misturar. Junte a farinha de trigo, misturando sem bater e por último o fermento, misturando levemente. Transfira a mistura para uma forma untada e coza no forno pré aquecido a 180ºC por cerca de 50 minutos. Verifique com um palito. Desenforme morno e se quiser polvilhe açúcar em pó.
O bolo tem uma textura húmida, é pouco doce mas sente-se o sabor da fruta em cada dentada, a banana domina o sabor, mas aos poucos sente-se o sabor das outras frutas.
Pode-se usar a fruta que quiser, outras combinações e até aos pedaços, o importante é manter mais ou menos a mesma quantidade e acrescentar mais sumo se necessário, para conseguir a consistência da massa.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Bolo de coco queimado

Hoje a Capuchinho Vermelho saiu para visitar a sua avó. Levou na cesta um bolo muito guloso para saborearem ao lanche. Pelo caminho encontrou o lobo, que estava sentado debaixo de uma árvore muito tristonho, pois todos tinham medo dele... A Capuchinho teve pena e convidou-o para lanchar com ela e com a avó. O lobo ficou tão contente que pelo caminho foi colhendo flores que presenteou às duas, como um perfeito cavalheiro. Foi uma tarde muito divertida, pois o lobo tinha muitas histórias engraçadas para contar e comeram o bolo que a Capuchinho levou acompanhado de um chá fumegante. As histórias infantis já não são o que eram...e ainda bem! 

Espero que a Belinha goste da minha versão da história e do bolo, que fiz  especialmente para participar na comemoração do 4º aniversário do seu blog maravilhoso, Receitas da Belinha Gulosa.
Parabéns, Belinha e que continues com a tua simpatia e boa disposição a nos presentear com as deliciosas receitas a que já nos habituamos!

Bolo de coco queimado(Revista Cozinha Económica, n.º 8)
200 grs de coco ralado
2,5 dl de leite
1 lata de leite condensado
3 colheres(sopa) de manteiga
3 ovos
2 dl de leite de coco
300 grs de farinha de trigo
1 colher(sobremesa) de fermento em pó
3 colheres(sopa) de queijo ralado
Manteiga para untar
Farinha para polvilhar
1. Deite o coco ralado para uma frigideira e leve ao lume mexendo sempre até ficar bem douradinho.
2. Retire do lume, deite para uma tigela, reserve 2 colheres(sopa) para depois decorar, junte os 2,5 dl de leite ao restante coco na tigela, mexa e deixe o coco hidratar.
3. Ligue o forno a 180ºC. Barre uma forma com manteiga e polvilhe-a com farinha.
4. Deite, para uma tigela, o leite condensado, a manteiga e as gemas, bata bem, junte o leite de coco, a farinha, o fermento , o queijo e o coco ralado muito bem escorrido entre as mãos e bata muito bem. À  parte, bata as claras em castelo, junte-as ao preparado e misture delicadamente.
5. Verta a mistura anterior para uma forma e leve ao forno durante 40 minutos. Verifique a cozedura com um palito, retire, deixe arrefecer um pouco, desenforme e sirva frio polvilhado com o coco que reservou.

sábado, 30 de abril de 2011

A minha cozinha, a minha receita - 1º aniversário do blogue Na Cozinha da Mariana

Está quase a acabar o dia, só agora consegui arranjar tempo para vir aqui escrever esta mensagem para o passatempo que a querida Mariana criou para comemorar o 1º aniversário do seu maravilhoso blogue Na cozinha da Mariana.
A minha cozinha não é muito grande, os móveis já estão um pouco antigos, mas é um lugar onde me sinto muito bem. Gosto de acordar pela manhã bem cedo e antes de todos levantarem preparar o café calmamente, sentir o aroma invadir o espaço e sentar-me à mesa com uma caneca gigantesca de café, em absoluto silêncio e contemplar a paisagem magnífica que posso vislumbrar pela janela. Este é um momento de preparação para o meu dia, que é quase sempre frenético e agitado, sei que a partir do momento que me levantar da cadeira do pequeno almoço não vou parar até a noite, daí a necessidade deste momento calmo e só meu.
Em outros momentos a minha cozinha é um verdadeiro pandemónio, quando nós os três lá estamos, um a cozinhar, outro a falar e a criança a brincar. Ou os três a cozinhar, muitas vezes a pequenina, que tem 7 anos, também ajuda e já vai aprendendo. O meu marido também cozinha e muito bem.
Na minha cozinha tem muitos objectos decorativos que eu própria fiz em outros tempos, como um quadro que pintei há muito, e que existe uma réplica na cozinha da minha mãe, para uma lembrar da outra enquanto cozinha. Há também um moinho de café manual, oferta do meu avô. 
Sei que esta cozinha não é daquelas ultra-modernas e cómodas que agora existem e que nos facilitam imenso a vida, às vezes penso nisso quando quase tenho que me deitar no chão para alcançar alguns objectos do armário que eu baptizei de "buraco negro" porque às vezes desaparecem lá coisas e eu aí sonho com aqueles gavetões fantásticos. 
Mas adoro a minha cozinha, porque a melhor decoração que existe nela é o amor.  

E foi com amor que fiz este bolo, que é um dos preferidos da minha filha.
Bolo de coco e alfarroba
6 ovos, de preferência caseiros
2 colheres de sopa de manteiga
6 colheres de sopa de açúcar
3 colheres de sopa de farinha de alfarroba(ou 6 colheres de sopa de chocolate em pó)
150 grs de coco ralado
1 colher de sobremesa de fermento em pó
Bater todos os ingredientes(excepto o fermento) no liquidificador ou com a varinha mágica,  juntando por último o coco e misturar o fermento delicadamente com uma colher de pau. Leve a cozer em forma untada e polvilhada com farinha no forno à 160º por mais ou menos 40 minutos.
Cobertura (normalmente faço 1/2 receita):
1 colher de sopa de manteiga
3 colheres de sopa de açúcar
2 colheres de sopa de farinha de alfarroba(ou 4 colheres de sopa de chocolate em pó)
1 pacote de natas(creme de leite)
Leve tudo ao lume(ou microondas) e mexa até dar o ponto.
Cobrir o bolo e decorar a gosto.
Mariana, as rosas do bolo são para ti, um presente pelo aniversário do blogue. 
Parabéns, e que continues nos mimando com as deliciosas receitas da tua cozinha.
Beijinhos.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Festa de aniversário ecológica

O nosso bebé, que nasceu no dia 15 de Março, esta a crescer depressa, é agora uma linda criança, vivendo em pleno as alegrias da infância. Ainda hoje dizia uma amiga minha, no meio de uma complicação do trabalho: como eu queria ser criança...

Quando eu era pequena, e eu me recordo bem disso, queria ser adulta depressa, porque julgava eu, que ninguém mandava nos adultos...Depressa aprendi que  não é bem assim...

Ser criança é tão bom: brincar muito, acreditar em magia, ter muiiito tempo de ferias, dormir como um anjo, ter muitos mimos, ter mãos e pés fofinhos, abraçar um ursinho, saltar a corda e ...ter festas de aniversário...

Eu tenho uma filha de 7 anos e cada festa, desde que ela é "consciente" é  uma verdadeira alegria, nem que seja apenas um bolo com os amigos da escola, ela adora ser o centro das atenções...

Fazendo uma ligação deste tema com a Teia Ambiental, que também participo, pensei, porque não fazer uma festa de aniversário ecológica com o tema Ambiente. Ainda faltam uns meses até Outubro, que é o mês que a minha filhota(e eu!) fazemos anos, mas já estou a ter algumas ideias para a festa:
Convites: em papel reciclado, aproveitando recortes de revistas e escritos a mão, com a linda letra da aniversariante.
Enfeites: Nada de balões...bandeirinhas feitas com folhas de revistas, correntes com folhas de jornal, flores e mobiles com garrafas pet, vira-ventos(cata-ventos)com folhas de papel usadas ou de revistas, lanternas com latas, e com certeza mais ideias virão...tudo feito em colaboração com a filhota e o papá.
Cores: verdes e azuis
Usar louça de plástico ou acrílico reutilizável. Utilizar marcadores para os copos, para que cada um saiba qual é o seu, com etiquetas feitas com recortes de revistas.
Comida: tudo natural e caseiro, desde o bolo(este eu sempre fiz) até os docinhos e salgados. Nada de batatas fritas de pacote ou gomas(esta é a parte pior).Para as bebidas:sumos naturais, água e quem sabe chá gelado. Não vou usar forminhas de papel para os doces e vou fazer gelatinas(de agar-agar)dentro de frasquinhos de iogurtes reciclados. Colocar baldes de lixo com as 3 cores para a reciclagem.
Brincadeiras: pinturas faciais alusivas ao tema, caça ao tesouro "Salvar o Planeta" e vou  também pesquisar brincadeiras antigas para incentiva-los a brincar como antigamente.
Prendinhas: Uma planta num vaso, plantada por nós ou uma lata reciclada em porta lápis.
E até lá surgirão muitas mais ideias...

E para entrar no clima, hoje a receita que trago é típica de festa de crianças:
Do livro "Sobremesas saudáveis" de Adriana Ortemberg
Pipocas coloridas
50 grs de grãos de milho secos
2 colheres de sopa de azeite virgem
8 colheres de sopa de sumo de beterraba
1 colher de sopa de mel
Aquecer o azeite numa frigideira funda e, antes que comece a fumegar, deitar os grãos de milho, tapar e deixar estalar. Mexer a frigideira de vez em quando.
Quando se deixar de ouvir o milho estalar, retirar do lume e deitar as pipocas numa taça grande.
Levar ao lume o sumo de beterraba com o mel. Quando levantar fervura, baixar a chama e deixar o líquido reduzir um pouco. Deixar arrefecer e verter sobre as pipocas, movendo o recipiente para que fiquem todas com cor.


E foi esta a minha participação no tema infância da BCFV. Até o próximo dia 15 de Maio!
Beijinhos lambuzados!