Estes são os bolinhos tradicionais oferecidos às crianças que os pedem de porta em porta em algumas regiões do nosso país no dia de hoje, em que se comemora o Dia de Todos os Santos. Na terra de origem da minha mãe, localizada no Distrito de Leiria, para as crianças é o Dia do Bolinho. Estes bolinhos também são consumidos durante o ano e oferecidos pelos noivos nas festas de casamento.
Já há algum tempo que os queria reproduzir na minha cozinha porque aprecio-os muito! Sabia quais eram os ingredientes, mas como não tenho a receita exacta, fiz algumas pesquisas e escolhi esta versão, do óptimo site Doces Regionais. E foi uma escolha acertada porque ficaram deliciosos e foram aprovados mais pelos graúdos do que pela criança cá de casa(as malditas gomas estragam tudo!).
Já há algum tempo que os queria reproduzir na minha cozinha porque aprecio-os muito! Sabia quais eram os ingredientes, mas como não tenho a receita exacta, fiz algumas pesquisas e escolhi esta versão, do óptimo site Doces Regionais. E foi uma escolha acertada porque ficaram deliciosos e foram aprovados mais pelos graúdos do que pela criança cá de casa(as malditas gomas estragam tudo!).
Cada vez surpreendo-me mais, com a experiência que tenho adquirido na cozinha, principalmente na confecção deste tipo de massa levedada, em que já tive umas tentativas bastante desastrosas. É verdade que a tradição já não é o que era, o ideal era ter aprendido a receita com alguém da família e passa-la adiante, mas como tal não foi possível, quem não tem cão, actualmente caça com a Internet mesmo.
A receita rende bastante, cerca de 25 bolinhos de bom tamanho. As anotações em letra pequena são as alterações ou pequenos relatos da minha experiência que poderão ser úteis para alguém.
Ingredientes:
1 kg de farinha de trigo
1 pitada de sal
15 grs de fermento de padeiro(fresco, adquirido numa padaria)
5 ovos, de preferência biológicos(usei 4 grandes)
500 grs de açúcar(usei amarelo)
600 grs de batata branca cozida
água morna q.b.
canela e erva doce em pó q.b. (usei 1 colher de sopa de cada)
frutos secos a gosto(passas, nozes, pinhões, etc) usei avelãs em pedaços, sultanas e bagas goji
leite(se necessário)
raspa de 3 limões
Preparação:
Misture a farinha, o açúcar, a raspa dos limões, a canela e a erva doce.
Faça uma cavidade no centro e deite aí o fermento, previamente desfeito em água morna(usei 1/2 chávena) com 1 pitada de sal.
Junte a batata bem passada(sem grumos) e adicione os ovos(um a um), amassando bem.
Acrescente depois os frutos secos(previamente envolvidos em farinha). No caso de a massa ficar muito seca, junte um pouco de leite, se ficar mole, junte farinha.
A massa ficou uniforme, mas um pouco pegajosa. Como não sabia o ponto preferi não arriscar a colocar muita farinha e obter uns bolos pesados.
Deixe a massa repousar num local ameno até estar lêveda(aumentar de volume).
Liguei o forno à temperatura de 50º C. depois de aquecido, desliguei-o, coloquei o recipiente da massa envolvido e bem coberto com uma toalha e deixei-o lá estar toda a noite.
Passe as mãos por farinha e tenda bolinhas( aproximadamente 7cm de diâmetro) para um tabuleiro polvilhado(untei também, pois a primeira fornada pegou-se ao tabuleiro), deixando espaço entre cada bolinho, para que cresçam. Leve a cozer em forno quente (cerca de 200ºC). Cada fornada leva cerca de 10 minutos.
Em Portugal, especialmente na zona centro e estremadura, no 1º de novembro ou dia de Todos-os-Santos, as crianças saem à rua e juntam-se em pequenos bandos para pedir o pão-por-deus (ou o bolinho) de porta em porta. As crianças quando pedem o pão-por-deus recitam versos e recebem como oferenda: pão, broas, bolos, romãs e frutos secos, nozes, tremoços amêndoas,ou castanhas que colocam dentro dos seus sacos de pano, de retalhos ou de borlas. É também costume em algumas regiões os padrinhos oferecerem um bolo, o Santoro. Em algumas povoações chama-se a este dia o ‘Dia dos Bolinhos’ ou ‘Dia do Bolinho’. Os bolinhos típicos são especialmente confeccionados para este dia, sendo à base de farinha e erva doce com mel (noutros locais leva batata doce e abóbora) e frutos secos como passas e nozes. São vários os versos para pedir o pão por deus:
Ó tia, dá Pão-por-Deus?
Se o não tem Dê-lho Deus!
Ó tia, dá bolinho?
Ou então:
Bolinhos e bolinhós
Para mim e para vós
Para dar aos finados
Qu'estão mortos, enterrados
À porta daquela cruz
ouPão, pão por deus à mangarola,
encham-me o saco,
e vou-me embora.
Tenho um saco à gringola,
se mo encherem vou-me embora!
Pão por Deus,
Fiel de Deus,
Bolinho no saco,
Andai com Deus.
Fiel de Deus,
Bolinho no saco,
Andai com Deus.
Truz! Truz! Truz!
A senhora que está lá dentro
Assentada num banquinho
Faz favor de s'alevantar
Para vir dar um tostãozinho.
A senhora que está lá dentro
Assentada num banquinho
Faz favor de s'alevantar
Para vir dar um tostãozinho.
Quando os donos da casa dão alguma coisa:
Esta casa cheira a broa
Aqui mora gente boa.
Esta casa cheira a vinho
Aqui mora algum santinho.
Aqui mora gente boa.
Esta casa cheira a vinho
Aqui mora algum santinho.
Como não é muito aceitável rejeitar o bolinho às crianças, as desculpas eram criativas:
Olha foram-me os ratos ao pote e não me deixaram farelo nem farelote
A quem lhes recusa o pão-por-deus roga-se uma praga em verso:
O gorgulho gorgulhote,
lhe dê no pote,
e lhe não deixe,
farelo nem farelote. ou
Esta casa cheira a alho
Aqui mora um espantalho
Esta casa cheira a unto
Aqui mora algum defunto.
Esta casa cheira a unto
Aqui mora algum defunto.
ou deixa-se uma ameaça enquanto se fugia em grupo e entre risos
senão leva com a caneca no focinho
O termo caneca podia ser substituído por tranca ou cavaca (um pedaço de lenha)
Com o passar do Tempo, o Pão-por-Deus sofreu algumas alterações, os meninos que batem de porta em porta podem receber dinheiro, rebuçados ou chocolates. Esta actividade é principalmente realizada nos arredores de Lisboa, relembrando o que aconteceu no dia 1 de Novembro de 1755, aquando do terramoto de Lisboa, em que as pessoas que viram todos os seus bens serem destruídos na catástrofe, tiveram que pedir "pão-por-deus" nas localidades que não tinham sofrido danos.
Fonte - Wikipédia








