sexta-feira, 30 de setembro de 2011

4ª Semana Vegetariana

De 1 a 7 de Outubro vai decorrer a 4ª Semana Vegetariana que promove as razões ecológicas para uma alimentação vegetariana. Por todo o país e também a nível internacional ocorrerão várias iniciativas que visam difundir o vegetarianismo. São 7 dias dedicados a um estilo de vida saudável, ético e ecológico. 

Um futuro sustentável depende das nossas escolhas alimentares
A actividade pecuária orientada para uma dieta baseada na carne está a destruir o nosso planeta ameaçando a nossa civilização e sua prosperidade.
Desistir ou cortar no consumo de carne é a coisa mais importante que um indivíduo pode fazer para proteger o ambiente e as futuras gerações de um desastre. Essa é a razão pela qual a Semana Vegetariana deste ano vai focar-se principalmente nas razões ecológicas para se ser vegetariano ou vegano.
Este artigo considera por isso que uma grande mudança social à base de uma dieta vegetal (vegetariana ou vegana) é essencial para evitar crises climáticas, ambientais, alimentares, energéticas e uma crise de água.
Continue a ler este artigo aqui no Centro Vegetariano

Depois de já estar engajada no movimento Segunda feira sem carne, resolvi juntar-me também a esta iniciativa, praticando durante esta semana uma dieta 100% vegetariana. Por aqui serão publicadas receitas, textos e artigos subordinados ao tema.

Para quem ainda acha que alimentar-se desta forma é difícil, estranho e até dispendioso, vou deixar agora algumas sugestões de receitas que já fiz, para demonstrar exactamente o contrário e quem sabe convenço mais alguém a juntar-se nesta deliciosa, saudável e ética aventura? 

Os ingredientes são normalíssimos, encontrados em qualquer supermercado ou mercearia. É também uma oportunidade para experimentar novos sabores e receitas com ingredientes menos comuns, como o tofú, o seitan, a proteína de soja, e mesmo estes já se encontram facilmente em superfícies comerciais.

As minhas sugestões para se inspirarem:

 Salada italiana

Fusilli com favas e alho francês

 Figos grelhados com salada de mozzarella fresca
 Lasanha vegetariana de beringela
 Salada de batatas e beldroegas
Salada de figos com tofú









Deixo ainda a sugestão de blogues amigos que são vegetarianos ou veganos:


As minhas queridas companheiras da Segunda feira sem carne:

terça-feira, 27 de setembro de 2011

# 8 Segunda feira sem carne

São onze horas da noite e só agora pude me sentar calmamente para escrever. É nestes dias passados em completa roda viva que eu penso: Será que a vida de hoje é mais fácil que há uns tempos atrás? Tempos em que não havia electricidade e as pessoas eram obrigadas a parar com o cair da noite e acordar com o raiar do dia. Será que esta ânsia de querer abraçar o Mundo, fazer várias coisas ao mesmo tempo em velocidade de computador de última geração não está a transformar-nos em seres da noite, quase vampiros... Eu penso que sou uma típica criatura destes tempos. Roubar tempo ao sono para poder me dedicar àquilo que gosto transformou-me num ser meio soturno durante o dia,(de manhã cedo se falarem comigo com muita convicção, juro que mordo!), que alcança o auge da inspiração ao entardecer e se pudesse entrava pela noite dentro a divagar, deitava-me de madrugada e acordava, com sorte lá pelo meio da manhã...mas eu sou mãe de filha e esse comportamento estranho não se enquadra nessa categoria. 
Bem, estas segundas feiras sem carne estão a transformar-se em segunda feira "toca a desabafar" no blogue, vocês me desculpem, mas o meu dia começou às 7:15 da manhã, sempre a correr, a barafustar, a aturar, a resolver e terminou às 22:30 na farmácia a comprar pensos para bolhas porque a criança lembrou-se de usar umas sapatilhas novas sem meias(para me contrariar!) e lá tinha umas personagens estranhas, dentre elas um que falava meio enrolado e cujo bafo já me deixou meio zonza...

Enfim, hoje é segunda feira, o que me salvou foi ser sem carne, pelo menos sei, que não sou culpada de nenhum sofrimento animal para poder me alimentar.Ufa!

Deu para perceber que hoje, com muita sorte, só tenho receita do que fiz para o almoço

Croquetes de lentilhas
baseados nestes lindos e apetitosos da Cozinha das Cores
Cerca de 250 grs de lentilhas verdes cozidas e trituradas(ou amassadas) levemente
1 cebola grande picada
1 cenoura ralada
1/2 pimento verde picado
1 colher(sopa) de azeite
2 dentes de alho picados
2 colheres(sopa) de levedura de cerveja
1 colher(sopa) de farinha de linhaça(ou sementes de linhaça moídas)
2 colheres(sopa) de germen de trigo
Pão ralado(farinha de rosca) q.b.
Temperos: sal, caril, pimenta preta, noz moscada, hortelã seca
Preparação:
Leve ao lume a cebola, cenoura, alho, pimento e azeite. Deixe amolecer. Acrescente a lentilha e misture. Junte a levedura, farinha de linhaça, germen de trigo. Alterne com os temperos e pão ralado. Misture bem, vá provando aos poucos, para rectificar os temperos, até que a massa fique consistente mas não demasiado seca. Molde croquetes(ou hambúrgers). Pode levar ao forno, num tabuleiro untado ou frita-los numa frigideira anti aderente untada levemente com azeite(foi o que fiz hoje).

Acompanhei com salada de alface, rúcula e tomate e maionese vegetal com alcaparras e sopa de legumes, que hoje precisei de sustento!


E Sobremesa:
Puré, feito com maçãs biológicas cozidas com casca e trituradas. Polvilhei com amêndoas raladas e canela, enfeitadas com physalis.
Deliciosamente simples e bom!

sábado, 24 de setembro de 2011

Espaguete com verdes e um toque de vermelho

Esta sugestão é muito versátil, fácil e rápida de fazer, saudável e económica. Dá para levar para o trabalho, porque aquecida ou mesmo fria fica boa na mesma. A combinação de verduras e legumes é infinita. Eu como gosto e tinha fartura de verdes, foi o que usei, mas a imaginação é o limite. 

A versão de hoje foi assim:
Ingredientes(para uma pessoa)
1 porção de esparguete integral cozido
Feijão verde cozido q.b.
1/2 cebola pequena e 1 dente de alho
Azeite
2 folhas de acelga em pedaços
1 mão cheia de rúcula
1 mão cheia de nabiças(folhas de nabo) aos pedaços
4 tomates cereja
molho de soja, sal, pimenta e orégãos secos
Preparação:
Cortar a cebola em meias luas e o alho em pedacinhos. Colocar numa frigideira com um fio de azeite e levar ao lume. Quando a cebola murchar juntar a acelga, as nabiças, a rúcula, o feijão verde e o esparguete, misturar. Acrescentar os tomates cerejas levemente esmagados(fure-os primeiro com a ponta da faca, se não quiser que eles esguichem para a roupa ou paredes). Misture. Tempere. Não deixe muito tempo ao lume, os legumes devem ficar crocantes.Polvilhar com orégãos secos.
Servi com o viciante parmesão vegan, daqui.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Saúdo o Outono

Sei que está a tornar-se um pouco repetitivo, mas não consegui resistir a publicar no dia de hoje mais uma compota, desta vez de abóbora, a minha preferida e perfeita para saudar o Outono, a estação do ano que mais aprecio.

É neste tempo que faço uma retrospectiva do que foi o meu passado ano, em que aproveito para fazer qualquer mudança de vida e de hábitos, nem que sejam pequeninos detalhes. Gosto de contemplar as árvores com a folhagem avermelhada acarinhada pelo vento e iluminada pela luz difusa, passear pelas ruas enquanto não está demasiado frio e saborear o entardecer quando ainda tenho um tempo só para mim. Agrada-me esta estação exactamente por fugir da exaltação do óbvio, por ter cores e luzes mais suaves, temperaturas mais equilibradas que convidam à reflexão e calma.

Deleito-me também com o que a Natureza produz nesta época: abóboras, maçãs, peras, marmelos, castanhas, nozes, avelãs e com sorte, figos.
Para perpetuar estes sabores nada  melhor do que fazer compotas, tal como uma formiga a armazenar comida para o Inverno, armazeno compotas para o Natal que aí vem...
Ingredientes:
1 kg de abóbora descascada e cortada em pedaços
1/2 kg de açúcar
1 pau de canela
2 cravinhos da índia
1 colher(café) de gengibre em pó
Preparação:
Colocar os ingredientes num tacho e cozinhar em lume abrando até atingir o ponto de estrada. Guardar em frascos esterilizados e pasteurizar. Mais detalhes aqui.

A minha filha ajudou-me na decoração, executando a singela etiqueta. Inspirei-me nestes lindos frascos da Ilídia.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Doce de figos

Mais uma compota para a colecção de frascos que já ocupam um lugar considerável na despensa, à espera de migrarem, devidamente decorados, para uma oferta gulosa. Foram os últimos figos deste balde que tiveram este doce destino.

Ingredientes:
3 kg de figos frescos, lavados e com casca, em pedaços
1 kg de açúcar
1 pau de canela
3 cravos da índia 
1 colher(café) de gengibre em pó
Preparação:
Colocar os ingredientes num tacho e levar ao lume brando até atingir o ponto de estrada. Guardar em frascos esterilizados e pasteurizar para guardar, como expliquei aqui.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

# 7 Segunda sem carne

Estes dias têm sido algo atribulados com o início do ano lectivo da minha filha, com algumas mudanças que ocorreram e novidades no trabalho. Tudo isso somado, destruiu alguns planos que tinha feito para mim, que infelizmente só duraram uns breves dias. Vida de mãe! Mas o que não mudou nada foram as segundas feiras, que continuam a ser o dia mais mal humorado da semana, o dia em que mais custa sair da cama, o dia da preguiça e o dia sem carne, que tem sido o melhor destes dias! Hoje não houve tempo para fotografias, foi quase tudo feito a correr. Digno de foto e de ser comido foi este cachorro quente vegan, que foi o meu almoço. Aconselho a experimentarem, pois além de rápida execução, é delicioso e saudável.

Ingredientes, para um(a) apressado(a):
1 pão integral tipo baguete
1 salsicha de soja
1 tomate chucha pequeno
Rúcula ou alface, lavadas e secas q.b.
Maionese  vegetal q.b. (usei da marca Diese)
Ketchup q.b.
1 pitada de sal fino
Oregãos secos q.b.

Preparação:
Corte a salsicha ao meio no sentido longitudinal e leve-a a grelhar num grelhador anti aderente sem nada. Enquanto isso, corte o pão e barre-o com maionese e ketchup. Coloque folhas de rúcula(ou alface) e tomate cortado às rodelas finas, numa das metades do pão. Polvilhe sal e oregãos por cima do tomate. Disponha por cima a salsicha e folhas de rúcula. Feche com a outra metade, prenda com um palito e se quiser uma frescurinha a mais, enfeite com um tomatinho cereja ou azeitona. 
Uma sopa e fruta, e já estava o almoço rapidamente composto, mas nem por isso menos saudável.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Transformação


A minha inspiração parou um momento. Que sei eu da morte, se nunca a presenciei de perto…

Mas será mesmo que nunca senti a morte? 

O bebé que eu fui, onde está? Morto! Dele só tenho retratos amarelados para recordar. 

E a criança que um dia brincou à roda e aprendeu a ler? Está algures congelada no tempo e não passa de uma mera lembrança. 

A adolescente voadora estacionou no céu como uma estrela imóvel, apenas vive dentro da minha imaginação, está morta para a realidade carnal. 

A jovem esbelta, que sempre se achou imensa, com uma vida enérgica e que gostava de sair à noite, adormeceu para sempre num domingo de manhã e nunca mais acordou. 

A noiva, que no dia 15 de Setembro, de há 9 anos, entrava pela capelinha de braço dado com o seu amor, está aprisionada dentro de um grosso álbum de fotografias guardado numa arrecadação, com o sorriso de felicidade cristalizado para sempre no rosto. 


A mãe recente com o bebé nos braços, ansiosa por saber se o seu choro era de fome ou de dor, não existe mais… e até o bebé que acarinha está morto, incontestavelmente morto. Rapidamente, sem tempo para pensar os anos transmutaram-se em minutos, e viu-se a mãe com uma criança pequenina, que também já se foi embora a correr atrás de uma bola e hoje é uma criança grande, que desenha uma letra muito redondinha, mas que também sucumbirá. 

Quantas mortes já assisti e assistirei, sem pesar, sem luto e sem direito à lápide no túmulo, porque só me apercebo delas quando o esqueleto já virou pó e o arrependimento surge, de não ter convivido melhor com estes outros "eus", de não os ter tratado bem. Resta o amargor por não ter agido de outra forma em diversas situações que agora já não voltam mais. 

Que saudades tenho dessas pessoas que fui e que agora não existem mais! Acredito, como algumas tribos, que a máquina fotográfica rouba-nos a alma e ela permanece aprisionada no papel e na lembrança daquilo que fomos.

Se eu me debruçar sobre o abismo do passado sinto a morte em todos os cantos, vejo todas aquelas que fui a afastarem-se até se tornarem pontos minúsculos...a pessoa de ontem, que fazia compras num supermercado, ainda me agarra pela mão, mas também se afastará e se perderá no esquecimento.

Mas atrás de mim sinto a doce brisa da expectativa, para que o “eu” de hoje exista é preciso que eu tenha algum dia desaparecido naquelas muitas formas. É preciso que o Outono venha, para caírem as velhas folhas, para que adubem o que serei, para que eu floresça e dê frutos! Não tenho medo desta morte, ela é sabedoria, é renovação, é conhecimento!
É o ciclo se renovando, como a natureza, que nunca morre, apenas se transforma, assim somos nós…


Um dia as folhas caíram, a geada cobriu a terra, choveu, o rio engrossou o seu caudal,  apodreceram as folhas, tudo aquietou-se. O sol surgiu, os rebentos espreitaram e cresceram e treparam, as folhas verdes e espinhos cobriram a margem do rio, floresceram, alimentando abelhas e criaram frutos quase negros, que eu carinhosamente colhi, numa tarde de verão e que transformaram-se num delicioso bolo.


CUCA DE AMORAS

Receita daqui

INGREDIENTES DA MASSA :
3 ovos inteiros
1 chávena (chá) de leite
1/2 chávena (chá) de óleo
1 chávena (chá) de açúcar 
2 chávenas (chá) de farinha de trigo
1 colher (sopa) de fermento em pó

COBERTURA :
1 chávena (chá) de farinha de trigo
3 colheres (sopa) de manteiga (usei margarina vegetal)
4 a 5 colheres (sopa) de açúcar 
1 colher (sopa) de canela em pó ou a quantidade que gostar
2 chávenas (chá) de amoras bem cheias
 
Preparação:
COMECE COM A FAROFA : Retire os cabinhos das amoras, lave -as e escorra bem. Reserve. Misture todos os outros ingredientes com as pontas dos dedos até obter uma mistura húmida e granulosa. Reserve.

FAÇA A MASSA: Coloque todos os ingredientes no copo do liquidificador, começando pelos líquidos e bata até ficar homogêneo.
Coloque a massa em uma forma rectangular de aproximadamente 32x22cm, untada e enfarinhada.
Por cima da massa distribua as amoras e por cima delas salpique a farofa, se os grumos estiverem grandes esmague-os com os dedos antes de salpicar.
Leve ao forno médio até dourar, teste inserindo um palito que deverá sair seco, a farofa de cima não costuma ficar muito dourada, então preste atenção nas laterais do bolo.

Esta foi a minha participação no 7º tema, a Morte, da Blogagem Colectiva Fases da Vida.