terça-feira, 27 de março de 2012

Regueifa doce da Páscoa, receita da Bela


A regueifa doce é uma das iguarias típicas desta região presentes na mesa de Páscoa. Tem a simplicidade dos sabores tradicionais, dos tempos em que o açúcar só estava presente na mesa em dias de festa. Cada família tinha a sua receita exclusiva, que passava de mãe para filha. Depois de quase duas décadas a olhar para o Castelo, da minha janela, acho que já me posso considerar feirense… então este doce não poderia faltar em minha mesa. 

A vista da minha janela. Linda, não acham?
Já contei aqui as peripécias da primeira vez que tentei fazer regueifa, ou melhor pedreifa, pois ficou dura como uma pedra! A cozinha também tem os seus desencantos...No entanto estas desilusões são águas passadas e com esta receita o resultado final é garantido! É de uma amiga especial, a Bela, minha primeira seguidora, autora de um blogue fantástico, o Pratos da Bela, recheado de delícias e que foi uma das fontes de inspiração para começar este meu cantinho que tantas alegrias me tem trazido. Já conheci a Bela e o seu principezinho Lucas pessoalmente e pude comprovar, que além de talentosa na cozinha e mãe carinhosa, é daquelas pessoas únicas e sinceras, que queremos ter como amigas. 
Fiz umas pequenas alterações à receita original, para retirar os lacticínios, e misturei outra receita que também me foi dada pela esposa de um colega de trabalho, a São, também ela novata nestas andanças da regueifa, mas que pude comprovar que já vai em bom caminho! Agradeço muito, Sr. Joaquim e São a receita de família, tradicional que me enviaram (e a regueifa deliciosa!). 

Já verifiquei também que a Lurdes, do blogue Sabores Autênticos, outra feirense mestra na cozinha, também publicou ontem a receita da Bela, portanto, vamos encher a blogosfera de regueifas, quem sabe até alguém além-mar se aventure?

Eu quis fazer um pequeno passo a passo, porque esta receita merece e também para ajudar quem é novato nas lides das massas levedadas, que não sendo difíceis de fazer tem os seus segredos. Eu contei com a minha ajudante, a máquina de fazer pão, mas quem não tiver essa máquina não se acanhe em fazer esta delícia, pois abaixo segue a explicação do modo tradicional.

Agora,  a receita com as alterações que fiz em letra pequena.

Ingredientes: 
140 ml de leite morno(substituí por água)
1 pau de canela
3 ovos batidos + 2 gemas(usei ovos biológicos)
70 grs de margarina amolecida(usei de margarina de soja para cozinha)
1/2 colher (café) de sal
raspa de 1 limão
1 colher(sopa) de sumo de limão
200 grs de açúcar(usei amarelo/demerara)
770 grs de farinha de trigo T55
50 grs de fermento fresco de padeiro(adquirido em padaria)
Use ingredientes frescos e de qualidade
Preparação(Máquina de fazer pão):
1)Ferva por alguns minutos a água com o pau de canela. Meça o conteúdo e acrescente mais água se necessário. Deixe esfriar até o líquido ficar morno. Rejeite o pau de canela e use no lugar do leite.
2)Colocar na cuba da máquina de fazer pão os ingredientes pela ordem acima referida, e programar no AMASSAR- massas levedadas ( Na minha máquina é o nº 6), que demora cerca de 2 horas. Cerca de 10 minutos antes de terminar o programa, ligue o forno em temperatura mínima por uns minutos, até que fique levemente quente, mas não demasiado e desligue. 

3)Findo o programa colocar a massa sobre uma mesa cheia de farinha e fazer 2 rolos (ou 4), depois entrelace-os e faça uma rosca(ou 2). Coloque-as no tabuleiro do forno forrado com papel vegetal, cubra com um pano e coloque no forno, sem ligar, mas que está levemente quente pelo pré aquecimento realizado.
A massa pronta, lisa e homogénea (não cola nas mãos)

Transferir para uma mesa enfarinhada
Dividir em 2 partes, para 1 regueifa grande ou em 4 partes, para 2 regueifas pequenas
Fazer os rolos, esticando a massa
Formar 1 ou 2 roscas
4)Deixa-se levedar pelo menos por 1 hora ou mais, até que a massa dobre de tamanho.
O resultado, depois de aproximadamente 2 horas a levedar
Pincelar com leite(no meu caso leite de arroz)
Pincela-se com um pouco de leite (usei leite de arroz) e vai ao forno pré-aquecido a 200ºC, por 10 minutos(ou menos), passado esses 10 minutos coloca-se sobre a regueifa um bocado de papel alumínio e volta a assar mais alguns minutos até cozer na totalidade (teste do palito). Esta etapa depende do forno de cada pessoa, o ideal é vigiar atentamente pois a temperatura é alta e mais um instante poderá ser fatal! Já fiz por duas vezes e ficaram levemente tostadas, embora por dentro estivessem boas.
Quentinhas, a sair do forno!
Regueifa grande

E este pedaço, com manteiga, o que acham?
Preparação(Tradicional):
1) Idem à preparação anterior.
2) Desfaça o fermento no líquido morno obtido do ponto 1 e misture com 100grs de farinha. Tape e deixe levedar 30 minutos(escolha um local sem correntes de ar, pode ser o forno). Peneire a restante farinha para dentro de uma tigela. Abra uma estanca e junte a massa fermentada e os restantes ingredientes. Amasse bem, utilizando as mãos. Faça uma bola e marque uma cruz com a mão. Tape com um pano e deixe levedar em local quente. Pré aqueça o forno como no ponto 2) da preparação anterior. A massa deve duplicar de tamanho.
3) e 4) Idem à preparação anterior
Nota: Se o tempo estiver quente, não é necessário fazer a levedação da massa no forno.


E então, pronta(o)s para se aventurarem? E se a 1ª tentativa gerar em desencanto, não se incomode continue a tentar. A vida é mesmo assim, feita de sucessos e falhanços, encantos e desencantos, como a colectiva Amor aos Pedaços

A 2ª fase vai rolar no dia 15 de abril, com o tema Desencanto, veja aqui como participar.

quinta-feira, 15 de março de 2012

A lenda encantada do Monte da Corujeira


Século XI
"Antigamente o Monte das Corujeiras eram encostas com giestas, urze, esteva, alecrim, um ou outro castanheiro, carvalho, choupo, salgueiro e, nas encostas mais altas o pinheiro. O povo usava os pinhões, a bolota e a castanha na sua alimentação diária, onde faziam o pão. Do Monte via-se o castelo, onde vivia um alcaide mouro, que ouviu falar de uma donzela cristã muito linda, que vivia num castelo inimigo, em Gaia. Ela era muito bondosa e tudo quanto tinha dava aos pobres, dizia-se em todas estas terras, maravilhas da formosura e bondade daquela donzela, chamada Lia.
O Emir que era o alcaide da Feira, o mouro Ben Iussef, quis conhecer a donzela. Então, disfarçado com uns trajes de pobrezinho tirou as fardas de mouro e foi até Gaia pedir esmola à donzela. Acho-a tão bonita, tão bonita que ele logo ali resolveu raptá-la. E, pela calada da noite, subornou uns criados do castelo que a apanharam, fingindo um rapto. O mouro, armado em homem bom e defensor da donzela, fingiu que lutou para a libertar dos seus raptores, parecendo, aos olhos desta, como um anjo libertador. Com o intuito de “fugir” aos malfeitores, convenceu-a a entrar num barco, onde hoje fica hoje a Afurada, e trouxe-a para o Castelo da Feira. 
Toda esta lenda lembra um romance de cavalaria… e lá viveram os dois muito felizes. Ele era um mouro apaixonado e ela era uma cristã devota, que ia ensinando àquelas pessoas o Cristianismo. O casal amava-se. 
Tudo corria bem, só que o alcaide tinha um irmão invejoso e rancoroso. Começou a inquirir secretamente os seus próximos à revolta contra o alcaide, pois achava mal que o mano vivesse com aquela cristã, que estava aqui a narrar as histórias e as leis de Cristo, o que era sacrilégio para o Corão, então assalta o castelo, mata o alcaide e, quando ia matar a donzela, sentiu-se a fraquejar, porque além de ser mulher, havia, secretamente uma paixão pela cunhada, logo, não conseguiu matá-la. 
Resolveu entregá-la aos soldados, e disse-lhes “Olhem, levem-na daqui, para esses montes e matem-na lá, matem-na e que eu não a torne a ver!”. Os soldados que sabiam o quanto ela era bondosa, não tiveram, também, coragem para a matar e abandonaram-na no Monte da Corujeira, lugar medonho e cheio de animais selvagens, onde ela seria de certeza devorada. A donzela foi-se alimentando de frutos silvestres e das árvores, mas para não saberem quem ela era, com uma pedra afiada, retalhou a cara toda. Toda aquela beleza desapareceu, ficou uma coisa pavorosa. Vestiu-se de negro, e andava por ali à noite, como alma penada. 
Durante o dia, sempre bondosa, recebia numa barraca de cascas e folhas das árvores e arbustos, as pessoas com maleitas. A todos tratava bem. Curava feridas dos viandantes, e dizia coisas proféticas. Começou a ser conhecida como a bruxa do Monte da Corujeira e tudo o que dizia batia certo. Então o mau alcaide, o tal que tinha morto o irmão, que julgava que ela já estava morta, ouviu falar da Bruxa do Monte e também lá foi ouvi-la numa altura de crise, perguntando: “E então a mim o que é que me vai acontecer?” E ela diz-lhe: “Olha! Ainda bem que cá vieste, ainda bem que aqui vieste! Eu tinha uma coisa para te dizer e não sabia como te havia de prevenir, é que esta noite o teu Castelo da Feira vai ser atacado por um exército tão grande, tão grande que tu não tens gente para o defender! E vão-te matar! Os teus inimigos serão imensos... e não escapas da morte esta noite!”. O alcaide pensou “Ah, conversas de bruxa, quem é que vai nisso?!”. E vai para o castelo, mas ele ao ir para o Castelo, a antiga donzela, que agora parecia bruxa, manda juntar todos os amigos, toda a gente conhecida que gostava dela e a quem ela fez bem, pedindo-lhes para a acompanhar nessa noite, juntamente com todas as manadas de bois possíveis e dirigirem-se para o Castelo da Feira. Assim foi...Juntou-os no monte, eram milhares de bois, onde ela mandou colocar archotes nos chifres de cada boi, acesos, e à medida que a noite avançava, dirigiam-se para o castelo. O alcaide ao ver esses montes iluminados, parecem-lhe serem milhares de guerreiros, todos com aqueles fachos. O alcaide diz “a bruxa tinha razão! ora a bruxa disse que eles me iam matar, portanto nada de combates, isto a bruxa tinha razão!” e fugiu, nunca mais ninguém o viu.
A bruxa tranquilamente entra no castelo, deixou de ser bruxa, continuou a ser a doce donzela que ensinou aquela gente a praticar o bem, através da religião cristã e foi dessa maneira, conta a lenda, que a gente da Feira esqueceu o Corão e passou a rezar a Sanctae Maria." Uma das lendas de Santa Maria da Feira. Texto daqui

Século XX - finais da década de 80
Em Terras de Santa Maria, numa tarde outonal de domingo, finalizava mais uma matiné na pequena discoteca de São Vicente, que tinha o pretensioso nome de Rendez Vouz. A nostalgia invadia o meu ser, como sempre acontecia no final do domingo e ainda mais neste, que coroava um fim de semana cheio: tinha acabado de fazer 20 anos, ainda trazia na cabeça o penteado da festa, uma trança embutida que a cabeleireira, em vão, tentou me convencer a gostar. Havia passado a tarde inteira a dançar os ritmos frenéticos, a beber sumo "verde" de laranja com licor e a procurar decifrar a letra dos Xutos, mas só conseguira perceber: “que saudades que eu já tive da minh’alegre casinha tão modesta quanto eu” e desisti.
As últimas músicas tocavam na pista quase vazia, e eu e as amigas estávamos a sair, quando um grupo de rapazes entra, desajustados àquele lugar, com ar meio irónico, quase a zombar da pequenez do espaço, da inocência da matiné domingueira, fazendo de conta que entravam ali por acaso, como por engano... mas era tudo um estratagema, uma encenação de uma das minhas amigas e de um deles para "casualmente" se encontrarem. Eu, só mais tarde me dei conta desta combinação…andava sempre na lua! Mas aterrei rapidamente quando um dos rapazes passou-me a mão pelos cabelos e disse: Que penteado tão bonito! Fiquei furiosa! Primeiro pelo ar zombateiro, segundo porque dava-lhe razão pelo ar zombateiro e terceiro pela audácia em mexer-me no cabelo! Fuzilei-o com o olhar! E muito empertigada, recolhi o cabelo para trás, humpf! Mas…era tarde de mais, no meio da “ira” o meu “radar” feminino já lhe tinha avaliado o perfil alto, as vestes escuras, os lindos olhos... e a sensação de indignação cedeu naturalmente um pouco. Trocamos algumas provocações e ficou tudo por aí. 
Nesse dia, ao viajar no autocarro para o Porto, onde estudava, algo de pouco habitual já havia se instalado em mim, talvez uma seta encantada pelo Cupido já tivesse acertado o meu coração e eu não sabia... Uma parte de mim queria que a semana passasse a correr, que o domingo chegasse depressa, a outra parte tentava convencer a primeira a não dar importância ao sucedido, dentro da minha cabeça ocorria um diálogo, como naqueles desenhos animados em que há a consciência bipartida em duas miniaturas: anjo e diabo, que lutam entre si, tentando convencer a pessoa a agir segundo a sua vontade e passei a semana toda assim, neste duelo interior.
Novo domingo chegou, mais capricho na indumentária, menos no penteado e rumo à disco do costume. E “ele” apareceu, torturantemente quase ao fim da matiné(também tinha duas miniaturas a digladiar-se dentro da cabeça…) e assim foi por muitos domingos, o encantamento crescendo cada vez mais…crescia alimentado por muita conversa, e não só ;), nós não nos calávamos, encostados ao balcão, descobrindo o que cada um pensava, animados pela música. É claro que lhe fiz um pedido muito especial: Por favor decifra-me a música dos Xutos, não percebo uma palavra!!! (aventuras de uma brasuca recém chegada em terras lusas)
Foram tempos lindos, o início de uma história que espero seja eterna como a lenda que vos trouxe, a minha lenda encantada.

Estes tempos são inesquecíveis, esta sensação de encantamento é única, sentimo-nos tão felizes que vemos o mundo com outras cores e as pessoas com outros olhos. O encantamento é uma droga tão inebriante, que não é a toa que muita gente quer viver sempre nesta situação amorosa...
É um estado que gosto de sentir permanentemente em minha vida nos seus  vários setores, o eterno descobrir de novas sensações, o clic que nos faz vibrar: o acordar com um sol brilhante, ir ao Castelo e descobrir um novo ângulo, ganhar um beijo sem esperar, descobrir uma nova padaria com pão delicioso, ir à praça e verificar que os morangos já chegaram, encontrar um novo blogue maravilhoso, acertar na receita e ouvir os "huums" dos outros... São estes pequenos encantamentos que preenchem os meus dias com a alegria da novidade e que tornam tudo mais colorido e vibrante. 

Por isso, um simples, mas grande conselho: nunca feche o seu coração e a sua mente, aprenda a enxergar o lado bom da vida, mesmo nas pequenas coisas, que juntas e somadas, tornam-se grandes. Viva encantado!

A minha mais nova paixão culinária, é a realização de bolos e doces sem a utilização de açúcar refinado ou adoçante artificial. Esta receita é a segunda que sai da minha cozinha, mas outras já andam em preparação…É um novo mundo a descobrir, pleno de sabores sutis e delicados …que me está a encantar!


Bolo de banana e maçã encantado
1 banana madura
6 colheres(sopa) de cenoura ralada
2 ovos biológicos
½ chávena(chá) de óleo
1 colher(sopa) de farinha de alfarroba
½ chávena de frutos secos sem caroço(passas, tâmaras e ameixa)
4 colheres(sopa) de sumo de laranja natural
Bater tudo no liquidificador
Juntar:
1 chávena(chá) de farinha integral
½ chávena(chá) de farinha refinada
1 maçã(com casca) cortada aos cubinhos
1 colher(sopa) de canela em pó
Raspas de 1 laranja
1 colher (sopa) de fermento em pó
A massa não deve ser muito batida, apenas misturar os ingredientes.
Colocar em forma untada e enfarinhada e levar a cozer em forno 170º por cerca de 30 minutos. Fazer o teste do palito para verificar a cozedura.

Nota: Não fica um bolo muito doce, se quiser aumentar a doçura use mais frutos secos ou mais uma banana. E no dia posterior o sabor ainda é melhor! 


Esta publicação faz parte da minha participação na Blogagem Coletiva Amor aos Pedaços.
Confira aqui outras participações.


quarta-feira, 7 de março de 2012

A moda na Teia Ambiental

Fashion, coleção primavera-verão, acessórios, pret-a-porter, haute-couture, hippie chic, sandálias plataforma...são termos comuns no seu vocabulário?
Você tem mais de 20 pares de sapatos?
Você compra peças de roupa, acessórios ou malas, todas as semanas?
Você sabe tudo sobre as últimas tendências mesmo antes das lojas exporem as coleções?
Você compra revistas de moda com muita frequência?
As suas conversas giram em torno do que se usa em roupas, cabelos, maquilhagem?
Os seus passeios preferidos são uma ida ao shopping?
Se você respondeu sim à todas as perguntas, e não trabalha na área da moda, então é porque provavelmente é uma fashion victim(vítima da moda).
"O termo “fashion victim” foi originalmente cunhado pelo estilista Oscar de la Renta para definir pessoas que são incapazes de identificar limites da moda comumente reconhecidos. São aqueles indivíduos maravilhados com o materialismo proporcionado pelas coleções que não param de se renovar nas araras das lojas e acabam usando tudo o que vêem pela frente, muitas vezes, ao mesmo tempo."(fonte daqui)
Acho que a maioria das leitoras respondeu não às perguntas porque acho pouco provável que uma fashion victim esteja a ler um blogue de culinária, mas nunca se sabe...
Imagem daqui
Penso que quase todos nós passamos por períodos em que a moda poderá ter tido alguma importância, principalmente na adolescência, que é uma fase em que idolatramos tudo que seja fora do círculo comum e principalmente familiar. Mas algumas pessoas continuam pela vida fora em busca  do ilusório mundo perfeito, usando a moda como uma afirmação ou máscara.
É verdade que cada um faz o que quer da sua vida, mas tudo tem as suas consequências... e pensando no lado ambiental e ecológico é fácil perceber que ser hiper fashion traz consequências negativas ao meio ambiente.
Imaginem a quantidade de sapatos, roupa, acessórios comprados por uma pessoa ultra fashion que provavelmente na estação seguinte já está a descartá-los, onde é que esta tralha vai parar? Mais dia, menos dia no lixo.
E a proliferação de lojas de roupa de qualidade inferior e preços baixos, muitas vezes à custa de mão de obra explorada, simplesmente para satisfazer o modismo de uma estação e parar no lixo mais dia menos dia.
A quantidade de animais mortos para confecção de sapatos, bolsas, casacos, cintos, que muitas vezes são descartados quase novos, porque já "não se usam"...sem esquecer ainda quando são utilizados animais em perigo de extinção...
E o sofrimento dos animais para testar mais uma sombra de olhos ou rímel novo, ou qualquer parafernália perfeitamente inútil!
Estes são alguns dos prejuízos diretos que qualquer um de nós com o mínimo juízo equaciona rapidamente, mas e o que está camuflado.
Já imaginou que uma mulher com sapatos de saltos altíssimos provavelmente não anda de transportes públicos e muito menos a pé, nem que sejam distâncias curtas...olha as emissões de CO2 e gasto de energia fóssil desnecessária.
E muito menos pensar em reciclar lixo, que não sobra tempo na agenda atafulhada de cuidados de beleza.
Que princípios estas pessoas passam aos seus filhos, o materialismo em primeiro lugar?

Mas, embora seja este o lado negro da moda, felizmente já existem muitas pessoas que se preocupam em ter atitudes que respeitem o ambiente e que usam a imaginação para estarem eco fashion.
Exemplos disso:
Ecobags, bolsas em tecido para evitar o uso indiscriminado de sacos plásticos.
Imagem do Google


Customização de roupas, malas e acessórios.
As minhas pregadeiras realizadas com gravatas e botões antigos
Criação de roupa e acessórios com material reciclado.
Criação de João Sabino
Utilização de fibras naturais e mais ecologicas no vestuário(algodão naturalmente colorido, bambu, milho, coco, couro vegetal feito de latex natural são algumas opções)

Muitas marcas de cosméticos já não testam em animais! Confira aqui!

A nossa atitude em relação à moda(e em outros aspectos da vida) também tem de mudar! A moderação nas compras, a opção por peças de melhor qualidade, com preço justo, que duram mais. O uso de roupa adequada à profissão de cada um, ao estilo de vida, à ocasião, ao formato do corpo é o que nos faz sentir bem. A criatividade é que faz o estilo único de cada um e não a moda pela moda.

Lembrando sempre que a beleza interior reflete-se no nosso exterior, sem ser necessário adornos exagerados. E cuidar da beleza interior com boa alimentação, atitudes positivas e saudáveis, com certeza vai nos fazer sentir felizes e belos!

A receita que vos trago hoje não podia ser mais apropriada, um bolo sem açúcar e rico em fibras naturais.

BOLO DE BANANA SEM AÇÚCAR E SEM FARINHA.
Receita daqui
Ingredientes:
4 bananas bem maduras
1/2 chávena de uvas passas sem caroço 3 ovos 
menos que 1/2 chávena de óleo 
2 chávenas de aveia ( pode ser em grãos finos ou grossos) 
2 colheres (sopa) de fermento em pó
Preparação:
Bater no liquidificador as bananas, a uva passa, os ovos e o óleo. Numa taça colocar essa mistura e acrescentar a aveia e o fermento mexendo bem devagar. Untar e enfarinhar uma forma e levar ao forno por 20 minutos.

Esta publicação faz parte da Blogagem Coletiva Teia Ambiental, que acontece em todo dia 7 de cada mês. Veja aqui no blogue Flora da Serra outras participações.

domingo, 4 de março de 2012

Manteiga de amendoim, receita da Rute; biscoitos, receita da Nôemia

Surpresa! Esta publicação vai ter bis! Cláudia?!

Mais uma descoberta para o paladar, mais uma novidade para os meus concorridos pequenos-almoços. Esta manteiga de amendoim é uma delícia! Para quem, como eu que cresceu a comer paçoquinha e pé-de-moleque, comer uma fatia de pão com esta manteiga foi como voltar ao tempo (remoto) da minha infância, que saudades! O gosto de amendoim é marcante, mas temos o limão e o anis para contrabalançar o sabor. 
Esta receita é da minha amiga/irmã Rute, uma das minhas queridas manas recém descobertas, a outra é a Isabel
Calma! Não, o meu pai não "pulou" a cerca e este não é o enredo de uma telenovela mexicana! É que descobrimos, que temos tanto em comum, que parece que crescemos juntas, como gémeas... Foi com esta maninha que me iniciei no fabuloso mundo vegetariano, e é no Publicar Para Partilhar que muitas vezes vou buscar inspiração e aprendizagem para esta nova/fantástica fase da minha vida alimentar. 
Com esta receita e com as mensagens que trocamos descobrimos e aprendemos que afinal anis e erva-doce são a mesma coisa!
Eu fiz a manteiga tal e qual a Rute tão bem explicou, por isso é só clicar aqui para ver a  receita!

Mas...aqui em casa, o povo é um pouco esquisito(não sabem o que perdem!) e a quantidade de manteiga que fiz rendeu bastante, cerca de 2 chávenas!

Resolvi utilizar parte do resultado numa receita, mas ainda não tinha achado nenhuma que me agradasse, até que me deparei com estes deliciosos biscoitos da Nôemia, no seu recém inaugurado blogue Co(i)zinhas da Nô. Eu como era fã do seu outro blogue, nem hesitei em seguir este, dando de caras com "a receita" que eu queria.
E foi o que fiz ontem à tarde, estava um tempo chuvoso, mesmo a pedir por uns biscoitos a sair do forno. E ficaram mesmo deliciosos! São agora os meus biscoitos favoritos, estes cookies integrais de manteiga de amendoim.
Gostei muito da inusitada utilização do trigo sarraceno, cereal que há pouco conheci, mas que vai morar para sempre na minha cozinha, pois tem um sabor ótimo, rápido de preparar, muito versátil, além de ser rico em ferro e magnésio! Vale a pena conhecer!
Fiz algumas pequenas alterações à receita original, portanto vou transcreve-la com as modificações em letra mais pequena:
Ingredientes:
1 chávena (chá) de farinha de trigo com fermento(usei farinha sem fermento+1 colher(chá) de fermento em pó)
1/2 chávena (chá) de farinha integral
2 colheres (sopa) de trigo sarraceno
1 chávena (chá) de açúcar amarelo(usei 1/2 chávena, porque a manteiga de amendoim já contém mel)
50g de manteiga sem sal, amolecida (usei manteiga de soja)
1/2 chávena (chá) de manteiga de amendoim “crunch” (com pedacinhos de amendoim) usei a manteiga de amendoim caseira da Rute
1 ovo(substituí por 1 colher(sopa) de sementes de chia+4 colheres(sopa) de água, deixando repousar por alguns minutos, até que se forme uma espécie de geleia e utilizar)
1/2 chávena (chá) de gotas de chocolate (não tinha, utilizei 2 colheres(sopa) de passas/sultanas)
Preparação:
Numa tigela, misture o açúcar e as manteigas.
Junte o ovo, misturando sempre.
Vá juntando as farinhas e o trigo sarraceno, aos poucos.
Por último, junte as gotas de chocolate.
(Eu utilizei a batedeira, com as varas de massa de pão e a massa ficou ótima!Segui a ordem indicada dos ingredientes)
Faça bolinhas e coloque num tabuleiro, forrado com papel manteiga/vegetal.
Leve ao forno pré-aquecido em 160º/180º e deixe que dourem.
Retire do forno e deixe-os esfriar completamente, sobre uma grade.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Quem fez o meu "queijo"?

Eu própria! 
Fábricas de queijo das redondezas preparem-se, pois diretamente da cozinha do Aroma de Café saiu o melhor "queijo" de sempre! Cem por cento livre de colesterol, rico em vitaminas do complexo B e E, cálcio, ferro, fósforo, potássio, ómega 3 e omega 6 e baixo em calorias! Apresento-lhes o "queijo" de tremoço, que derrete e tudo! 

Depois de ter visto o maravilhoso queijo de macadâmias da minha amiga Rute, do inspirador blogue Publicar para Partilhar, pensei: não vou descansar enquanto não experimentar esta receita! Já há algum tempo andava curiosa para entrar neste mundo maravilhoso dos queijos vegetais. Mas tive de descansar, pois não encontrei aqui na minha cidade o principal ingrediente: as macadâmias! Um dos poucos inconvenientes de não morar nos grandes centros é este, não se encontra ingredientes pouco usuais facilmente. Depois de ter ido à algumas superfícies comerciais aqui da zona e de ter perguntado se tinham as ditas e ter recebido um hã?! como resposta, acabei por desistir...das macadâmias, mas não do queijo! 
Após uma breve pesquisa ao oráculo Google encontrei a resposta: a receita do queijo de macadâmias também tinha a versão com tremoço! Bem, tremoços é o que não falta por aqui, em qualquer feira, praça ou mercado há sempre uma vendedora de tremoços e azeitonas. Então foi muito fácil, bem...quase! Faltava o polvilho azedo. Esse ingrediente eu encontrei, mas não queria trazer para casa uma embalagem de 1/2kg para usar somente 1 colher de sopa...ainda mais que eu não sabia se iria gostar da receita. Substituí por amido de milho e aí sim, finalmente fiz a receita, que afinal é muito prática e rápida!

Gostei muito do sabor deste "queijo". Ficou muito suave, com textura a lembrar queijo fresco, ao derreter ficou um creme macio, mas sem o puxa-puxa do queijo tradicional. Penso que ao utilizar o polvilho azedo a textura ficará mais elástica. Agora que verifiquei que adorei esta receita vou correndo comprar o polvilho azedo! Mas não pensem que desisti das macadamias, já sei onde as encontrar aqui perto! Já estou a imaginar uma tábua de queijos vegetais, com aqueles queijos de iogurte da Rute, queijos de amêndoas...humm!
A receita veio daqui do site Veg Vida, no entanto publico-a com as pequenas alterações que fiz:
Ingredientes:
1 1/2 chávena de água
2 colheres(chá) de agar-agar
1 colher (sopa) de polvilho azedo(usei a mesma quantidade de amido de milho)
1/2 chávena de tremoços em conserva drenados, com casca
1 colher (café) rasa de sal fino
2 colheres de (sopa) de azeite extra virgem
1 colher (chá) de levedura de cerveja em pó
alguma gotas de sumo de limão
Preparação:
Misturar a água com o agar-agar e o polvilho azedo(amido de milho) num tachinho e leve a lume brando até ferver e o agar-agar dissolver-se. Deve ficar um preparado com consistência de clara de ovo. Deite este preparado, quente, no copo do liquidificador, junte os restantes ingredientes e triture até ficar um creme homogéneo e sem grumos. Prove e retifique temperos(limão e sal) se necessário. Coloque o creme numa vasilha untada com azeite e leve ao frigorífico até solidificar(cerca de meia hora).

Metade do queijo já se foi...Comido com pão, em tostas, numa salada e numa deliciosa bruschetta, que preparei com metade de um pão da avó integral que levei a torrar e esfregando-o ainda quente com metade de um dente de alho. Espalhei por cima um tomate pequeno cortado aos cubinhos sem sementes e temperado com sal e azeitonas picadas(sem caroço). Espalhei fatias finas de queijo de tremoços por cima e levei ao micro-ondas para derreter. Polvilhei com oregãos secos e acompanhei com uma salada.

Uma delícia para comer totalmente sem culpas!


domingo, 26 de fevereiro de 2012

As melhores papas de aveia do mundo

Até há dois dias atrás vivia na ignorância gustativa de nunca ter saboreado “a papa de aveia”. 
Eu já comi papas de aveia inúmeras vezes, mas de todas estas vezes, o que na realidade me impelia a nutrir-me delas era saber que estava a comer algo saudável, e sendo assim como não juntava açúcar (saudável e açúcar não combinam!) parecia-me sempre que estava a comer jornal molhado ou algo parecido, sem falar do tempo que levava a cozinha-las, e isso é algo que de manhã é um pouco escasso,  portanto só de longe a longe dava-me vontade de repetir a dose. Mas isto foi até descobrir as maravilhosas receitas de papas de aveia da Sandra, autora do excelente blogue Papacapim e então agora a minha vida dividiu-se em A.P.(antes da “papa”) e D.P.(depois da “papa”). 
Já fiz dois pequenos-almoços e o almoço de ontem com elas e só tenho vontade de repetir mais e mais, acho que vou ficar viciada! Estas papinhas sabem maravilhosamente, são muito nutritivas e saciantes, milagrosamente fiquei sem fome até a hora do almoço e sempre com boa disposição e além do mais os ingredientes são tão interessantes que nos sentimos esplendorosas logo pela manhã e já me ia esquecendo, são rápidas de fazer!
Este post parece publicidade, e é! Para mim tudo o que é ótimo deve ser compartilhado, divulgado, passado adiante, então eu não via a hora de escrever isto aqui.

Eu fiz estas duas versões(a caminho da terceira), as fotos não fazem justiça às receitas! Não tenho jeito para fotografar e então de manhã, piorou! As fotos da Sandra são fantásticas!

clic no título para aceder à receita no blogue Papacapim
Uma autêntica sobremesa cremosa cheia de saúde logo ao pequeno-almoço!

clic no título para aceder à receita no blogue Papacapim
Senti-me num paraíso exótico logo de manhã!
Ontem ao almoço tornei a fazer a versão com chia, mas em vez de passas juntei 2 ameixas secas picadas e ficou também muito bom!


Sandra, daqui de Portugal envio-te muitos beijinhos em peregrinação direta para a Terra Santa, em agradecimento às tuas maravilhosas criações, que decerto contribuirão muito para que a minha nova condição de vegetariana seja ainda mais feliz!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Amor aos pedaços

Neste ano o aniversário do meu marido coincidiu com o dia de Carnaval e pudemos passar o dia juntos a comemorar. Com criança pequena em casa é imperativo o bolo da praxe. Não é que nós adultos não façamos questão do bolo, até fazemos, mas não devemos…porque normalmente a minha filha, e pelo que pude comprovar acho que todas a crianças são assim: gostam do ritual dos parabéns, da decoração do bolo, mas comer, comem uma fatia e mal…e o resultado é os adultos fazerem o “sacrifício” de comer grande parte do bolo e eu acabo por ser a maior “sacrificada”, porque sou a formiguinha-mor aqui das redondezas, e resistir a um bolo caseiro feito por mim (que modesta!) não é tarefa fácil.
Mas eu estou em guerra com o maldito açúcar (e com alguma roupa que não me serve!). Então resolvi o problema da seguinte forma: fiz pequenos queques e decorei alguns na hora, com chantilly e morangos, bem ao gosto da pequenina, para cantarmos os parabéns ao papá. O restante, congelei, para saborear noutra altura (longe da vista, longe da barriguinha!). Assim, ficamos os três contentes com estes deliciosos pedacinhos de amor e pudemos desfrutar de um dia maravilhoso, cheio de sol, à beira-mar, em que brindamos simplesmente à felicidade de estarmos juntos e gostarmos muito, muito mesmo disso!

E são estes dias (pedaços), que aparentemente dispersos formam o puzzle (quebra-cabeças) único, que é a nossa vida. Vida que é feita de pedaços de amor, de histórias dentro da história, de lembranças e de afeto. 

E é por isso que vou participar da Blogagem Coletiva Amor aos Pedaços, para compartilhar aqui sobre os Pedaços de Amor da minha vida, para expandir a minha história e mistura-la com outras numa coletiva que promete ser tão emocionante como a Blogagem Coletiva Fases da Vida(BCFV) que aconteceu no ano passado. 


E você? Não quer participar também? Juntar-se a nós nesta aventura, que aguçará a nossa criatividade, que nos fará recordar ou imaginar doces devaneios, que nos acordará do inverno enfadonho da rotina dos dias fazendo-nos sentir vivos e alertas, como o desabrochar da primavera.
Garanto-vos que a sensação é muito boa! Palavra de quem participou da BCFV! Por isso quis partilhar convosco esta iniciativa.

A blogagem está a ser organizada pela Rute, Luma Rosa e Rosélia e vai iniciar-se no próximo dia 15 de Março com o tema Encantamento. Assim como na BCFV, basta publicar neste dia um texto(ou poesia, ou conto, ou o que a imaginação quiser…) subordinado ao tema e ligado à temática do seu blogue.
Visitem os blogues organizadores para saberem detalhadamente como participar, avisarem da vossa participação(nos comentários) e ouvirem a música tema que é linda!
da Rosélia, EspiritualIdade

E agora deixo-vos a receita dos meus queques pedaços de amor, para vocês irem se inspirando...

Baseada na receita de Mafalda Pinto Leite, Cozinha para quem quer poupar
Para 12 queques pequeninos
Ingredientes:
2 chávenas de chá de farinha de trigo peneirada
1 colher de chá de fermento em pó
3/4 chávena de chá de açúcar amarelo(mascavado claro)
3/4 chávena de chá de água
100grs de manteiga de soja para culinária derretida e arrefecida
2 ovos biológicos batidos
1 colher(chá) de essência de baunilha
2 colheres de sopa de granulado de chocolate(pedacinhos de tentação!)

Para a cobertura:
Chantily
Morangos

Preparação:
Aqueça o forno a 200ºC. Unte e enfarinhe forminhas de queques ou use de silicone(foi o meu caso).
Misture a farinha e o fermento com o açúcar numa tigela grande. Faça um buraco no centro.
Adicione a água, a margarina, os ovos, a baunilha e o granulado de chocolate. Use uma colher de pau para misturar delicadamente.
Deite a massa para as forminhas(para facilitar esta tarefa eu uso uma colher de gelado(sorvete), aprendi este truque com Nigella Lawson). Leve ao forno por 10 a 15 minutos, ou até estarem cozinhados no interior (faça o velho teste do palito). Retire do forno para arrefecerem por 5 minutos e desenforme-os.
Antes mesmo de servir decore alguns com chantily e morangos e guarde(mesmo!) os restantes no congelador.