A regueifa doce é uma das iguarias típicas desta região presentes na mesa de Páscoa. Tem a simplicidade dos sabores tradicionais, dos tempos em que o açúcar só estava presente na mesa em dias de festa. Cada família tinha a sua receita exclusiva, que passava de mãe para filha. Depois de quase duas décadas a olhar para o Castelo, da minha janela, acho que já me posso considerar feirense… então este doce não poderia faltar em minha mesa.
| A vista da minha janela. Linda, não acham? |
Já contei aqui as peripécias da primeira vez que tentei fazer regueifa, ou melhor pedreifa, pois ficou dura como uma pedra! A cozinha também tem os seus desencantos...No entanto estas desilusões são águas passadas e com esta receita o resultado final é garantido! É de uma amiga especial, a Bela, minha primeira seguidora, autora de um blogue fantástico, o Pratos da Bela, recheado de delícias e que foi uma das fontes de inspiração para começar este meu cantinho que tantas alegrias me tem trazido. Já conheci a Bela e o seu principezinho Lucas pessoalmente e pude comprovar, que além de talentosa na cozinha e mãe carinhosa, é daquelas pessoas únicas e sinceras, que queremos ter como amigas.
Fiz umas pequenas alterações à receita original, para retirar os lacticínios, e misturei outra receita que também me foi dada pela esposa de um colega de trabalho, a São, também ela novata nestas andanças da regueifa, mas que pude comprovar que já vai em bom caminho! Agradeço muito, Sr. Joaquim e São a receita de família, tradicional que me enviaram (e a regueifa deliciosa!).
Já verifiquei também que a Lurdes, do blogue Sabores Autênticos, outra feirense mestra na cozinha, também publicou ontem a receita da Bela, portanto, vamos encher a blogosfera de regueifas, quem sabe até alguém além-mar se aventure?
Eu quis fazer um pequeno passo a passo, porque esta receita merece e também para ajudar quem é novato nas lides das massas levedadas, que não sendo difíceis de fazer tem os seus segredos. Eu contei com a minha ajudante, a máquina de fazer pão, mas quem não tiver essa máquina não se acanhe em fazer esta delícia, pois abaixo segue a explicação do modo tradicional.
Agora, a receita com as alterações que fiz em letra pequena.
Ingredientes:
140 ml de leite morno(substituí por água)
1 pau de canela
3 ovos batidos + 2 gemas(usei ovos biológicos)
70 grs de margarina amolecida(usei de margarina de soja para cozinha)
1/2 colher (café) de sal
raspa de 1 limão
1 colher(sopa) de sumo de limão
200 grs de açúcar(usei amarelo/demerara)
770 grs de farinha de trigo T55
50 grs de fermento fresco de padeiro(adquirido em padaria)
| Use ingredientes frescos e de qualidade |
Preparação(Máquina de fazer pão):
1)Ferva por alguns minutos a água com o pau de canela. Meça o conteúdo e acrescente mais água se necessário. Deixe esfriar até o líquido ficar morno. Rejeite o pau de canela e use no lugar do leite.
2)Colocar na cuba da máquina de fazer pão os ingredientes pela ordem acima referida, e programar no AMASSAR- massas levedadas ( Na minha máquina é o nº 6), que demora cerca de 2 horas. Cerca de 10 minutos antes de terminar o programa, ligue o forno em temperatura mínima por uns minutos, até que fique levemente quente, mas não demasiado e desligue.
3)Findo o programa colocar a massa sobre uma mesa cheia de farinha e fazer 2 rolos (ou 4), depois entrelace-os e faça uma rosca(ou 2). Coloque-as no tabuleiro do forno forrado com papel vegetal, cubra com um pano e coloque no forno, sem ligar, mas que está levemente quente pelo pré aquecimento realizado.
| A massa pronta, lisa e homogénea (não cola nas mãos) |
| Transferir para uma mesa enfarinhada |
| Dividir em 2 partes, para 1 regueifa grande ou em 4 partes, para 2 regueifas pequenas |
| Fazer os rolos, esticando a massa |
| Formar 1 ou 2 roscas |
4)Deixa-se levedar pelo menos por 1 hora ou mais, até que a massa dobre de tamanho.
| O resultado, depois de aproximadamente 2 horas a levedar |
| Pincelar com leite(no meu caso leite de arroz) |
Pincela-se com um pouco de leite (usei leite de arroz) e vai ao forno pré-aquecido a 200ºC, por 10 minutos(ou menos), passado esses 10 minutos coloca-se sobre a regueifa um bocado de papel alumínio e volta a assar mais alguns minutos até cozer na totalidade (teste do palito). Esta etapa depende do forno de cada pessoa, o ideal é vigiar atentamente pois a temperatura é alta e mais um instante poderá ser fatal! Já fiz por duas vezes e ficaram levemente tostadas, embora por dentro estivessem boas.
| Quentinhas, a sair do forno! |
| Regueifa grande |
| E este pedaço, com manteiga, o que acham? |
Preparação(Tradicional):
1) Idem à preparação anterior.
2) Desfaça o fermento no líquido morno obtido do ponto 1 e misture com 100grs de farinha. Tape e deixe levedar 30 minutos(escolha um local sem correntes de ar, pode ser o forno). Peneire a restante farinha para dentro de uma tigela. Abra uma estanca e junte a massa fermentada e os restantes ingredientes. Amasse bem, utilizando as mãos. Faça uma bola e marque uma cruz com a mão. Tape com um pano e deixe levedar em local quente. Pré aqueça o forno como no ponto 2) da preparação anterior. A massa deve duplicar de tamanho.
3) e 4) Idem à preparação anterior
Nota: Se o tempo estiver quente, não é necessário fazer a levedação da massa no forno.
E então, pronta(o)s para se aventurarem? E se a 1ª tentativa gerar em desencanto, não se incomode continue a tentar. A vida é mesmo assim, feita de sucessos e falhanços, encantos e desencantos, como a colectiva Amor aos Pedaços.
A 2ª fase vai rolar no dia 15 de abril, com o tema Desencanto, veja aqui como participar.






