sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Ressonâncias musicais - BCFV

Em cada fase da vida há o ressoar de uma música que nos transporta através de suas notas para as vivências dos tempos passados e futuros. Cada melodia nos faz sorrir, chorar ou dançar, corrói-nos de saudades, é sempre uma emoção que surge e que nos acompanha ao ouvi-la. A nossa vida é como um filme, no desenrolar das várias cenas vamos aprendendo a viver e as diversas músicas que nos acompanham, formam a trilha sonora, especial, só nossa.

1ª FASE NASCIMENTO
A primeira música, o som mais desejado, a voz da filha que eu trouxe ao mundo, e que ansiava conhecer. Acalentei o seu sono com cantigas singelas de embalar, para lhe transmitir serenidade, carinho e segurança. Também cantava para mim própria, pronunciando a música como um mantra, embevecida, meditando na dádiva que me foi concedida, sentindo-me poderosa e doce ao mesmo tempo. A música acalmava-nos e unia-nos ainda mais.

Uma linda voz transformada num mimo:

SARA TAVARES - Luzinha
2ª FASE INFÂNCIA
Cantar os parabéns, soprar as velas, mais uma música a marcar o ritmo da infância em vários cantos do mundo. As músicas infantis na sua simplicidade, são a primeira forma de educar a fala e reconhecer situações e objectos. Nesta fase a criança começa a produzir ritmos, com utensílios rudimentares, como uma panela e colher de pau. Poderá ser este o momento de iniciação da aprendizagem de um instrumento a sério, como o violino. Com 2 anos já é possível, conforme o método SUZUKI, começar a aprendizagem, de forma evolutiva envolvendo sempre os pais ou outro familiar que acompanhe a criança. As primeiras músicas são cativantes, das brincadeiras infantis: O Balão do João, Os Patinhos…, mas rapidamente a criança aprende a gostar de Bach, Handel e outros compositores clássicos. O gosto pela música refina-se, expande-se, universaliza-se e o cérebro exercita-se na matemática das notas e a personalidade molda-se em prol do colectivo de uma orquestra.

Daqui de casa:

3ª FASE ADOLESCÊNCIA
As canções de intervenção, que passam a mensagem por uma causa humanitária são (ou deveriam ser!) as preferidas dos adolescentes. Esta deve ser a fase em que mais valor se dá à música, que cultivamos ídolos, que gostamos de ter aparelhos para ouvir música o tempo todo. No meu tempo de adolescente a moda era a música em altos berros, hoje em dia são os fones encaixados nos ouvidos. Qual das situações será mais irritante para as gerações mais maduras?
Algumas músicas que marcaram a minha adolescência:

4º FASE JUVENTUDE
Dançar, curtir a noite! A música sempre presente. Começa-se a conduzir um automóvel, e a rádio toca a nossa canção preferida, aumentamos o volume, pura alegria de recente liberdade! Conhecemos alguém que nos atrai, há sempre um tema de época que marca esta relação, que faz a mente voar e o coração bater mais forte.
Nesta fase definimos o nosso gosto musical, normalmente ninguém esquece das músicas da juventude.

Escolhi algumas canções daquela época e que ainda gosto de ouvir:

5ª FASE MATURIDADE
Aqui estamos mais ocupados, ouvimos música a trabalhar ou para adormecer (será para embalar?), ou para meditar. Mas o que define esta fase é a escolha, aqui sabemos perfeitamente aquilo que queremos ouvir. Pode ser neste momento da vida, onde já assentamos a poeira, onde a ânsia de querer estar em todo o lado acalmou que decidimos aprender a tocar um instrumento musical, ou quem sabe acompanhar uma criança na aprendizagem da música, acompanhando seus passos e descobrindo com ela. É uma experiência maravilhosa!

Um génio intemporal, uma música inspiradora! Gosto de ouvi-la para escrever.


6ª FASE A MELHOR IDADE
Aqui as músicas trazem nas notas as lembranças para recordar e reviver as várias etapas da vida, as suas alegrias, tristezas, saudades...
A música é a companheira, preenche os dias mais calmos e alegra-os, saboreada como um vinho raro, sem preocupações, sem culpas, sem pressas.
Cantar novamente canções de embalar para um ser pequenino, revivendo e começando o ciclo novamente.
A nossa vida como a natureza que eternamente se renova.


VIVALDI – Quatro estações

7ª FASE MORTE
Na morte, apenas o silêncio…
A música aqui também existe, pela sua própria ausência.
Calar os sons para mostrar o espanto, a admiração e a dor por alguém que se foi.
Muitos foram os compositores que criaram músicas para os momentos da morte, sempre pungentes, salientando a tristeza.

Prefiro esta, que me faz pensar na face negra lua, em como será o outro lado de uma existência e não o seu fim…



8ª FASE VIDA PARA ALÉM
A música é um dos exemplos mais bonitos da continuação da vida após a morte. O artista viverá para sempre na canção que compõe, será eternamente lembrado e a sua obra continuará a gerar emoções nos corações de quem a ouve. 

Espero que tenham gostado da minha trilha sonora.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

# 12 Segunda sem carne

Depois de uma semana de ausência da vossa companhia e de um fim de semana bem recheado de guloseimas, voltei! E para me redimir, nesta segunda feira, nada como um dia sem carne, mais calmo e frugal do que os passados dias. 
O Outono parece que chegou para ficar, já apetece umas comidinhas mais quentes e ligar o forno já não é um problema, até pelo contrário...Para o jantar fiz um quibe vegetariano, para aquecer a cozinha e o estômago:

Ingredientes(para 4 pessoas):
1 chávena(chá) de trigo para quibe(bulgur)
1 chávena(chá) de cenoura ralada
1 chávena(chá) de courgette ralada
1 cebola pequena picadinha
1 colher(sopa) de hortelã picada
sal e pimenta preta q.b.
2 tomates maduros fatiados
queijo mozzarella curado em fatias ou ralado q.b.
oregãos
azeite
Preparação:
Ponha o trigo de molho em água por cerca de 1 hora(o nível da água deve ultrapassar 1cm acima da superfície do trigo). Passado este tempo, escorra bem o trigo e esprema num pano. Junte a cenoura, a courgette, a cebola e hortelã. Tempere. Num pirex untado faça uma camada, calcando bem  com uma colher. Espalhe o queijo, o tomate e oregãos. Faça mais uma camada e regue com um fio de azeite. Leve ao forno pré-aquecido por 20 a 30 minutos. 
Servi com salada verde.
Obs: O meu quibe ficou um pouco "baixinho" porque usei um pirex grande demais, aconselho um recipiente de aproximadamente 20X20, não muito maior.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

# 11 Segunda sem carne

Sei que tenho estado um pouco ausente daqui e também na visita aos vossos cantinhos, mas é por uma boa causa...que depois irão saber e ver...Hoje, como vem sendo habitual foi uma segunda feira sem carne. 
Fiz para o jantar uma massa parecida com o da semana passada, mas igualmente deliciosa.

Ingredientes(para 1 pessoa):
Uma porção de talharim biológico(ou outra massa a gosto).
Cerca de 10 grs de alga Wakame (incha bastante ao ser demolhada)
2 colheres(sopa) de rebentos de feijão em lata
1 punhado de feijão verde(vagem)
1/2 pimento
1 cebola pequena
1 colher(sobremesa) de sementes de sésamo
1 colher(sobremesa) de uvas passa
Azeite, sal, molho de soja, pimenta preta
Preparação:

Coloque a alga para demolhar em água temperada com molho de soja por 20 minutos. Leve a massa e o feijão verde cortado às tiras para cozer em água abundante, temperada com sal e azeite, até fical al dente. Entretanto coloque uma frigideira anti aderente ao lume com um fio de azeite. Acrescente a cebola cortada em meias luas finas. Deixe murchar. Junte o pimento, os rebentos de feijão, as algas cortadas aos pedaços tendo o cuidado de dispensar o veio duro que algumas contém.  Juntar as uvas passa. Temperar com molho de soja. Juntar a massa e o feijão verde e misturar bem. Na hora de servir polvilhar com as sementes de sésamo e pimenta preta. Acompanhei com grelos de nabo cozidos.



Sobremesa: Uma deliciosa e especial  manga. Especial porque foi cultivada cá em Portugal, na região do Algarve. Há anos que não comia uma manga tão deliciosa e perfumada. Fiquei fã, pena que só há nos meses de Setembro e Outubro, mas vale a pena esperar.

sábado, 15 de outubro de 2011

Comunicação "interdimensional"

Há 20 anos atrás, num domingo de Agosto, a jovem estava na terra de origem  da  mãe,  algures no centro de Portugal. Na véspera tinha sido o casamento da prima C. e como é habitual nestas festas, há comida e diversão a valer. Começa-se logo cedo na casa dos noivos, com os convidados respectivos, prolongando-se pelo dia inteiro. No outro dia a família mais próxima ainda vai "ajudar" a dar cabo das sobras. 
Como convidada da noiva lá estava ela a demandar mais umas iguarias. Durante a tarde já estava um pouco cansada e não conseguindo engolir nem mais um pedaço de pudim,  resolveu voltar para a casa do seu avô para relaxar um pouco, enquanto a família bravamente continuava. 
Sentou-se na pequena sala com uma revista antiga, que era a  única leitura que lá havia e gostou de estar finalmente a saborear o silêncio fresco, sozinha, com o sol a entrar de mansinho pela janela, depois de tanta agitação. Ouve passos vagarosos e nítidos no soalho do corredor. Chamou pelo avô e os passos cessaram de repente. Achou estranho, levantou-se, vasculhou todos os cómodos. Não encontrou ninguém, sabia que não encontraria. Saiu para o quintal e estava tudo calmo naquela quente tarde de verão.Tudo, menos o seu coração, que batia apressado dentro do peito, porque no seu íntimo pressentiu que aqueles passos não foram produzidos por algo material, sentiu, porque conhecia a sensação, o arrepio... mas desta vez foi diferente, identificou qual era a origem do sinal, era de sua avó querida, que tinha falecido uns anos antes. Por um lado estava assustada e surpreendida, por outro arrependida por não ter esperado, e as saudades invadiram-na, as lembranças de infância sucederam-se rapidamente na sua cabeça, qual caleidoscópio. Entretanto o seu avô chegou e ela perguntou-lhe, mesmo sabendo qual era a resposta, se ele não tinha lá estado há uns minutos atrás e evidentemente respondeu-lhe que não. Os seus olhares encontraram-se e ele sabia porque ela lhe perguntara aquilo, porque conhecia bem os "movimentos" daquela casa. 


A vida passou para aquela jovem e agora é uma mulher em plena maturidade. Hoje em dia as comunicações desse tipo cessaram. A vida preenchida, as preocupações, a inexistência de tempos em branco não permitem que haja "rede". 
Contudo, com essas experiências, aprendeu que pode contar com "quem" está em outra dimensão, sabe que conseguem se comunicar mais subtilmente sem usar a linguagem, pelo coração e pelo cérebro. Sente que existe algo mais, alguns lhe chamam alma, espírito, energia, centelha, não conhece o nome, só entende que esse algo está dentro dela, ultrapassa a barreira física e perdurará além da morte.

A receita, não poderia ser outra:




Foi esta a minha participação na 8ª fase da Blogagem Colectiva Fases da Vida, Vida para além...

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

# 10 Segunda sem carne

Dez segundas sem carne é um óptimo motivo para comemorar! E foi o que fiz, ao jantar, saboreando uma deliciosa Massa do Mar. Foi bom lembrar os saudosos dias de praia, nas férias, e até o calor que se tem sentido ultimamente, ajudou a compor o cenário. Esta combinação de ingredientes ficou maravilhosa, o tofú de algas, que vi pela primeira vez aqui no blogue da Rute, recorda vagamente o gosto do atum, mas sem ser oleoso, também fiquei super fã! Para potenciar o sabor juntei algas marinhas, Wakame. Um verdadeiro manjar rico em minerais, totalmente vegetal, fácil de fazer, de comer e de digerir!

Ingredientes(para 1 pessoa):
Uma porção de talharim biológico(ou outra massa a gosto).conchinhas também ficava lindo!
Cerca de 10 grs de alga Wakame (incha bastante ao ser demolhada)
125 grs de tofú com algas
1/2 cenoura em fios
1 cebola pequena
1 dente de alho
1 colher(sobremesa) de sementes de sésamo
Azeite, sal, molho de soja, pimenta preta
Preparação:
Coloque a alga para demolhar em água temperada com molho de soja por 20 minutos. Leve a massa à cozer em água abundante, temperada com sal e azeite, até fical al dente. Entretanto coloque uma frigideira anti aderente ao lume com um fio de azeite. Acrescente a cebola cortada em meias luas finas e o dente de alho bem picado. Deixe murchar. Junte a cenoura e as algas escorridas, cortadas aos pedaços tendo o cuidado de dispensar o veio duro que algumas contém.  Juntar o tofú aos pedaços. Temperar com molho de soja e pimenta preta. Juntar a massa e misturar bem. Na hora de servir polvilhar com as sementes de sésamo. Eu acompanhei com grelos de nabo cozidos.

Abóbora recheada

Quando vi estas courgettes recheadas no blogue da Josy, tive uma ideia, ou melhor uma Amizadeia, porque foi uma inspiração provocada pela amizade. Actualmente tenho amigos espalhados pelo mundo(que chique!), mas que me ensinam tanto como se estivessem perto de mim, a tomar um café na mesa da cozinha. Gosto de todos os pratos que a Josy faz, porque sente-se que cozinha por prazer para sua família e tudo o que é feito com amor espelha isso, mesmo no espaço virtual, além de ser uma pessoa muito afável e querida, que me visita sempre e nunca vai embora sem deixar um comentário especial. 
Gostei particularmente desta receita porque foi uma maneira engenhosa que a Josy teve de reaproveitar as cascas das courgetes que tinha utilizado em outra receita. E foi aproveitamento em todos os sentidos: de sabor, de vitaminas, de fibras, de menor produção de lixo e de menor gasto, afinal compramos o legume com casca!

Tinha por cá umas abóboras pequeninas que ia utilizar em sopa, mas tiveram um destino mais criativo, hoje ao almoço preparei uma delas, recheada para mim. Além da apresentação bonita ficou um prato delicioso! Depois de pronta parte da casca ficou comestível!

Alguém tem mais ideias?

Ingredientes (para 1 pessoa):
1 abóbora moranga pequenina
1/2 chávena de trigo para quibe(bulgur)
1 cebola pequena picada
1/2 chuchu
1 colher (sopa) de folhas de hortelã picadas
2 fatias de queijo flamengo
1 tomate pequeno e 1 azeitona para enfeitar
Sal, pimenta preta, azeite e orégãos
Preparação:
Ponha o trigo de molho em água por cerca de 1 hora(o nível da água deve ultrapassar 1cm acima da superfície do trigo)
Corte uma tampa à abóbora, tire as sementes e leve ao microondas por alguns minutos para que seja mais fácil a operação de retirar a polpa. Deixe arrefecer um pouco e escave com cuidado a polpa, conservando a casca.
Rale o chuchu e desfaça um pouco de polpa da abóbora, cerca de 1/2 chávena, misture com a cebola picada, a hortelã e o trigo bem escorrido (esprema num pano).Tempere com sal e pimenta e encha a casca da abóbora reservada, pressionando bem.
Disponha por cima as fatias de queijo, o tomate e a azeitona, polvilhe com orégãos e regue com um fio de azeite. Ponha numa assadeira, cubra com papel de alumínio e leve ao forno  160º C por cerca de 40 minutos. Retire o papel e deixe dourar levemente. Servir com salada verde.

Com o que sobrou da polpa da abóbora fiz um bolo, que depois publicarei.

sábado, 8 de outubro de 2011

De onde vem a nossa comida?

Dias preenchidos...Cidades superlotadas...Caos! Final de uma sexta feira: fazer compras numa grande superfície, onde tudo vem embalado, a salada já lavada e ensacada, a fruta brilhante de parafina ou triturada acondicionada em caixinhas, o leite pasteurizado, o peixe congelado embalado, a carne em cuvetes plastificadas. Chegar em casa com montes de sacos plásticos, colocar qualquer comida pronta no microondas e comer em frente à uma televisão aos berros.  Este é um cenário vivido por milhares de pessoas em várias partes do mundo. Se eu me materializasse em frente à uma família que tivesse vivido um fim de sexta feira desses e perguntasse: De onde vem a vossa comida? Acho que pelo menos me olhariam com estranheza,  talvez me atirassem com uma lata de refrigerante(espero que vazia!). 
É triste pensar que a maior parte das pessoas, ao se alimentar, nem faz a mínima ideia da origem do que está a comer, de onde veio ou como foi feito. Quanto mais processado o alimento, mais fácil de ingerir, menos trabalho a manipular e menos tempo para pensar nos milhares de calorias aportados. Esta forma de se alimentar é uma espécie de escravidão hipnotizadora, pois a indústria de alimentação tem os seus pozinhos de pirlimpimpim para que as pessoas se tornem cativas do seu sabor e enriquecer largamente o bolso dos seus donos.
Por outro lado, em outras partes do mundo, outras  pessoas morrem à fome, numa brutalidade atroz,  hipnotizados também,  e atrofiados pela carência, incapazes de agir da melhor forma para combater o seu fim. 
Ambos os extremos são perigosos, levam à morte  aos milhares, mais dia menos dia! 
E mesmo quem está a meio da escala,  pode facilmente descambar para um dos extremos, hoje em dia tudo é possível, com a rapidez com que as situações se modificam.

No meio disto tudo, sinto-me uma pessoa privilegiada. Da maior parte dos alimentos que consumimos cá em casa é possível saber a sua origem. Mas sei que as minhas escolhas também fazem a diferença! E nem sempre é fácil ou cómodo, é preciso perder tempo, andar bem informada e até deixar de comer o que apetece, simplesmente porque não é época ou é potencialmente danoso para o ambiente e para a saúde.

Vou então falar um pouco das minhas opções:
Os produtos hortículas e frutas - É a maior fatia da nossa alimentação. Consumo normalmente produtos da época ou que foram congelados em tempos de fartura e quase todos são de produção familiar, da horta dos meus pais ou sogros(tenho muita sorte por isso felizmente!) O restante compro da Dna.Manuela que é uma produtora local certificada de produtos biológicos e pouquíssimo resta para comprar além disso. Se algo faltar, procuro quase sempre os mercados onde há produtos locais. Com as frutas é um pouco mais complicado, tento que sejam da época ou nacionais ou o extremo inverso compro fruta importada de locais mais pobres, que precisam daqueles poucos cêntimos que ganham para garantir, não uma vida melhor, mas a própria sobrevivência. Comecei a utilizar seriamente esse critério, depois do que li neste livro(obrigada, Rute!). Mesmo que cometa alguma extravagância neste campo, comprando uma fruta tropical rara ou algum legume fora de época sei que pelo menos, com toda a certeza, é um produto saudável.

Peixe e carne - ultimamente não tenho ingerido, mas o resto da minha família sim, aqui é a parte mais difícil e trabalhosa das compras. Peixe, só pescado no mar ou rio, de aquacultura, só se for por engano, prefiro levar menos quantidade do que comprar mais barato, a aquacultura normalmente é uma forma muito poluente e gravosa para o ambiente e bem estar dos animais marinhos. Verifico os peixes que não estejam na lista vermelha. E os melhores peixes, por incrível que pareça, são os mais baratos: a sardinha, o carapau, e não pertencem à lista vermelha! Com a carne, ainda é mais complicado. Carne vermelha, tento que o consumo seja o menor possível. Frangos e perus, evito sempre que posso, comprar os de criação intensiva, o que nem sempre é fácil, principalmente no caso dos perus. Alguns animais simplesmente estão riscados da lista: como vitela, leitão, cabrito, coelho, codorniz, perdiz e caracóis.
Ovos - tento consumir apenas os das galinhas criadas pelos meus pais e sogros , que vivem de forma melhor à solta e alimentadas com produtos naturais, e quando não há(no Inverno), compro ovos biológicos à venda nos hipermercados.
Alimentos processados - não compro pão de forma, aqui em casa o pão consumido ou é integral ou de mistura, pão totalmente branco simplesmente não entra! Bolachas, depois da criança nascer foi difícil evitar, mas tento que sejam das mais simples, Maria, tostadas ou integrais ou biscoitos caseiros. 
Café - Cá em casa uso café de filtro desde sempre, sem querer optei pelo método mais ecológico de consumir esta bebida. Uso café de comércio justo, de uma marca nacional.

Restrinjo o uso de enlatados. O atum, que antes gastava imenso, depois de ver que estava na lista vermelha, restrinjo-o.

Alguns pecados que ainda não consegui evitar - Nectar de pacote, leite pasteurizado, coca-cola, chocolate e açúcar refinado.

É claro que esta forma de nos alimentarmos dá um pouco de trabalho, perde-se algum tempo nas compras e no manuseio dos alimentos. Escolher verduras, armazenar , confeccionar dá mais trabalho do que servir-me de algo pronto. 
Mas sei que no fim, ganho a parada e isso reflecte-se na minha vida. Gasto pouco em farmácia, será reflexo da alimentação? Em grande parte creio que sim! 

Esta forma de alimentação também é mais amiga do ambiente:
- Menor produção de lixo, pelo restrito uso de embalagens.
- Menor emissão de gases, pelo menor gasto de combustível utilizado no transporte dos alimentos e pelo menor consumo de carne (a criação intensiva de animais é uma das maiores responsáveis pela produção de gases efeito estufa).
- Consumir produtos biológicos contribui para a melhoria da fertilidade do solo.  

Poderia ficar aqui o resto da noite a escrever, mas gostaria de publicar isto ainda hoje, no âmbito da Teia Ambiental.

A receita de hoje, já foi publicada anteriormente aqui


Vou só descrever a forma como os ingredientes foram adquiridos:
Batatas, da horta dos meus pais, que fica a cerca de 15 Km de distância de minha casa.  
Beldroegas, erva daninha comestível colhida por mim, de um terreno, quando vinha  para casa, à pé, depois do trabalho.
Cebolas,  mais uma produção da horta paterna
Azeitonas pretas, de produção portuguesa, compradas à granel, na feira local.
Azeite extra-virgem, puríssimo, quase um néctar dos deuses, comprado a um pequeno produtor local.
Sal, marinho, de produção artesanal portuguesa.
Vinagre de arroz, de um produtor português(este, tive que ir olhar o rótulo)
Outra receita do género: