A Pammy lançou um
desafio muito interessante para comemorar o 2º aniversário do
Menu Verde, cujo tema é Comida Local. Para concorrer é necessário elaborar uma receita vegetariana utilizando o maior número possível de ingredientes produzidos no local.
Longe de ser excepção, pelo contrário, para mim consumir alimentos locais(e biológicos) faz parte da rotina do meu dia a dia. A maior parte dos produtos, principalmente os frescos, são da horta da família(pais e sogros) ou da Manuela, que é uma produtora de agricultura biológica cá do concelho e que entrega os produtos colhidos no dia para mim e para alguns colegas de trabalho. Depois de entrarmos nesta rotina de consumo, jamais queremos sair, as vantagens são mais do que as desvantagens. Os produtos, sendo da época, são mais saborosos, colhidos no ponto de maturação adequado para serem consumidos, potenciando o seu sabor e como não são armazenados a perda de vitaminas e minerais é muito reduzida. Sem falar no transporte que é quase inexistente, poupando a atmosfera de emissões tóxicas.
É claro que não há tomates frescos em Dezembro, tangerinas em Junho ou figos em Março, mas quando consome-se os produtos locais e da estação, dificilmente apreciaremos os desenxabidos das estufas fora de época, longamente transportados e que são colhidos verdes. Os morangos são um exemplo marcante, depois de provar morangos biológicos, da época certa e colhidos na hora, maduros, nunca mais quero outros, nem que para isso os coma apenas algumas vezes por ano.
Na maior parte das receitas que faço utilizo alimentos locais, por isso poderia escolher uma de entre as várias já publicadas, mas aproveito esta oportunidade para destacar um prato que é consumido diariamente cá em casa e que ainda não tinha tido o lugar merecido aqui no blogue: a sopa. Seja Verão ou Inverno, seja como entrada, como prato principal ou acompanhamento, a sopa está sempre presente, em todas as refeições, e é uma forma simples, rápida, nutritiva, económica e saciante de comer legumes. Fácil de executar, mesmo para quem tiver pouca prática na cozinha e não tenha jeito para descascar os legumes, se estes forem biológicos basta serem bem lavados. Não é preciso vigiar muito o cozimento, nem medir quantidades rígidas, pois na mistura é que está a novidade de cada dia.
E foi numa das centenas de vezes que estava a fazer a panela diária da sopa e ao mesmo tempo a pensar em que receita escolher, que o clic aconteceu:
Esta é a receita ideal, onde normalmente uso 100% ingredientes locais, desde a água, puríssima e fresca, que vem de uma mina da casa de meus pais, que uso para cozinhar, fazer café e chá, até o azeite, que compro dos pais de uma amiga, de Vila Flor, o sal marinho, que é produzido nas salinas tradicionais de Aveiro, até os legumes e verduras que já mencionei a origem, ou seja, conheço os locais e as pessoas que os produzem.
Tudo isto torna um prato aparentemente simples e trivial, em algo especial. Todo o cuidado e amor que cada interveniente amigo transmite em cada fase, torna este alimento carregado de boas vibrações, imanado de alegria e amor: pela manipulação cuidada da Terra, a surpresa ao ver germinar e crescer as plantas no seu ritmo natural, pela colheita endereçada, pela confecção familiar do alimento, pelo fervilhar poético e confortável da panela, pela sopa a fumegar no prato, pelas pessoas reunidas na mesa e quando, finalmente nos alimentamos, todas essas boas energias serão transmitidas para o nosso corpo e alma.
Sopa de legumes
para 6 doses
Desta vez escolhi:
2 batatas médias, 1chuchu pequeno, 1 cabeça de nabo, 1 cebola pequena, 3 folhas de couve galega, do quintal dos meus pais
1 cenoura média, 1 fatia de abóbora e 1/2 alho francês(parte branca) da quinta biológica da Manuela, a 3 km daqui
1 colher (sobremesa) rasa de sal marinho, das salinas tradicionais de Aveiro
2 colheres(sopa) de azeite extra virgem, de Vila Flor, produção dos pais de uma amiga
1,5 l de água, proveniente de uma mina existente na casa dos meus pais
Preparação:
Coloco a água para ferver(eu uso uma chaleira eléctrica). Entretanto arranjo os legumes: descasco apenas a batata, chuchu e cebola, lavo todos os legumes,usando uma escova própria se necessário(normalmente para a cenoura). Parto tudo em pedaços, excepto a couve e coloco numa panela alta com a água a ferver e o sal. Deixo cozinhar por aproximadamente 20 a 30 minutos com a tampa e fogo mínimo. Entretanto corto a couve em juliana fina. Verifico se os ingredientes da panela estão cozidos e então trituro-os com a varinha mágica, misturo a couve cortada e o azeite e deixo levantar fervura, com a panela destapada. Desligo o fogo, deixo repousar uns minutos e sirvo.
Pammy, aproveito para enviar-te os meus parabéns pelos 2 anos de receitas maravilhosas e pela divulgação de uma alimentação saudável e amiga do Planeta. Espero que gostes da minha reconfortante sopa, que com certeza seria saboreada com prazer numa noite fria aí na Islandia.