Dias preenchidos...Cidades superlotadas...Caos! Final de uma sexta feira: fazer compras numa grande superfície, onde tudo vem embalado, a salada já lavada e ensacada, a fruta brilhante de parafina ou triturada acondicionada em caixinhas, o leite pasteurizado, o peixe congelado embalado, a carne em cuvetes plastificadas. Chegar em casa com montes de sacos plásticos, colocar qualquer comida pronta no microondas e comer em frente à uma televisão aos berros. Este é um cenário vivido por milhares de pessoas em várias partes do mundo. Se eu me materializasse em frente à uma família que tivesse vivido um fim de sexta feira desses e perguntasse: De onde vem a vossa comida? Acho que pelo menos me olhariam com estranheza, talvez me atirassem com uma lata de refrigerante(espero que vazia!).
É triste pensar que a maior parte das pessoas, ao se alimentar, nem faz a mínima ideia da origem do que está a comer, de onde veio ou como foi feito. Quanto mais processado o alimento, mais fácil de ingerir, menos trabalho a manipular e menos tempo para pensar nos milhares de calorias aportados. Esta forma de se alimentar é uma espécie de escravidão hipnotizadora, pois a indústria de alimentação tem os seus pozinhos de pirlimpimpim para que as pessoas se tornem cativas do seu sabor e enriquecer largamente o bolso dos seus donos.
Por outro lado, em outras partes do mundo, outras pessoas morrem à fome, numa brutalidade atroz, hipnotizados também, e atrofiados pela carência, incapazes de agir da melhor forma para combater o seu fim.
Ambos os extremos são perigosos, levam à morte aos milhares, mais dia menos dia!
E mesmo quem está a meio da escala, pode facilmente descambar para um dos extremos, hoje em dia tudo é possível, com a rapidez com que as situações se modificam.
No meio disto tudo, sinto-me uma pessoa privilegiada. Da maior parte dos alimentos que consumimos cá em casa é possível saber a sua origem. Mas sei que as minhas escolhas também fazem a diferença! E nem sempre é fácil ou cómodo, é preciso perder tempo, andar bem informada e até deixar de comer o que apetece, simplesmente porque não é época ou é potencialmente danoso para o ambiente e para a saúde.
Vou então falar um pouco das minhas opções:
Os produtos hortículas e frutas - É a maior fatia da nossa alimentação. Consumo normalmente produtos da época ou que foram congelados em tempos de fartura e quase todos são de produção familiar, da horta dos meus pais ou sogros(tenho muita sorte por isso felizmente!) O restante compro da Dna.Manuela que é uma produtora local certificada de produtos biológicos e pouquíssimo resta para comprar além disso. Se algo faltar, procuro quase sempre os mercados onde há produtos locais. Com as frutas é um pouco mais complicado, tento que sejam da época ou nacionais ou o extremo inverso compro fruta importada de locais mais pobres, que precisam daqueles poucos cêntimos que ganham para garantir, não uma vida melhor, mas a própria sobrevivência. Comecei a utilizar seriamente esse critério, depois do que li neste livro(obrigada, Rute!). Mesmo que cometa alguma extravagância neste campo, comprando uma fruta tropical rara ou algum legume fora de época sei que pelo menos, com toda a certeza, é um produto saudável.
Peixe e carne - ultimamente não tenho ingerido, mas o resto da minha família sim, aqui é a parte mais difícil e trabalhosa das compras. Peixe, só pescado no mar ou rio, de aquacultura, só se for por engano, prefiro levar menos quantidade do que comprar mais barato, a aquacultura normalmente é uma forma muito poluente e gravosa para o ambiente e bem estar dos animais marinhos. Verifico os peixes que não estejam na lista vermelha. E os melhores peixes, por incrível que pareça, são os mais baratos: a sardinha, o carapau, e não pertencem à lista vermelha! Com a carne, ainda é mais complicado. Carne vermelha, tento que o consumo seja o menor possível. Frangos e perus, evito sempre que posso, comprar os de criação intensiva, o que nem sempre é fácil, principalmente no caso dos perus. Alguns animais simplesmente estão riscados da lista: como vitela, leitão, cabrito, coelho, codorniz, perdiz e caracóis.
Ovos - tento consumir apenas os das galinhas criadas pelos meus pais e sogros , que vivem de forma melhor à solta e alimentadas com produtos naturais, e quando não há(no Inverno), compro ovos biológicos à venda nos hipermercados.
Alimentos processados - não compro pão de forma, aqui em casa o pão consumido ou é integral ou de mistura, pão totalmente branco simplesmente não entra! Bolachas, depois da criança nascer foi difícil evitar, mas tento que sejam das mais simples, Maria, tostadas ou integrais ou biscoitos caseiros.
Café - Cá em casa uso café de filtro desde sempre, sem querer optei pelo método mais ecológico de consumir esta bebida. Uso café de comércio justo, de uma marca nacional.
Restrinjo o uso de enlatados. O atum, que antes gastava imenso, depois de ver que estava na lista vermelha, restrinjo-o.
Alguns pecados que ainda não consegui evitar - Nectar de pacote, leite pasteurizado, coca-cola, chocolate e açúcar refinado.
É claro que esta forma de nos alimentarmos dá um pouco de trabalho, perde-se algum tempo nas compras e no manuseio dos alimentos. Escolher verduras, armazenar , confeccionar dá mais trabalho do que servir-me de algo pronto.
Mas sei que no fim, ganho a parada e isso reflecte-se na minha vida. Gasto pouco em farmácia, será reflexo da alimentação? Em grande parte creio que sim!
Esta forma de alimentação também é mais amiga do ambiente:
- Menor produção de lixo, pelo restrito uso de embalagens.
- Menor emissão de gases, pelo menor gasto de combustível utilizado no transporte dos alimentos e pelo menor consumo de carne (a criação intensiva de animais é uma das maiores responsáveis pela produção de gases efeito estufa).
- Consumir produtos biológicos contribui para a melhoria da fertilidade do solo.
Poderia ficar aqui o resto da noite a escrever, mas gostaria de publicar isto ainda hoje, no âmbito da Teia Ambiental.
A receita de hoje, já foi publicada anteriormente aqui.
Vou só descrever a forma como os ingredientes foram adquiridos:
Batatas, da horta dos meus pais, que fica a cerca de 15 Km de distância de minha casa.
Beldroegas, erva daninha comestível colhida por mim, de um terreno, quando vinha para casa, à pé, depois do trabalho.
Cebolas, mais uma produção da horta paterna
Azeitonas pretas, de produção portuguesa, compradas à granel, na feira local.
Azeitonas pretas, de produção portuguesa, compradas à granel, na feira local.
Azeite extra-virgem, puríssimo, quase um néctar dos deuses, comprado a um pequeno produtor local.
Sal, marinho, de produção artesanal portuguesa.
Vinagre de arroz, de um produtor português(este, tive que ir olhar o rótulo)
Outra receita do género:



