quinta-feira, 21 de junho de 2012

Salada verde, para a Blogagem das Cores

É verdade, o verão começa hoje! Quase havia esquecido, com o tempo chuvoso que tem feito por aqui. Mas andar com menos roupa já é bom. Clamo pelos dias luminosos de sol, calçar chinelos e fins de semana de praia a ensaiar para as férias.

Além de começar o verão, hoje também é um dia especial, o terceiro dia da Blogagem das Cores, promovida pela querida amiga Margarida, do Tachos Versus Panelas.
O verde foi a minha opção depois da Josy ter carinhosamente me passado o testemunho.
Como já escrevi aqui o verde tem um significado especial. Neste mês, em que completei 6 meses de vida totalmente vegetariana estive em muitas reuniões familiares e agora a família quase toda já sabe de minha escolha. Acharam estranho mas não criticaram. Na primeira vez tive que comer batatas cozidas com salada, mas nas outras vezes já tinha pratos especialmente feitos para mim.
O verde traz calma, serenidade e conforto. Embora transmita placidez, esta não vem acompanhada de tristeza. Tudo o que necessito e quero agora. O colo da Mãe Natureza. A introspecção que preciso para refletir e amansar meu coração mas sem me perder num mar de melancolia.
E foi o que tentei transmitir com esta salada. A inspiração veio desta deliciosa receita do Papacapim, que já fiz inúmeras vezes e adoro.
Nada melhor para confortar o estômago do que um belo prato de feijão, neste caso o mung, verdinho, para não fugir ao tema que misturou-se à frescura do quivi, que na minha cidade tem produção de ótima qualidade. Uma combinação inusitada mas que resultou muito bem.

SALADA VERDE
serve 2 porções
Ingredientes:
1/2 chávena(chá) de feijão mung
2 quivis pequenos e maduros, mas firmes
Cebola picada a gosto
1 raminho de coentros
hastes de cebolinho
1/2 pimenta malagueta
sumo de 1/2 limão
azeite e sal

Preparação:
Cozer o feijão com água e sal por aproximadamente 20 minutos(vigiar a partir dos 15 minutos para que não fique cozido demais). Escorrer e deixar arrefecer. Cortar os quivis em cubinhos e a cebola, pimenta e coentros em pedacinhos. Numa taça misturar o feijão frio com o quivi, a cebola, os coentros e a pimenta. Temperar com o sumo de limão, sal e um fio de azeite. Misturar os ingredientes. Decorar com cebolinho picado e servir. 
Acompanhei com salada de folhas e tomate.


Deixo a tarefa de escolher a próxima cor para o dia 21/07/2012 com a querida Belocas, do blogue Iguarias para Gulosos. Com certeza ela fará uma ótima opção. Estaremos à espera para o próximo dia desta aventura colorida.

Beijinhos verdes a todos!

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Fechado para auto questionamento


Em pleno estádio de questionamento, a inspiração abandonou-me e estive quase para faltar hoje ao 4º tema da BCAP, justamente o Questionamento. Inicialmente pensei em abordar o tema pelo efeito de prisão que o questionamento suscita, quem só questiona tem medo de viver, o contrário de quem vive sem barreiras e sem regras. Quem se apaixona, não questiona. É verdade. Mas um dia ele chega, o tal do Questionamento.

Há alturas da vida em que não adianta “varrer o lixo para debaixo do tapete” ou “esconder a cabeça na areia como o avestruz”. Eu estou numa destas alturas em que o tapete já não esconde o lixo e a minha cabeça está tão grande, cheia de questões que não cabe em buraco algum. Mas é necessário encarar as questões de frente. É ameaçador, frustrante, sinto-me triste e ansiosa, mas não dá mais para adiar as perguntas que temo em fazer a mim mesma. Ainda não tenho respostas e nem sei se as terei, mas questionar-me já é bom. Mas é como tomar uma injecção, sabemos que faz bem, mas dói. Algumas perguntas não tem resposta, dependem de fatores ou pessoas que não posso controlar…É, porque os outros também se questionam e muitas vezes as respostas delas não são aquelas que ansiávamos ou que são as melhores para nós… Sei que este não é o texto que queria escrever, mas serve para demonstrar o estado de espírito de um ser em pleno Questionamento, principalmente quando são questões importantes e fulcrais de uma vida. Os sentimentos são intensos, a ansiedade é total, o medo de errar é muito, mas também há um sentimento positivo que emerge do meio do caos, o sentimento de auto controle, não aquele dos desportistas ou políticos, mas um sentimento de reconhecimento próprio, porque muitas vezes, e eu falo por mim, esqueço a minha própria existência e em questionamento o “eu” tem papel primordial, não dá para ficar em segundo plano. O isolamento reflexivo, a pouca vontade de comunicar, o silêncio que procuro, traz a paz que só faz bem para um ser frenético como eu.

Mas a vida continua e foi preciso fazer um bolo para a festa da escola. Sem receita. Os questionamentos foram muitos, é com a aventura que as questões mais aparecem. É claro que a prática contou muito…Já fiz muitos bolos na vida. É claro que as questões vão ficando mais complexas com o passar dos anos, mas a experiência ajuda muito.

Untei com manteiga de soja uma forma de chaminé. Liguei o forno a 160ºC. Numa taça(tigela) parti 5 ovos pequenos, juntei 1 ½ chávena de chá de açúcar amarelo, ½ chávena de chá de óleo de amendoim, ½ chávena de chá de aveia em flocos que completei com ½ chávena de chá de coco ralado. Bati tudo com a varinha mágica( pode usar o liquidificador) até ficar um creme homogéneo. A essa mistura juntei 2 chávenas de chá de farinha de trigo, uma pitada generosa de canela e 1 colher de sopa de fermento em pó. Despejei a massa na forma e levei ao forno por cerca de 30 minutos. Usei o palito para testar. 
O bolo ficou bonito e o aroma era delicioso. Só que não o provei! Será que ficou bom? Pela experiência acho que sim. 
Simples, mas bom.

 Confira mais(e melhores!)participações aqui.


terça-feira, 5 de junho de 2012

Não fugi...até fiz um bolo de chocolate!

Oláaa! Há alguém aí? Sei que as teias de aranha abundam por aqui e o abrandamento das publicações sugerem uma certa calma. Mera sugestão! Por trás deste monitor a atividade é frenética, a vida está a mil por hora, o tempo passa a voar. Tenho saudades de me sentar calmamente por aqui, escrever e visitar os amigos. Espero que esta semana as coisas acalmem um pouco. Mas o mundo não para e a vida de outros seres continua a crescer. A minha hortinha da varanda está em plena atividade! Não me tenho esquecido de rega-la todos os dias e acompanhar a evolução e crescimento das plantas é muito bom! Sempre que me ponho a observar os meus vasos, lembro-me com frequência da Teia Ambiental e da felicidade que seria se todos amassem a Natureza e não fosse preciso lutar para a sua preservação. Penso que o Mundo seria muito menos violento e as pessoas mais felizes se se dedicassem à agricultura vez da criação de animais para abate...É uma sensação de prazer e contentamento lançar uma semente à Terra e vê-la crescer, ainda mais sabendo que nenhum ser foi sacrificado.

Uma pequena courgete em formação
Teia Ambiental
Questiono-me nestas alturas frenéticas se serei eu uma desorganizada sem conserto, deixando as coisas acumularam-se para, de repente, acontecer tudo de uma vez ou se devo cortar em algumas coisas para realizar outras com mais calma e melhor...Ser ou não ser, eis a eterna questão! Mas agora, a avalanche não me concede tempo nem para esses pensamentos! Para o próximo dia 15, na 4ª fase da Blogagem Coletiva Amor aos Pedaços, muitas dúvidas andarão no ar, e embora eu já saiba o que vou escrever, o problema é quando? e como?

BCAP - 4ª fase - Questionamento - 15/06/2012
Deixar de cozinhar é impossível. E apesar da criatividade não ser muita, não temos passado fome. Tenho tantas receitas que quero experimentar, tantos ingredientes para descobrir, mas é preciso calma... 
No domingo à tarde cedi aos pedidos da criança que deixa este lar de pernas para o ar e fui para a cozinha fazer este bolinho. Afinal a criança que habita em mim também adora bolo de chocolate! Para o deixar mais saudável, cortei no açúcar e usei do amarelo. Substituí o chocolate em pó por cacau em pó puro e alfarroba.
Modéstia à parte, um dos melhores bolos de chocolate que já comi!

BOLO DE CACAU E ALFARROBA
Ingredientes:
1 pitada de sal
7 ovos 
1 1/3 chávenas(chá) de açúcar amarelo(mascavado claro)
1 colher(sobremesa) de essência de baunilha
1/2 chávena(chá) de amido de milho(maizena)
1/2 chávena(chá) de farinha de alfarroba
1 1/2 chávenas(chá) de farinha de trigo
1/2 chávena(chá) de cacau(com mínimo de 70% de cacau)
1 colher(sopa) de fermento em pó
14 colheres(sopa) de azeite(mal cheias)

Preparação:
Pré-aqueça o forno à temperatura média de 180ºC. Unte com manteiga vegeta ou azeite uma forma e polvilhe-a com farinha. Coloque em uma panelinha 1 chávena(chá) de água e leve ao lume até ferver. Retire do lume, junte o cacau e mexa até dissolver. Reserve. Peneire a farinha, a maizena, a farinha de alfarroba e o fermento. Reserve. Coloque no copo do liquidificador(ou use a varinha mágica) as gemas, o açúcar,  o azeite e a essência de baunilha e bata até ficar uma mistura homogénea. Acrescente aos ingredientes secos a mistura do cacau e das gemas e mexa com uma colher pau até que os ingredientes estejam bem ligados. Bata as claras em castelo com a pitada de sal e misture-as à massa com movimentos delicados. Transfira para a forma e leve a cozer no forno por cerca de 45 minutos(teste com o palito). Espere 5 minutos antes de desenformar. E delicie-se!




A escolha do prato VERDE foi propositada...para lembrar que no próximo dia 21 esta cor vai ser rainha na Blogagem das Cores!
Blogagem das Cores

terça-feira, 29 de maio de 2012

Amor vegetal

Extinto o fogo da paixão, acabada a cegueira dos sentidos e o arrebatamento da novidade, se o amor não foi consumido pelas labaredas vermelhas da paixão e sobreviveu, chegou o momento da acalmia, da temperança, o conforto do hábito, a certeza de que apenas um olhar basta para tanto dizer! Todas as fases são importantes para a sobrevivência do amor e na verdade um pouco de tudo é a chave do sucesso e equilíbrio de uma relação. Momentos de êxtase em meio à rotina do dia-a-dia, amizade, carinho e porque não, discussões, fazem de uma relação amorosa, de um romance que não tem fim, um livro que dá gosto ler e nunca terminar.
A relação com a comida deveria ser como um caso de amor que deu certo. A mistura de ingredientes buscando o equilíbrio do paladar, a saúde do corpo e o prazer. Um toque de picante, uma sobremesa diferente, em meio aos pratos costumeiros, faz com que estes momentos sejam únicos. Se comêssemos todos os dias morangos com chantilly e bebêssemos champanhe, já não os consideraríamos manjares especiais, assim como se recebêssemos um ramo de flores todos os dias…
Algumas gotas de amargo vinagre equilibram o tempero de uma salada, mas se passar de um toque fica tudo estragado…Uma pequena discussão poderá servir para esclarecer e marcar um ponto de vista, mas se for uma luta…
O segredo de tudo na vida está no equilíbrio e embora não seja muito fácil de alcançar deveria ser sempre a nossa meta.
A mistura e a variação de cores na alimentação promovem o equilíbrio da saúde, não sou eu que digo, já li isso em vários estudos e parece lógico, porque as cores representam os nutrientes que os alimentos tem e quanto mais variadas as cores, mais teremos a hipótese de ingerir todos os elementos que o nosso corpo necessita. Por isso a frase: Os olhos também comem, tem a sua lógica. Que olhos não gostam de admirar um belo prato colorido, daí a importância de ter calma na hora de ingerir uma refeição para que todos os sentidos funcionem…da visão ao tato.
Toda esta divagação foi para explicar a escolha da próxima cor, para o desafio que a Margarida, do Tachos versus Panelas nos lançou com a Blogagem Colectiva das Cores. A primeira cor, o BRANCO, foi escolhido por ela, é uma cor neutra, até classificada como “não cor” pois é o resultado da reflexão total da luz, a Josy, do Cozinhando com Josy foi a eleita para seleccionar a segunda cor e escolheu o VERMELHO, uma cor quente e vibrante. Ela passou-me o testemunho e eu resolvi escolher a cor VERDE, para equilibrar e também porque atualmente esta cor tem um sentido especial para mim: significa a escolha feliz e livre pela alimentação vegetariana, a calma que gostaria de alcançar, a ligação com a natureza que procuro fortalecer. 

dente-de-leão, que a Mãe Natureza ofertou-me num passeio aí em cima...
...e que vieram fazer companhia à chicória desta salada
 Fonte de inspiração: aqui no magnífico blogue Menu Verde.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Salada vermelha e uma sobremesa, para a Blogagem das Cores

Vermelho foi a cor escolhida pela Josy, para a segundo dia da Blogagem das Cores, promovida pela Margarida, do Tachos Versus Panelas. Esta é a minha cor preferida desde sempre. Mesmo que o vermelho não esteja na moda, tenho, em qualquer estação roupas ou acessórios desta cor. Ao pensar nisto, lembrei-me de que nos meus tempos de estudante tinha uma superstição: em todos os exames tinha que levar uma peça vermelha vestida, senão achava que não me ia correr bem! Já não me lembro, se corria mal se eu não cumprisse este ritual, de qualquer forma procurava sempre levar algo vermelho vestido! 
Para mim o vermelho representa a vibração, alegria, paixão e a vida.
Em termos culinários o vermelho está bem presente por aqui, não sei se já haviam reparado, mas em muitas fotos das receitas esta cor está presente nos acessório(pratos, toalhas) e nos próprios alimentos. Cá em casa nunca falta o tomate e o pimento vermelho, e no tempo deles, os morangos, as cerejas e a melancia.
Os alimentos vermelhos são ricos em licopeno, uma substância antioxidante que confere a cor avermelhada aos alimentos e quando absorvido por nosso organismo auxilia no combate do envelhecimento e do cancro. Segundo pesquisas, o licopeno contido no tomate(especialmente depois de cozido e temperado com azeite) funciona na prevenção do cancro da próstata. Eu sei que este é um assunto sério, mas não consigo evitar de pensar trocadilhos de duplo sentido para tomates/próstata e muito provavelmente mais pessoas também... O que é certo é que muito se fala nisso, do benefício do licopeno contido no tomate, e se esses pensamentos mais pícaros contribuíram para que este assunto não caísse no esquecimento, ótimo! Os meios justificam os fins, neste caso.

Continuo na onda das saladas, não sei se conseguirei isto com todas as cores do arco-íris, mas com o vermelho ainda foi muito fácil. Como gosto tanto desta cor resolvi fazer também uma sobremesa, que não saiu com um vermelho vibrante como eu queria, mas sim mais para o cor de rosa. Ao contrário do vermelho puro, o cor de rosa era uma cor que eu antipatizava, a tal ponto que quando fiz o enxoval de minha filha não lhe comprei uma única peça desta cor. Quando ela foi crescendo, como quase todas as meninas, o cor de rosa das princesas e fadas começou a ser sua cor preferida. Agora gosto de todos os matizes de vermelho, dos mais vivos e energéticos até ao doce cor de rosa. A paixão em todos os seus tons!

Salada vermelha
Ingredientes para 2 pessoas
2 pimentos (pimentões, no Brasil) vermelhos grandes
2 tomates médios (hã?)
2 colheres(sopa) de sumo de limão
2 colheres(sopa) de azeite
1 dente de alho
sal e pimenta preta
raspas de limão

Preparação:
Lave os pimentos e faça alguns furos na casca. Coloque-os num tabuleiro untado com azeite e leve a cozer no forno, virando-os de vez em quando, até que fiquem bem assados. Deixe arrefecerem ligeiramente e coloque-os dentro de um saco plástico e feche. Deixe-os lá até que arrefeçam. Esta operação é para facilitar a retirada da casca. 
Depois da casca retirada, corte os pimentos em tiras e coloque-os na taça de serviço juntamente com os tomates partidos em fatias finas. 
Faça o molho, misturando o sumo de limão com sal, o dente de alho bem picadinho e o azeite. Regue a salada e mexa. Polvilhe com pimenta preta moída na hora e raspas de limão. 

Com o que sobrou, ao jantar fiz bruschettas. Simplesmente espalhei a salada sobre fatias de broa e levei ao microondas para aquecer ligeiramente. Servi com rúcula e cerejas.

Gelatina de morango verdadeiro
Uma das coisas que aboli, depois de descobrir o agar-agar, foram as gelatinas de origem animal, feitas com corantes artificiais.
Esta gelatina foi feita com morangos congelados, mas poderá ser feita com qualquer fruta fresca ou congelada e adoçada a gosto, com a vantagem de ficar pronta em pouquíssimo tempo!

Ingredientes
600grs(mais ou menos) de morangos congelados
1 maçã descascada e partida em fatias finas
3 chávenas(chá) de água
Açúcar a gosto
1colher(sopa) de agar-agar

Preparação
Descongele os morangos e transfira-os para o copo do liquidificador. Junte 2 chávenas de água e açúcar a gosto e bata, até ficar em sumo. Entretanto, leve ao lume, num tachinho, a maçã e a água e deixe cozer por alguns minutos. Misture o agar -agar e deixe ferver até que se dissolva. Deite esta mistura para o liquidificador e bata até ficar homogéneo.
Transfira para forminhas ou para uma única forma. Deixe arrefecer e leve ao frigorífico para refrescar, pois já estará solidificado quando terminar de arrefecer.


terça-feira, 15 de maio de 2012

Em recuperação...

Quando pensei em escrever sobre a Esperança, vieram-me logo à cabeça algumas frases típicas: A esperança é a última a morrer, Enquanto há vida, há esperança, Tenha esperança, porque que tudo vai melhorar...e por aí adiante! Assim, a mulher tem a esperança que o crápula do marido mude, o homem tem a esperança de que a sua linda mulher nunca envelheça, a mãe vive com a esperança de que o seu filho seja "alguém na vida", o povo tem a esperança que o próximo governante seja melhor e assim vamos vivendo, sempre esperançados...
Já deve ter dado para perceber, nestas poucas linhas, que me sinto um pouco desconfortável com esse sentimento. Na verdade sou esperanço-dependente, vulgo sonhadora. Sempre que me apercebo que passei um certo(bastante) tempo a esperar que alguém ou uma situação se transforme naquele quadro-absolutamente-lindo montado na minha cabeça e quando "caio na real" sinto-me enganada(na verdade sinto-me mesmo é p..da vida!). Este tempo que passei com a "esperança de..." sinto-o como um hiato, um desperdício, e depois fico com aquele sensação de vazio, de pura perda... É um sentimento parecido(para pior) com o que quase todos nós vivemos na antecipação de uma festa na adolescência, vibramos com os preparativos, com a roupa, pensamos se "ele" estará lá... e depois chega na hora, tudo fica banal, a realidade nunca chega aos pés da imaginação, pura decepção!
A minha definição:
A esperança é a droga vendida pelo traficante chamado Ilusão e o preço que pagamos é o Tempo, a nossa moeda mais preciosa! Começamos a ver os factos distorcidos, à espera do que já não vem, e quando falta a dose, embrulhadinha em papel de prata, a realidade é uma ressaca terrível de enfrentar!

Peguei pesado, OK! É fofinho ser sonhadora, é lindinho ver florzinhas e estrelinhas brilhantes em tudo, e depois? Será que não existe beleza na realidade? Claro que sim! 
E uma certa dose de droga também é necessária, o que mata, também pode curar!
Cheguei à conclusão, que é preciso ser também minimalista até com a Esperança! Destralhar expectativas, ser poupada nos limites, aceitar a realidade, valorizar o que já temos, deixar de querer fazer tudo e mudar o Mundo, ou seja consumir Esperança com parcimónia, apenas em casos necessários, em pequenas doses homeopáticas, guarda-la para as ocasiões especiais, quando tudo está mesmo perdido e quando só nos resta a luz ao fundo do túnel. É para isso que quero a Esperança, hei-de de aprender a viver assim...afinal não quero acabar com uma overdose!

E desculpem pelas amargas palavras, mas encontro-me num desses momentos de ressaca esperançal :\

Também hei de aprender a comer apenas um quadradinho de chocolate negro de cada vez, uma dose diária, e enquanto esse tempo não chega...e porque não dá para melhorar tudo de uma só vez, deixo-vos com uma receita para levantar o moral, sempre na esperança que não deixem de cá vir, apesar do mau humor da anfitriã...

Bolo de chocolate
para fazer num instante e comer sofregamente
Ingredientes:
4 ovos biológicos
2 colheres(sopa) de manteiga(usei de soja)
1 chávena(chá) de açúcar amarelo(não fica muito doce)
1 chávena(chá) de cacau em pó(do bom!)
1 banana em pedaços
1 chávena(chá) de aveia em flocos
1 chávena(chá) de leite de amêndoa(ou outro leite vegetal)
3 chávenas(chá) de farinha de trigo
1 colher(sopa) de fermento em pó
Manteiga e farinha de trigo para untar
Preparação:
Bater no liquidificador ou com uma varinha mágica: ovos, manteiga, açúcar, cacau, banana, aveia e leite. Retirar do liquidificador, acrescentar a farinha e mexer até obter um creme homogéneo. Adcionar o fermento e mexer delicadamente. Transferir para uma forma de chaminé untada e enfarinhada. Cozer em forno pré-aquecido a 170ºC por cerca de 30 a 40 minutos( usar o palito para verificar).

E com esta visão meio estranha da Esperança, participo, na Blogagem Colectiva Amor aos Pedaços.
Confira aqui outras participações.



terça-feira, 8 de maio de 2012

Crise...de juízo!


Mais um dia 7 chegou e com ele a Teia Ambiental, que é preciso tecer com palavras para que os fios não se quebrem e se espalhem pelos 4 cantos do nosso lindo(por enquanto!) Planeta. Hoje não me apetece especialmente escrever, mas a Teia não merece o meu desânimo, mas sim a minha participação ativa e o dia está quase a terminar...

Por mais que eu tente que os comportamentos negativos não me afetem diretamente, às vezes é muito difícil que isso não aconteça, atualmente sinto-me envolvida numa nuvem de gás venenoso e às vezes sinto que a reserva de ar da máscara de oxigénio encontra-se quase no final…Sei que isto é uma metáfora exagerada, e a minha reserva de bons fluidos muita vez se renova, em parte devido à vossa preciosa amizade…mas é preciso muito jogo de cintura para viver no meio do caos.
Há tempos atrás fiz uma formação acerca do Novo Acordo Ortográfico e a formadora focou a mudança da língua ao longo dos tempos e como a estabilidade ou a crise económica a afetavam. Em momentos de crise económica a linguagem também poderá sofrer um retrocesso… Na altura fiquei surpreendida com esta informação e não deixei de refletir e observar, infelizmente, a verdade dessa afirmação...E não é só a linguagem que sofre com a crise, esta é mais uma consequência do comportamento das pessoas. Sinto que valores como a responsabilidade, o civismo, a solidariedade, as boas maneiras, a diginidade estão a ser postos na prateleira ou escondidos em alguma gaveta. Eu entenderia isto, se estivéssemos diante de uma falta extrema de alimentos ou água, e que a própria vida humana estivesse em risco, nestas alturas o desespero poderá fazer com que a maioria haja por instinto. Mas não é o caso! É certo que há pessoas em sérias dificuldades, mas estas, muito provavelmente, nem conseguem se exprimir, se é a agressividade e o egoísmo latente que imperam, e os mais fracos, física e psicologicamente não tem vez neste jogo! 

Factos como os que aconteceram no passado 01 de Maio, no que parecia ser uma simples promoção de um hipermercado(ao consumir mais de 100€, a pessoa tinha um desconto imediato de 50%), que foi pouco publicitada, mas que se transformou num verdadeiro ataque às prateleiras, qual fosse haver uma guerra nuclear! O consumismo levado ao extremo! Fiquei perplexa! É claro que ao expor minha opinião, muita gente a contrariou dizendo que a necessidade faz desses comportamentos e achavam muito bem! No meio desta confusão, acredito que algumas pessoas talvez tivessem aproveitado a ocasião para ajuizadamente compor a sua despensa, mas acredito que deve ter sido pouca gente! Ouvi pessoas comentarem(aliás não se falou outra coisa por dias seguidos, até no Parlamento...) que gastaram 800€, pagando no final 400€, para um casal apenas... Eu concluí, esta quantidade de compras, para mim, uma enormidade e feita num dia como esse só pode resultar num impulso, e com certeza essas pessoas trouxeram coisas de que não precisavam e muitos ficaram sem nada! Observo os velhinhos que moram aqui perto e que se deslocam a pé para as compras, nas pequenas mercearias existentes aqui perto e posso quase garantir que nenhum deles lá foi e se calhar as suas reformas(aposentadorias) são bem pequenas e até seria bom para eles... 
Factos desses, que em primeira impressão fazem-me pensar na falta de educação e solidariedade, levam-me a pensar também nos danos causados ao meio ambiente. O consumo desenfreado e embalado dos hipermercados leva a uma produção de lixo enorme. As grandes superfícies escravizam os produtores, que têm de produzir em larga escala, produtos calibrados e a baixo custo, mas que preços altos são pagos pelos solos e cursos d'água poluídos e desequilíbrios ambientais. Os pequenos comerciantes não tem a mínima chance nesta selvagem concorrência e mais pobreza é gerada! As pessoas, pensam que estão ricas e poderosas ao encherem um carrinho de compras, quando na verdade estão a ficar mais pobres de saúde ao consumirem produtos processados, enlatados e embalados, ao passarem por situações de stress e raiva em vez de aproveitarem um dia de feriado para conviverem com a família... Mas na sociedade atual o imediatismo, o "de caras" é que impera, não há tempo para pensar! Pensar?!Qual o que!Isso é para os tolos!Há que aproveitar!!

Fiquei deprimida, ao saber destes comportamentos, ao ouvir dias a fio as mesmas conversas em torno do mesmo e pior ainda fiquei quando soube que numa freguesia aqui perto houve uma tourada! Este concelho nunca teve destas tradições e porque agora, deu na cabeça de alguns, realizar um espetáculo de natureza tão degradante e torturante para os animais e que incita à violência e maus comportamentos? 
As pessoas estarão a ficar malucas? Será a crise económica culpada de tudo? Ou será a crise de valores, essa que fica encoberta quando há dinheiro à fartazana para disfarçar?

Peço desculpas, a quem teve a santa paciência de ler estas palavras, pelo tom irónico e enérgico das mesmas. Mas eu tive que desabafar senão estes sentimentos acabavam por me envenenar!
Sei que as pessoas que habitualmente vem por aqui são do bem e devem ter ficado tão chocadas quanto eu! Mas senti o dever, não o prazer, de escrever sobre isto, porque há que falar e não calar, não deixar que a violência e a prepotência se instalem, porque assim, corremos o sério risco de perder a liberdade!

Felizmente, nem tudo é horrível, no meio das areias movediças pode nascer uma flor! Já escrevi antes por aqui a minha forma de consumir e continuo a achar que vale a pena. Este fim de semana queria tirar algumas fotos para mostrar o mercado semanal onde compro as frutas, alguns legumes e grãos, mas o tempo não permitiu, mas não faltarão oportunidades! No entanto descrevo, uma dessas idas, para vocês terem uma ideia:
Sábado de manhã, enquanto a filhota está ocupada numa das atividades, aproveito o tempo para tomar um café breve e dirijo-me a pé, sapatos confortáveis e bolsa ao tiracolo para a praça próxima. Faça chuva ou sol, o movimento é sempre o mesmo, não há desistentes! Não há cara feia para a chuva, coloca-se um impermeável, saca-se do guarda-chuva que é para isso que eles servem! Na banca da fruta acolhe-me a mesma sra de sempre, com um sorriso e um bom dia genuínos a chamar de meu amor a todas nós. Há um tratamento especial para uma velhinha mais frágil...De vez em quando há confusão nos sacos, traz-se um pimento a mais, um saco de peras enganado, mas só nos trazem motivos para rir! Depois é passar no sr que vende azeitonas e tremoços, mais tímido, mas com um sorriso discreto no rosto. Tudo é colorido, há vagar para conversas, para saber das vidas...Não se ouvem gritos nem desaforos. Uma hora, que chega e sobra, para encher dois sacos de saúde, respirar ar puro e fazer uma boa caminhada...
Será que é preciso muito mais para ser rica? É que acho que já sou...

Até as ervas daninhas me fazem feliz e são grátis, querem maior promoção do que esta?