domingo, 15 de abril de 2012

Tinha tudo para dar certo...


Estava com 5 claras no frigorífico à espera de serem gastas. Resolvi aproveitar para fazer um bolo, mas não um qualquer, um inventado por mim!(Havia uma jovem à espera do amor…para sair das garras de um pai austero há que aproveitar a existência do grupo de jovens da Igreja para expandir amizades e poder sair com gente de sua idade). Retirei as claras do frigorífico e deixa-as repousar por 30 minutos para que ficassem à temperatura ambiente. Coloquei-as na taça da batedeira junto com uma pitada de sal.(O ambiente do grupo era saudável, alegre e leve. E estava sempre a entrar gente nova…numa das reuniões apareceu um rapaz moreno, magro e de olhos escuros que se fixaram com insistência naquela jovem desde o primeiro instante…). Liguei a batedeira e as claras começaram primeiro a espumar. Quando ficaram firmes e brancas como a neve, resolvi juntar-lhes 5 colheres de sopa de açúcar amarelo, tive receio, será que irão permanecer firmes? Não seria melhor juntar açúcar refinado? Mas eu queria algo mais natural… Juntei, então, com calma, 1 colher de cada vez e a mistura continuou homogénea, firme, de cor bege claro.(Ao longo do tempo os olhares foram sendo correspondidos, começaram as conversas…os amigos dele notaram o interesse…e as amigas dela também…e naturalmente o namoro começou. Para a jovem, até aquele momento os amores tinham sido platónicos, não correspondidos, ora pelo objeto de sua afeição, ora era ela o objeto que não correspondia à afeição de outro. Foi a primeira vez que houve encontro de interesses, e isto era uma grande novidade!). Até agora estava a correr tudo bem, mas o bolo precisava de substância, então acrescentei, também aos poucos, sem pressa, 5 colheres de sopa de amêndoa moída, uma de cada vez e a massa continuou uniforme, com uma textura maravilhosa. Desliguei a batedeira e adicionei 1 colher de sobremesa de fermento em pó, misturando levemente com uma vara de arames.(Era um namoro doce, alimentado pelo romantismo da juventude, por ramos de flores, por prendas no dia dos namorados, pelo grupo de amigos e festas de garagem, tudo muito sereno, que a liberdade não era muita…). Untei uma forma de chaminé com óleo em spray e polvilhei-a de farinha de trigo. Verti com cuidado a massa e coloquei o bolo no forno pré aquecido a 170ºC. Nesta hora hesitei, deixo o forno quente ou diminuo a temperatura? Ia observando, ansiosa, pela janela do forno, a evolução do bolo e vi, com alegria que ele estava a crescer! (Muitos dos encontros aconteciam no autocarro, ele ia para o trabalho e ela para a faculdade, havia entrado para o 1º ano, outra novidade que surgiu em sua vida e tudo corria muito bem!) O bolo ia crescendo, mas algumas dúvidas surgiram, tenho que verificar se já está cozido, será que ao abrir a porta do forno, murchará? Se eu deixar tempo demais não ficará seco? Então, abri, de-va-ga-ri-nho o forno e espetei rapidamente um palito e ainda saiu massa agarrada, fechei a porta e aparentemente o bolo continuou lindamente a crescer. Distraí-me uns momentos, e quando olhei pelo vidro, vi o desastre! O bolo murchou! (Aparentemente tudo corria bem, mas era só aparência…A vida dela era um corrupio e começaram os exames, os fins de semana de estudo, não havia tanto tempo para os encontros românticos. Para ele a vida era a mesma rotina de sempre e o pequeno monstro dos ciúmes foi crescendo em seu coração, foi tomando forma. A doçura transformando-se em amargura. Até que ele lhe fez um ultimato: Ela tinha que escolher - ou ele, ou os estudos, senão estava tudo acabado! O coração dela ficou pequeno, o DESENCANTO tomou conta do seu ser, pensou no pai austero e no que a sua vida iria futuramente se transformar, outra pessoa a tolher-lhe a liberdade seria impossível tolerar! E tudo acabou! Refletiu que amor é aquilo que constrói, é a mistura de dois seres que crescem juntos, embora as contrariedades, não aquilo que está dentro de uma gaiola, alimentado com mimo, mas preso! Jurou, que nunca mais procuraria o amor, que se a sua alma gémea existisse, algum dia o acaso as juntaria, nem que para isso tivesse que VOAR PARA LONGE!) 


Fiquei chateada! Tanto tempo a vigiar, tanto cuidado na confecção e o raio do bolo murcha! Então ri-me e pensei: não tenho mesmo jeito para receitas muito temperamentais, demoradas, detalhadas, que prendam demais a minha atenção. O que eu gosto mesmo é de uma boa receita sem frescuras, daquelas que resultam numa massa consistente, que mesmo que haja um pequeno engano, que eu abra a porta do forno antes da hora, o bolo cresce na mesma! 

E o mesmo acontece com o amor verdadeiro, cresce, mesmo com as contrariedades da vida!

Se alguém quiser experimentar esta receita, agradeço que me contem o resultado ou se acham que faltou alguma coisa para que desse certo. Para quem ficou meio desiludido e quiser tentar uma receita sem frescuras, aqui no blogue, na etiqueta Bolos tem várias!

E com este meu DESENCANTO culinário participo na Blogagem Coletiva Amor aos Pedaços.
Confira aqui outras participações.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Acordar as sementes

As sementes estavam guardadas, frias e aparentemente sem vida. Eram lindas bolinhas verdes, que fizeram os meus pensamentos voltarem à infância, quando aprendi as operações matemáticas a contar feijões. As minhas mãos remexeram aqueles grãos e o barulho das sementes no vidro transmitiram-me a sensação de conforto da fartura e fizeram-me recordar tempos em outra terra onde sempre havia em cima da banca uma grande vasilha de vidro com feijões a demolharem. 
A água, fonte da vida, acordou o potencial da semente, revolucionou a sua quietude, transformou a morte em planta. Mais uma vez fui transportada aos meus tempos de escola, onde os feijões transformaram-se em plantas em cima de algodão, alimentados pela água, pelo sol que entrava pela janela da sala de aula e pela ansiedade das crianças.
A quantidade de lembranças que estas sementes trouxeram! 
O Homem foi à Lua mas não é capaz de criar este milagre singelo, o simples germinar de uma semente!
Podemos não criar a semente, mas proporcionar o seu desenvolvimento sim! Transmitir conhecimentos é plantar sementes, estar presentes e participar é regar para que a planta não morra, mas cresça e dê frutos. 

É assim que sinto este blogue, como sementes que lancei, caíram em terreno fértil e floresceram na vossa amizade. Quero alimentá-lo com os conhecimentos que puder e estar presente para colher estes maravilhosos frutos.

Salteado de rebentos de feijão mung caseiros

Para fazer este maravilhosa porção explosiva de energia da criação, temos primeiramente de propiciar a germinação dos feijões, que é algo muito simples, mas são necessários cerca de 3 ou 4 dias. Vale a pena a espera, pois os rebentos enlatados não têm o sabor e a textura dos frescos. E comprar rebentos frescos prontos dá um pouco de medo depois das mortes ocorridas aqui na Europa por ingestão de rebentos contaminados pela bactéria E.Coli. Além do mais ao fazer os nossos próprios germinados calculamos a quantidade certa a utilizar evitando desperdícios, sem falar no prazer que dá ver as sementinhas desenvolverem-se. Sei que existem utensílios próprios para o efeito, mas com materiais baratos que temos em casa é possível fazer a operação. São necessários:
1 frasco de vidro
1 pedaço de tule(aquele tecido dos véus de noiva) que cubra a boca do frasco, com alguma folga
1 elástico(daqueles de escritório)
1 escorredor (pode ser daqueles de escorrer legumes)
1 pano de louça
1 prato(para apoiar o escorredor)
A origem dos grãos é importante, convém que sejam biológicos (orgânicos) e em bom estado, rejeitando-se os grãos partidos e danificados. O tempo que demora a germinação depende de cada espécie.
Então faz-se assim:
Escolher uma pequena quantidade de feijão mung ou outro pequenino à escolha (de 1 a  3 colheres de sopa). Eu utilizei 3 colheres.
Lave os grãos, escorra-os e coloque-os dentro do frasco. Cubra com água limpa e deixe de molho por 8 a 12 horas(durante a noite, por exemplo).
Cubra o frasco com o tule e prenda com o elástico. Verta o vidro e despeje a água. Enxagúe bem sob a torneira.
Coloque o vidro inclinado e emborcado dentro do escorredor, sobre um prato, em lugar sombreado e fresco. Eu deixei num canto da bancada coberto com um pano.
Enxaguar pela manhã e à noite. Em dias quentes repetir esta operação mais vezes.
No último dia deixar o frasco à luz natural durante a tarde para que os rebentos se desenvolvam mais.
Ao 3º dia
Enxaguar e utilizar.

Poderia ter deixado mais alguns dias para que os rebentos ficassem maiores mas é necessário muito cuidado no manuseamento para evitar a proliferação de fungos e bactérias, e como foi a primeira vez que fiz resolvi não arriscar...

Agora(e finalmente!) a receita, que é muito simples:
Ingredientes - para 2 pessoas
3 colheres(sopa) de feijão mung germinados
1 cenoura cortada em palitos finos
1 cebola pequena cortada em meias luas finas
3 folhas de acelga(ou couve) cortada em juliana
1 punhado de castanha do maranhão(ou amêndoa) em pedacinhos
1 punhado de sultanas ou passas
Azeite, sal e pimenta q.b.
Preparação:
Colocar ao lume uma frigideira anti aderente e regar com um fio de azeite. Juntar a cebola e a cenoura. Deixe murchar. Junte o feijão mung e a acelga. Tempere de sal e pimenta. Salteie por 2 a 3 minutos. Transfira para o prato de servir e salpique as castanhas e as passas. Acompanhar com arroz ou massa integral.

Mais alguma informação adicional:
"Ao germinar, alguns nutrientes daquela semente, seja de um cereal (trigo, cevada ou aveia), das leguminosas (feijões) ou oleaginosa (linhaça, girassol, etc.) multiplicam-se. É o caso da vitamina C, que é praticamente inexistente no grão de trigo, mas que, uma vez germinado, aumenta seiscentos por cento o seu teor.
O processo de germinação torna os nutrientes mais digeríveis, causando menos gases do que os grãos que lhe deram origem.
Os germinados são pobres em calorias, mas contêm quantidades apreciáveis de vitaminas A e C, vitaminas do complexo B, vitamina E, algum ferro, além de muitas enzimas e proteínas.
Podem ser germinadas sementes de linhaça, gergelim, girassol, alfafa, trigo, feijão de soja, lentilhas, entre muitos outros cereais, leguminosas e sementes.
As sementes de cereais germinam em 2 - 3 dias, os feijões e as lentilhas demoram 5 - 6 dias. Nessa altura podem ser consumidos.
Depois das etapas de germinação, há que se considerar as condições para o crescimento dos germinados até 5 – 10 cm, de altura, quando então podem ser colhidos os brotos.
Para tal produção, as condições de higiene e manuseio precisam ser muito rigorosas para evitar a proliferação de fungos e bactérias.
Os germinados e brotos servem para as mais diversas preparações culinárias. Podem ser consumidos crus, em sucos, saladas e sanduíches, misturados com outros legumes, amornados “al dente”, adicionados a molhos e de outras formas que a criatividade te levar." Fonte Doce Limão

sábado, 7 de abril de 2012

Casamento ecológico na Teia Ambiental

Este ano faço 10 anos de casada e como a minha lenda encantada ainda anda no ar, resolvi nesta participação da Teia Ambiental falar um pouco acerca da festa de casamento no âmbito do seu impacto causado no meio ambiente.
Na altura em que anunciamos à família que queríamos dar este passo e que pretendíamos uma cerimónia simples, casamento civil com uma pequena festa íntima, em casa, meu pai quase ia tendo um ataque! A sua única filha não iria casar como manda o figurino, com um véu quilométrico e uma igreja cheia de gente?!? Ficou triste como a noite...Para o contentar passei de uma reunião simples para uma festa de 200 convidados! Se eu tivesse feito o casamento que queria, reunindo cerca de 50 pessoas teria poupado cerca de 4000kg de emissões de CO2 para a atmosfera naquele dia! É claro que naquela altura eu não tive noção disso, embora intuitivamente algumas das minhas ações contribuíssem para que minha festa de casamento fosse um pouco menos danosa ao ambiente:
- A cerimónia religiosa do casamento e a festa foram realizadas no mesmo local, na Quinta da Costeira, poupando assim, as deslocações, normalmente de automóvel, entre a Igreja e o local da festa(e consequentemente a diminuição das emissões de CO2 para a atmosfera, bem como a eliminação da poluição sonora causada pelas businadelas da praxe).
- O horário da festa foi maioritariamente diurno, evitando-se assim, maior gasto com energia elétrica na iluminação e como o local é lindo, encantador e tem muita vegetação as pessoas acabaram por passear e ter bastante contato com a natureza.
- O tema da festa eram árvores e suas folhas, cada mesa de convidados tinha o nome de uma árvore(pinheiro, cedro, choupo, etc), o cartaz com os grupos de convidados foi elaborado por mim, totalmente decorado com folhas secas naturais.
- Também fui eu, com ajuda de minha mãe e do "noivo" que fizemos os convites(levavam papel reciclado e papel vegetal trabalhado à mão), as ementas(decoradas com flores secas), os marcadores de mesa(eram molhinhos de paus de canela atados e decorados com uma folha de papel com o nome do convidado), as prendinhas para os convidados(caixinhas de papel decoradas recheadas com sabonetes de glicerina feitos por nós), o livro de presenças(também em papel reciclado). A almofada das alianças(foto acima), com as nossas iniciais também foi bordada por mim.
- O vestido de noiva foi confeccionado pela minha sogra que é modista especialista neste tipo de vestidos(que sorte!). O fato do noivo foi comprado aqui perto. A roupa do menino das alianças(meu afilhado querido) foi feita por uma amiga minha, modista, que mora também perto de casa dos meus pais.
- O florista também foi um comerciante das redondezas e a capela foi enfeitada à meias com a noiva do dia anterior. O grupo coral foi o da freguesia, que canta habitualmente na Igreja local.
Embora estas medidas tenham gerado algum trabalho para nós, sei que foram mais suaves para o ambiente do que se eu tivesse me deslocado para longe para comprar tudo pronto, assim usei todos os meios locais ao meu alcance além da maior parte dos materiais serem de origem natural, como sempre gostei. No entanto se fosse hoje mais algumas medidas poderiam ser tomadas para que o casamento fosse ainda mais ecológico, vejam essas que encontrei aqui:

Convites
Optar por convites em papel reciclável, ou em materiais alternativos que não sejam prejudiciais ao meio ambiente, como o bambu. Existe papéis reciclados muito bonitos, que farão toda a diferença. Optar por fazer convites em cartões de associações como a UNICEF.
Na maioria dos casos é necessário colocar bastante informação adicional nos convites, como mapas ou informações locais. Uma opção viável será optar por um site de casamento na internet, onde se providencia toda a informação extra aos  convidados, sem ter de gastar papel. Imprimir o endereço do site de casamento nos convites colocando “Não se esqueçam de visitar o nosso cantinho em: www.josemaria.pt”

Catering
Ao seleccionar o  serviço de catering, optar por um que seja especializado em ingredientes orgânicos.

Bolo de casamento
Optar por um pasteleiro que faça um bolo orgânico, natural e com ingredientes oriundos do comércio livre(ou faça ou peça a um familiar que confeccione o bolo!). Não se esquecer de servir café também de comércio livre!

Lembranças de casamento
Oferecer “coisas que crescem”, como bolbos de flores envasados como os jacintos, ou tulipas; sementes de flores, ou de ervas aromáticas. Presentear os convidados com saquinhos de chá orgânico, acompanhados de alguns biscoitos de canela feitos pela padaria local(ou pela própria noiva ou familiar), personalizando os invólucros de papel reciclado, com o nome dos noivos. Pode também oferecer-se pequenos frascos de compota ou mel biológico oriundos de fornecedores locais. Fazer donativos a uma instituição de caridade, a um museu, ou até a um parque natural em nome dos convidados, pedindo à instituição que em troca assine cartões pessoais de donativos, também é uma ótima opção. 

Maquilhagem
Utilizar produtos cosméticos com ingredientes naturais e não testados em animais.

Celebrar a natureza
Plantar uma árvore! No dia do casamento, ou quando voltarem da lua-de-mel o casal poderá plantar uma árvore no quintal, no do vizinho, ou até na casa de campo. Com esta atitude, não só estarão a ajudar o meio ambiente, como terão a natureza a celebrar com eles todos os anos o aniversário. Quem sabe um dia não aproveitam essa árvore para fazerem um baloiço para os filhos?Acho que ainda vou a tempo, quando fizer aniversário de casamento vou plantar uma árvore para celebrar!

Jóias 
Ao escolher anéis de noivado ou alianças de casamento, certificar-se que não são usados na sua composição “diamantes de sangue” (diamantes cujo comércio gera lucros para guerras). Optar por diamantes sintéticos é uma boa maneira de evitar adquirir “diamantes de sangue”. Optar por joalharia reciclada, significa que o ouro já foi derretido e aproveitado para fazer uma nova peça, este ouro tem a mesma qualidade do ouro que nunca foi derretido. Muitas minas de ouro são devastadoras para o meio ambiente, ou responsáveis por grandes conflitos económicos e sociais. Saibam que são necessárias 30 toneladas de pedra para fazer uma aliança de casamento. Incrível não é?

Fontes
Livro: A Fórmula do Ambiente, de Alex Shimo-Barry

E para relembrar a sobremesa da festa, que foi gelado de baunilha com frutos vermelhos, até hoje gabada por muitos convidados gulosos, deixo-vos com esta Delícia de frutos vermelhos já publicada aqui.

Este texto é a minha participação na Teia Ambiental de Abril de 2012. Esta blogagem coletiva organizada pela Flora e Gilberto, acontece todos os dias 7 de cada mês desde 2010. Participe você também, o ambiente agradece!

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Queijo de macadâmias, da Rute

Com oregãos secos
Assim que vi esta receita no blogue da Rute, fiquei com vontade de fazê-la rapidamente, mas não foi fácil encontrar as nozes de macadâmia, pois a grande superfície comercial mais próxima estava fechada para obras. No último sábado enfrentei uma multidão no primeiro fim de semana de abertura da superfície renovada( e logo eu que detesto confusão!) e consegui comprar um pacotinho das ditas nozes! Valeu a pena o sacrifício para fazer esta delícia de sabor delicado que se aproxima ao queijo tradicional mais suave. A execução é muito simples, análoga ao "queijo" de tremoço, já publicado aqui.

Como qualquer alimento de origem vegetal, a noz de macadâmia é isenta de colesterol. Contêm antioxidantes, os quais possuem propriedade rejuvenescedora. Por ser rica em gorduras monoinsaturadas, quando consumidas com frequência (duas ou mais vezes por semana), reduz o risco de doenças cardíacas, diminui o colesterol total e o ruim (LDL) e ainda, o triglicérideos. 

Saboroso, saudável e isento de qualquer forma de sofrimento e exploração animal! 
Querem melhores motivos para consumirem, sem culpas, este queijinho?

Vamos lá fazer! Então corre clica aqui no Publicar para Partilhar, da Rute, que a receita está muito bem explicada. Eu segui-a à risca e resultaram dois lindos queijos que tiveram a honra de irem parar à minha queijeira, que estava abandonada num canto do armário da cozinha.
Com pimenta preta moída na hora

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Arroz Alternativo da Vovó


Assim como para a Mané, o arroz é um ingrediente que tem um significado festivo para mim. Os meus domingos de infância, em São Paulo, Brasil, eram sempre uma festa:
Acordávamos cedo, não tão cedo como durante a semana, mas ainda assim cedo. Vestia-mo-nos e íamos à missa da Igreja do Sagrado Coração. Eu, meus pais e meus dois irmãos. Ficávamos ao fundo da igreja, porque dizia o meu pai que não queria passar vergonha, já que éramos 3 crianças com idades muito próximas. Os adultos ficavam em pé e nós, quando podíamos, sentávamos no genuflexório do altar da Nossa Senhora de Aparecida. Bem, talvez o meu pai tivesse um pouco de razão, dado que algumas vezes aconteciam coisas estranhas, tipo: o meu irmão mais novo levar um balão(bexiga), enche-lo e esvazia-lo com aquele barulho característico no meio da homilia...
Acabada a missa, era chegada a ansiada hora do pacotinho de pipocas, um para cada criança, que eram religiosamente comprados pelo meu pai ao mesmo senhor pipoqueiro e vinham com o mesmo aviso de sempre: Não sujem o carro!
Após isso lá íamos à feira do bairro, que acontecia sempre aos domingos, comprar legumes, verduras e frutas para a semana toda. Após chegarmos em casa e minha mãe guardar tudo púnhamo-nos a andar com destino à da casa de minha avó, que ficava em outra cidade(São Bernardo do Campo).
Era um percurso demorado, cerca de 1 hora, que para nós era uma eternidade. Pelo caminho, nós crianças, íamos atrás brigando brincando uns com os outros. Quando finalmente chegávamos, era uma festa! A casa da minha avó tinha tudo o que uma criança poderia desejar, um cão(cadela, a Suzy, que me detestava!), passarinhos, um cágado(a Huguinha, que ainda existe!), rebuçados, montes de gente(ainda tinha 1 tio e 2 tias solteiros ), vários livros de banda desenhada(o meu tio era e ainda é viciado), vizinhança boa, sossego na rua para poder brincar, e o mais importante: a minha querida avozinha, que era um doce de pessoa, tinha sempre uma surpresa para mim(um vestido para a boneca, um pequeno peluche...). Mas sobretudo o que eu mais gostava era de andar atrás dela, sentir o quanto gostávamos uma da outra(era por isso que a cadela me detestava, tinha ciúmes...).
Nestes dias, os almoços eram alegres e barulhentos, com no mínimo 10 pessoas à mesa. A minha avó fazia sempre uma grande travessa de arroz de forno, que para mim ainda é o melhor de sempre. A receita foi alguma vizinha que lhe passou, e ainda me lembro do pedaço de papel com a letra dela escrito... O nome do prato era arroz brasileiro, vá se lá saber porque, afinal os ingredientes existem em muitas partes do mundo!
É uma receita muito fácil e económica, e mesmo quem não tem muito jeito para cozinha(não era o caso de minha avó!)é capaz de confeccionar este arroz e fazer um figurão num almoço de família! Já fiz as mais variadas versões. A primeira que publiquei, é a versão original, não vegetariana. A segunda versão, vegana, publiquei-a aqui no seguimento da participação da 6ª fase da BCFV, a Melhor Idade, onde falo um pouco sobre a história da minha avó, que é uma das pessoas mais importantes de minha vida. O título desta publicação define bem o que ela era, um anjo, uma doce mulher, mas com coragem de leoa.

Esta versão de hoje, uma das muitas que já fiz, batizei-a de Arroz Alternativo da Vovó, porque levou dois ingredientes especiais, feijão Mung e sementes de chia. Sinta-se à vontade para fazer a sua própria versão, garanto que não se arrependerá!

E será com esta receita de arroz, para mim, muito especial, que junto-me à festa de comemoração do 1º aniversário do blogue da Mané, o Bolo da tia Rosa. Uma delícia de cozinha, onde dá vontade mesmo de entrar, sentar e tomar uma chávena de chá, prosear um pouco, e saborear uma fatia do fantástico bolo da tia Rosa e não só... porque coisas deliciosas lá não faltam!

Ingredientes (para 2 pessoas)
1/2 chávena(chá) de arroz lavado
1/2 chávena(chá) de feijão Mung (ou ervilhas congeladas)
1 colher(sopa) de sementes de chia
4 azeitonas descaroçadas e picadas
1 tomate pequeno sem casca e cortado aos pedaços
1/2 cenoura cortada aos cubinhos
2 colheres (sopa) de queijo parmesão vegan(receita aqui)
salsa, oregãos e cebolinho, tudo fresco e picado
sal e pimenta a gosto
1 colher(sopa) de azeite extra virgem
2 chávenas(chá) de água a ferver
Preparação:
Misturar todos os ingredientes numa travessa de ir ao forno(deixar alguma folga porque o arroz e feijão crescem ao cozer). Levar ao forno médio(cerca de 170ºC) por cerca de 40 minutos a 1 hora. Nesta versão, no início da cozedura convém mexer, pois alguns grãos de feijão Mung poderão ficar à superfície e não cozerem devidamente. Acompanhado com salada ou verdura cozida, no meu caso hoje foram grelos de nabo, é uma refeição completa. 
O arroz fica com uma camada crocante de legumes por cima e soltinho por dentro, uma delícia!

terça-feira, 27 de março de 2012

Regueifa doce da Páscoa, receita da Bela


A regueifa doce é uma das iguarias típicas desta região presentes na mesa de Páscoa. Tem a simplicidade dos sabores tradicionais, dos tempos em que o açúcar só estava presente na mesa em dias de festa. Cada família tinha a sua receita exclusiva, que passava de mãe para filha. Depois de quase duas décadas a olhar para o Castelo, da minha janela, acho que já me posso considerar feirense… então este doce não poderia faltar em minha mesa. 

A vista da minha janela. Linda, não acham?
Já contei aqui as peripécias da primeira vez que tentei fazer regueifa, ou melhor pedreifa, pois ficou dura como uma pedra! A cozinha também tem os seus desencantos...No entanto estas desilusões são águas passadas e com esta receita o resultado final é garantido! É de uma amiga especial, a Bela, minha primeira seguidora, autora de um blogue fantástico, o Pratos da Bela, recheado de delícias e que foi uma das fontes de inspiração para começar este meu cantinho que tantas alegrias me tem trazido. Já conheci a Bela e o seu principezinho Lucas pessoalmente e pude comprovar, que além de talentosa na cozinha e mãe carinhosa, é daquelas pessoas únicas e sinceras, que queremos ter como amigas. 
Fiz umas pequenas alterações à receita original, para retirar os lacticínios, e misturei outra receita que também me foi dada pela esposa de um colega de trabalho, a São, também ela novata nestas andanças da regueifa, mas que pude comprovar que já vai em bom caminho! Agradeço muito, Sr. Joaquim e São a receita de família, tradicional que me enviaram (e a regueifa deliciosa!). 

Já verifiquei também que a Lurdes, do blogue Sabores Autênticos, outra feirense mestra na cozinha, também publicou ontem a receita da Bela, portanto, vamos encher a blogosfera de regueifas, quem sabe até alguém além-mar se aventure?

Eu quis fazer um pequeno passo a passo, porque esta receita merece e também para ajudar quem é novato nas lides das massas levedadas, que não sendo difíceis de fazer tem os seus segredos. Eu contei com a minha ajudante, a máquina de fazer pão, mas quem não tiver essa máquina não se acanhe em fazer esta delícia, pois abaixo segue a explicação do modo tradicional.

Agora,  a receita com as alterações que fiz em letra pequena.

Ingredientes: 
140 ml de leite morno(substituí por água)
1 pau de canela
3 ovos batidos + 2 gemas(usei ovos biológicos)
70 grs de margarina amolecida(usei de margarina de soja para cozinha)
1/2 colher (café) de sal
raspa de 1 limão
1 colher(sopa) de sumo de limão
200 grs de açúcar(usei amarelo/demerara)
770 grs de farinha de trigo T55
50 grs de fermento fresco de padeiro(adquirido em padaria)
Use ingredientes frescos e de qualidade
Preparação(Máquina de fazer pão):
1)Ferva por alguns minutos a água com o pau de canela. Meça o conteúdo e acrescente mais água se necessário. Deixe esfriar até o líquido ficar morno. Rejeite o pau de canela e use no lugar do leite.
2)Colocar na cuba da máquina de fazer pão os ingredientes pela ordem acima referida, e programar no AMASSAR- massas levedadas ( Na minha máquina é o nº 6), que demora cerca de 2 horas. Cerca de 10 minutos antes de terminar o programa, ligue o forno em temperatura mínima por uns minutos, até que fique levemente quente, mas não demasiado e desligue. 

3)Findo o programa colocar a massa sobre uma mesa cheia de farinha e fazer 2 rolos (ou 4), depois entrelace-os e faça uma rosca(ou 2). Coloque-as no tabuleiro do forno forrado com papel vegetal, cubra com um pano e coloque no forno, sem ligar, mas que está levemente quente pelo pré aquecimento realizado.
A massa pronta, lisa e homogénea (não cola nas mãos)

Transferir para uma mesa enfarinhada
Dividir em 2 partes, para 1 regueifa grande ou em 4 partes, para 2 regueifas pequenas
Fazer os rolos, esticando a massa
Formar 1 ou 2 roscas
4)Deixa-se levedar pelo menos por 1 hora ou mais, até que a massa dobre de tamanho.
O resultado, depois de aproximadamente 2 horas a levedar
Pincelar com leite(no meu caso leite de arroz)
Pincela-se com um pouco de leite (usei leite de arroz) e vai ao forno pré-aquecido a 200ºC, por 10 minutos(ou menos), passado esses 10 minutos coloca-se sobre a regueifa um bocado de papel alumínio e volta a assar mais alguns minutos até cozer na totalidade (teste do palito). Esta etapa depende do forno de cada pessoa, o ideal é vigiar atentamente pois a temperatura é alta e mais um instante poderá ser fatal! Já fiz por duas vezes e ficaram levemente tostadas, embora por dentro estivessem boas.
Quentinhas, a sair do forno!
Regueifa grande

E este pedaço, com manteiga, o que acham?
Preparação(Tradicional):
1) Idem à preparação anterior.
2) Desfaça o fermento no líquido morno obtido do ponto 1 e misture com 100grs de farinha. Tape e deixe levedar 30 minutos(escolha um local sem correntes de ar, pode ser o forno). Peneire a restante farinha para dentro de uma tigela. Abra uma estanca e junte a massa fermentada e os restantes ingredientes. Amasse bem, utilizando as mãos. Faça uma bola e marque uma cruz com a mão. Tape com um pano e deixe levedar em local quente. Pré aqueça o forno como no ponto 2) da preparação anterior. A massa deve duplicar de tamanho.
3) e 4) Idem à preparação anterior
Nota: Se o tempo estiver quente, não é necessário fazer a levedação da massa no forno.


E então, pronta(o)s para se aventurarem? E se a 1ª tentativa gerar em desencanto, não se incomode continue a tentar. A vida é mesmo assim, feita de sucessos e falhanços, encantos e desencantos, como a colectiva Amor aos Pedaços

A 2ª fase vai rolar no dia 15 de abril, com o tema Desencanto, veja aqui como participar.

quinta-feira, 15 de março de 2012

A lenda encantada do Monte da Corujeira


Século XI
"Antigamente o Monte das Corujeiras eram encostas com giestas, urze, esteva, alecrim, um ou outro castanheiro, carvalho, choupo, salgueiro e, nas encostas mais altas o pinheiro. O povo usava os pinhões, a bolota e a castanha na sua alimentação diária, onde faziam o pão. Do Monte via-se o castelo, onde vivia um alcaide mouro, que ouviu falar de uma donzela cristã muito linda, que vivia num castelo inimigo, em Gaia. Ela era muito bondosa e tudo quanto tinha dava aos pobres, dizia-se em todas estas terras, maravilhas da formosura e bondade daquela donzela, chamada Lia.
O Emir que era o alcaide da Feira, o mouro Ben Iussef, quis conhecer a donzela. Então, disfarçado com uns trajes de pobrezinho tirou as fardas de mouro e foi até Gaia pedir esmola à donzela. Acho-a tão bonita, tão bonita que ele logo ali resolveu raptá-la. E, pela calada da noite, subornou uns criados do castelo que a apanharam, fingindo um rapto. O mouro, armado em homem bom e defensor da donzela, fingiu que lutou para a libertar dos seus raptores, parecendo, aos olhos desta, como um anjo libertador. Com o intuito de “fugir” aos malfeitores, convenceu-a a entrar num barco, onde hoje fica hoje a Afurada, e trouxe-a para o Castelo da Feira. 
Toda esta lenda lembra um romance de cavalaria… e lá viveram os dois muito felizes. Ele era um mouro apaixonado e ela era uma cristã devota, que ia ensinando àquelas pessoas o Cristianismo. O casal amava-se. 
Tudo corria bem, só que o alcaide tinha um irmão invejoso e rancoroso. Começou a inquirir secretamente os seus próximos à revolta contra o alcaide, pois achava mal que o mano vivesse com aquela cristã, que estava aqui a narrar as histórias e as leis de Cristo, o que era sacrilégio para o Corão, então assalta o castelo, mata o alcaide e, quando ia matar a donzela, sentiu-se a fraquejar, porque além de ser mulher, havia, secretamente uma paixão pela cunhada, logo, não conseguiu matá-la. 
Resolveu entregá-la aos soldados, e disse-lhes “Olhem, levem-na daqui, para esses montes e matem-na lá, matem-na e que eu não a torne a ver!”. Os soldados que sabiam o quanto ela era bondosa, não tiveram, também, coragem para a matar e abandonaram-na no Monte da Corujeira, lugar medonho e cheio de animais selvagens, onde ela seria de certeza devorada. A donzela foi-se alimentando de frutos silvestres e das árvores, mas para não saberem quem ela era, com uma pedra afiada, retalhou a cara toda. Toda aquela beleza desapareceu, ficou uma coisa pavorosa. Vestiu-se de negro, e andava por ali à noite, como alma penada. 
Durante o dia, sempre bondosa, recebia numa barraca de cascas e folhas das árvores e arbustos, as pessoas com maleitas. A todos tratava bem. Curava feridas dos viandantes, e dizia coisas proféticas. Começou a ser conhecida como a bruxa do Monte da Corujeira e tudo o que dizia batia certo. Então o mau alcaide, o tal que tinha morto o irmão, que julgava que ela já estava morta, ouviu falar da Bruxa do Monte e também lá foi ouvi-la numa altura de crise, perguntando: “E então a mim o que é que me vai acontecer?” E ela diz-lhe: “Olha! Ainda bem que cá vieste, ainda bem que aqui vieste! Eu tinha uma coisa para te dizer e não sabia como te havia de prevenir, é que esta noite o teu Castelo da Feira vai ser atacado por um exército tão grande, tão grande que tu não tens gente para o defender! E vão-te matar! Os teus inimigos serão imensos... e não escapas da morte esta noite!”. O alcaide pensou “Ah, conversas de bruxa, quem é que vai nisso?!”. E vai para o castelo, mas ele ao ir para o Castelo, a antiga donzela, que agora parecia bruxa, manda juntar todos os amigos, toda a gente conhecida que gostava dela e a quem ela fez bem, pedindo-lhes para a acompanhar nessa noite, juntamente com todas as manadas de bois possíveis e dirigirem-se para o Castelo da Feira. Assim foi...Juntou-os no monte, eram milhares de bois, onde ela mandou colocar archotes nos chifres de cada boi, acesos, e à medida que a noite avançava, dirigiam-se para o castelo. O alcaide ao ver esses montes iluminados, parecem-lhe serem milhares de guerreiros, todos com aqueles fachos. O alcaide diz “a bruxa tinha razão! ora a bruxa disse que eles me iam matar, portanto nada de combates, isto a bruxa tinha razão!” e fugiu, nunca mais ninguém o viu.
A bruxa tranquilamente entra no castelo, deixou de ser bruxa, continuou a ser a doce donzela que ensinou aquela gente a praticar o bem, através da religião cristã e foi dessa maneira, conta a lenda, que a gente da Feira esqueceu o Corão e passou a rezar a Sanctae Maria." Uma das lendas de Santa Maria da Feira. Texto daqui

Século XX - finais da década de 80
Em Terras de Santa Maria, numa tarde outonal de domingo, finalizava mais uma matiné na pequena discoteca de São Vicente, que tinha o pretensioso nome de Rendez Vouz. A nostalgia invadia o meu ser, como sempre acontecia no final do domingo e ainda mais neste, que coroava um fim de semana cheio: tinha acabado de fazer 20 anos, ainda trazia na cabeça o penteado da festa, uma trança embutida que a cabeleireira, em vão, tentou me convencer a gostar. Havia passado a tarde inteira a dançar os ritmos frenéticos, a beber sumo "verde" de laranja com licor e a procurar decifrar a letra dos Xutos, mas só conseguira perceber: “que saudades que eu já tive da minh’alegre casinha tão modesta quanto eu” e desisti.
As últimas músicas tocavam na pista quase vazia, e eu e as amigas estávamos a sair, quando um grupo de rapazes entra, desajustados àquele lugar, com ar meio irónico, quase a zombar da pequenez do espaço, da inocência da matiné domingueira, fazendo de conta que entravam ali por acaso, como por engano... mas era tudo um estratagema, uma encenação de uma das minhas amigas e de um deles para "casualmente" se encontrarem. Eu, só mais tarde me dei conta desta combinação…andava sempre na lua! Mas aterrei rapidamente quando um dos rapazes passou-me a mão pelos cabelos e disse: Que penteado tão bonito! Fiquei furiosa! Primeiro pelo ar zombateiro, segundo porque dava-lhe razão pelo ar zombateiro e terceiro pela audácia em mexer-me no cabelo! Fuzilei-o com o olhar! E muito empertigada, recolhi o cabelo para trás, humpf! Mas…era tarde de mais, no meio da “ira” o meu “radar” feminino já lhe tinha avaliado o perfil alto, as vestes escuras, os lindos olhos... e a sensação de indignação cedeu naturalmente um pouco. Trocamos algumas provocações e ficou tudo por aí. 
Nesse dia, ao viajar no autocarro para o Porto, onde estudava, algo de pouco habitual já havia se instalado em mim, talvez uma seta encantada pelo Cupido já tivesse acertado o meu coração e eu não sabia... Uma parte de mim queria que a semana passasse a correr, que o domingo chegasse depressa, a outra parte tentava convencer a primeira a não dar importância ao sucedido, dentro da minha cabeça ocorria um diálogo, como naqueles desenhos animados em que há a consciência bipartida em duas miniaturas: anjo e diabo, que lutam entre si, tentando convencer a pessoa a agir segundo a sua vontade e passei a semana toda assim, neste duelo interior.
Novo domingo chegou, mais capricho na indumentária, menos no penteado e rumo à disco do costume. E “ele” apareceu, torturantemente quase ao fim da matiné(também tinha duas miniaturas a digladiar-se dentro da cabeça…) e assim foi por muitos domingos, o encantamento crescendo cada vez mais…crescia alimentado por muita conversa, e não só ;), nós não nos calávamos, encostados ao balcão, descobrindo o que cada um pensava, animados pela música. É claro que lhe fiz um pedido muito especial: Por favor decifra-me a música dos Xutos, não percebo uma palavra!!! (aventuras de uma brasuca recém chegada em terras lusas)
Foram tempos lindos, o início de uma história que espero seja eterna como a lenda que vos trouxe, a minha lenda encantada.

Estes tempos são inesquecíveis, esta sensação de encantamento é única, sentimo-nos tão felizes que vemos o mundo com outras cores e as pessoas com outros olhos. O encantamento é uma droga tão inebriante, que não é a toa que muita gente quer viver sempre nesta situação amorosa...
É um estado que gosto de sentir permanentemente em minha vida nos seus  vários setores, o eterno descobrir de novas sensações, o clic que nos faz vibrar: o acordar com um sol brilhante, ir ao Castelo e descobrir um novo ângulo, ganhar um beijo sem esperar, descobrir uma nova padaria com pão delicioso, ir à praça e verificar que os morangos já chegaram, encontrar um novo blogue maravilhoso, acertar na receita e ouvir os "huums" dos outros... São estes pequenos encantamentos que preenchem os meus dias com a alegria da novidade e que tornam tudo mais colorido e vibrante. 

Por isso, um simples, mas grande conselho: nunca feche o seu coração e a sua mente, aprenda a enxergar o lado bom da vida, mesmo nas pequenas coisas, que juntas e somadas, tornam-se grandes. Viva encantado!

A minha mais nova paixão culinária, é a realização de bolos e doces sem a utilização de açúcar refinado ou adoçante artificial. Esta receita é a segunda que sai da minha cozinha, mas outras já andam em preparação…É um novo mundo a descobrir, pleno de sabores sutis e delicados …que me está a encantar!


Bolo de banana e maçã encantado
1 banana madura
6 colheres(sopa) de cenoura ralada
2 ovos biológicos
½ chávena(chá) de óleo
1 colher(sopa) de farinha de alfarroba
½ chávena de frutos secos sem caroço(passas, tâmaras e ameixa)
4 colheres(sopa) de sumo de laranja natural
Bater tudo no liquidificador
Juntar:
1 chávena(chá) de farinha integral
½ chávena(chá) de farinha refinada
1 maçã(com casca) cortada aos cubinhos
1 colher(sopa) de canela em pó
Raspas de 1 laranja
1 colher (sopa) de fermento em pó
A massa não deve ser muito batida, apenas misturar os ingredientes.
Colocar em forma untada e enfarinhada e levar a cozer em forno 170º por cerca de 30 minutos. Fazer o teste do palito para verificar a cozedura.

Nota: Não fica um bolo muito doce, se quiser aumentar a doçura use mais frutos secos ou mais uma banana. E no dia posterior o sabor ainda é melhor! 


Esta publicação faz parte da minha participação na Blogagem Coletiva Amor aos Pedaços.
Confira aqui outras participações.