Em cada fase da vida há o ressoar de uma música que nos transporta através de suas notas para as vivências dos tempos passados e futuros. Cada melodia nos faz sorrir, chorar ou dançar, corrói-nos de saudades, é sempre uma emoção que surge e que nos acompanha ao ouvi-la. A nossa vida é como um filme, no desenrolar das várias cenas vamos aprendendo a viver e as diversas músicas que nos acompanham, formam a trilha sonora, especial, só nossa.
1ª FASE NASCIMENTO
A primeira música, o som mais desejado, a voz da filha que eu trouxe ao mundo, e que ansiava conhecer. Acalentei o seu sono com cantigas singelas de embalar, para lhe transmitir serenidade, carinho e segurança. Também cantava para mim própria, pronunciando a música como um mantra, embevecida, meditando na dádiva que me foi concedida, sentindo-me poderosa e doce ao mesmo tempo. A música acalmava-nos e unia-nos ainda mais.
Uma linda voz transformada num mimo:
SARA TAVARES - Luzinha
2ª FASE INFÂNCIA
Cantar os parabéns, soprar as velas, mais uma música a marcar o ritmo da infância em vários cantos do mundo. As músicas infantis na sua simplicidade, são a primeira forma de educar a fala e reconhecer situações e objectos. Nesta fase a criança começa a produzir ritmos, com utensílios rudimentares, como uma panela e colher de pau. Poderá ser este o momento de iniciação da aprendizagem de um instrumento a sério, como o violino. Com 2 anos já é possível, conforme o método SUZUKI, começar a aprendizagem, de forma evolutiva envolvendo sempre os pais ou outro familiar que acompanhe a criança. As primeiras músicas são cativantes, das brincadeiras infantis: O Balão do João, Os Patinhos…, mas rapidamente a criança aprende a gostar de Bach, Handel e outros compositores clássicos. O gosto pela música refina-se, expande-se, universaliza-se e o cérebro exercita-se na matemática das notas e a personalidade molda-se em prol do colectivo de uma orquestra.
Daqui de casa:
3ª FASE ADOLESCÊNCIA
As canções de intervenção, que passam a mensagem por uma causa humanitária são (ou deveriam ser!) as preferidas dos adolescentes. Esta deve ser a fase em que mais valor se dá à música, que cultivamos ídolos, que gostamos de ter aparelhos para ouvir música o tempo todo. No meu tempo de adolescente a moda era a música em altos berros, hoje em dia são os fones encaixados nos ouvidos. Qual das situações será mais irritante para as gerações mais maduras?
Algumas músicas que marcaram a minha adolescência:
4º FASE JUVENTUDE
Dançar, curtir a noite! A música sempre presente. Começa-se a conduzir um automóvel, e a rádio toca a nossa canção preferida, aumentamos o volume, pura alegria de recente liberdade! Conhecemos alguém que nos atrai, há sempre um tema de época que marca esta relação, que faz a mente voar e o coração bater mais forte.
Nesta fase definimos o nosso gosto musical, normalmente ninguém esquece das músicas da juventude.
Escolhi algumas canções daquela época e que ainda gosto de ouvir:
5ª FASE MATURIDADE
Aqui estamos mais ocupados, ouvimos música a trabalhar ou para adormecer (será para embalar?), ou para meditar. Mas o que define esta fase é a escolha, aqui sabemos perfeitamente aquilo que queremos ouvir. Pode ser neste momento da vida, onde já assentamos a poeira, onde a ânsia de querer estar em todo o lado acalmou que decidimos aprender a tocar um instrumento musical, ou quem sabe acompanhar uma criança na aprendizagem da música, acompanhando seus passos e descobrindo com ela. É uma experiência maravilhosa!
Um génio intemporal, uma música inspiradora! Gosto de ouvi-la para escrever.
6ª FASE A MELHOR IDADE
Aqui as músicas trazem nas notas as lembranças para recordar e reviver as várias etapas da vida, as suas alegrias, tristezas, saudades...
A música é a companheira, preenche os dias mais calmos e alegra-os, saboreada como um vinho raro, sem preocupações, sem culpas, sem pressas.
Cantar novamente canções de embalar para um ser pequenino, revivendo e começando o ciclo novamente.
A nossa vida como a natureza que eternamente se renova.VIVALDI – Quatro estações
7ª FASE MORTE
Na morte, apenas o silêncio…
A música aqui também existe, pela sua própria ausência.
Calar os sons para mostrar o espanto, a admiração e a dor por alguém que se foi.
Muitos foram os compositores que criaram músicas para os momentos da morte, sempre pungentes, salientando a tristeza.
Prefiro esta, que me faz pensar na face negra lua, em como será o outro lado de uma existência e não o seu fim…
8ª FASE VIDA PARA ALÉM
A música é um dos exemplos mais bonitos da continuação da vida após a morte. O artista viverá para sempre na canção que compõe, será eternamente lembrado e a sua obra continuará a gerar emoções nos corações de quem a ouve.
Espero que tenham gostado da minha trilha sonora.










