A minha inspiração parou um momento. Que sei eu da morte, se nunca a presenciei de perto…
Mas será mesmo que nunca senti a morte?
O bebé que eu fui, onde está? Morto! Dele só tenho retratos amarelados para recordar.
E a criança que um dia brincou à roda e aprendeu a ler? Está algures congelada no tempo e não passa de uma mera lembrança.
A adolescente voadora estacionou no céu como uma estrela imóvel, apenas vive dentro da minha imaginação, está morta para a realidade carnal.
A jovem esbelta, que sempre se achou imensa, com uma vida enérgica e que gostava de sair à noite, adormeceu para sempre num domingo de manhã e nunca mais acordou.
A noiva, que no dia 15 de Setembro, de há 9 anos, entrava pela capelinha de braço dado com o seu amor, está aprisionada dentro de um grosso álbum de fotografias guardado numa arrecadação, com o sorriso de felicidade cristalizado para sempre no rosto.
A mãe recente com o bebé nos braços, ansiosa por saber se o seu choro era de fome ou de dor, não existe mais… e até o bebé que acarinha está morto, incontestavelmente morto. Rapidamente, sem tempo para pensar os anos transmutaram-se em minutos, e viu-se a mãe com uma criança pequenina, que também já se foi embora a correr atrás de uma bola e hoje é uma criança grande, que desenha uma letra muito redondinha, mas que também sucumbirá.
Quantas mortes já assisti e assistirei, sem pesar, sem luto e sem direito à lápide no túmulo, porque só me apercebo delas quando o esqueleto já virou pó e o arrependimento surge, de não ter convivido melhor com estes outros "eus", de não os ter tratado bem. Resta o amargor por não ter agido de outra forma em diversas situações que agora já não voltam mais.
Que saudades tenho dessas pessoas que fui e que agora não existem mais! Acredito, como algumas tribos, que a máquina fotográfica rouba-nos a alma e ela permanece aprisionada no papel e na lembrança daquilo que fomos.
Se eu me debruçar sobre o abismo do passado sinto a morte em todos os cantos, vejo todas aquelas que fui a afastarem-se até se tornarem pontos minúsculos...a pessoa de ontem, que fazia compras num supermercado, ainda me agarra pela mão, mas também se afastará e se perderá no esquecimento.
Mas atrás de mim sinto a doce brisa da expectativa, para que o “eu” de hoje exista é preciso que eu tenha algum dia desaparecido naquelas muitas formas. É preciso que o Outono venha, para caírem as velhas folhas, para que adubem o que serei, para que eu floresça e dê frutos! Não tenho medo desta morte, ela é sabedoria, é renovação, é conhecimento!
É o ciclo se renovando, como a natureza, que nunca morre, apenas se transforma, assim somos nós…
Um dia as folhas caíram, a geada cobriu a terra, choveu, o rio engrossou o seu caudal, apodreceram as folhas, tudo aquietou-se. O sol surgiu, os rebentos espreitaram e cresceram e treparam, as folhas verdes e espinhos cobriram a margem do rio, floresceram, alimentando abelhas e criaram frutos quase negros, que eu carinhosamente colhi, numa tarde de verão e que transformaram-se num delicioso bolo.
CUCA DE AMORAS
Receita daqui
INGREDIENTES DA MASSA :
3 ovos inteiros
1 chávena (chá) de leite
3 ovos inteiros
1 chávena (chá) de leite
1/2 chávena (chá) de óleo
1 chávena (chá) de açúcar
1 chávena (chá) de açúcar
2 chávenas (chá) de farinha de trigo
1 colher (sopa) de fermento em pó
COBERTURA :
1 chávena (chá) de farinha de trigo
3 colheres (sopa) de manteiga (usei margarina vegetal)
4 a 5 colheres (sopa) de açúcar
1 colher (sopa) de fermento em pó
COBERTURA :
1 chávena (chá) de farinha de trigo
3 colheres (sopa) de manteiga (usei margarina vegetal)
4 a 5 colheres (sopa) de açúcar
1 colher (sopa) de canela em pó ou a quantidade que gostar
2 chávenas (chá) de amoras bem cheias
2 chávenas (chá) de amoras bem cheias
Preparação:
COMECE COM A FAROFA : Retire os cabinhos das amoras, lave -as e escorra bem. Reserve. Misture todos os outros ingredientes com as pontas dos dedos até obter uma mistura húmida e granulosa. Reserve.
FAÇA A MASSA: Coloque todos os ingredientes no copo do liquidificador, começando pelos líquidos e bata até ficar homogêneo.
Coloque a massa em uma forma rectangular de aproximadamente 32x22cm, untada e enfarinhada.
Por cima da massa distribua as amoras e por cima delas salpique a farofa, se os grumos estiverem grandes esmague-os com os dedos antes de salpicar.
Leve ao forno médio até dourar, teste inserindo um palito que deverá sair seco, a farofa de cima não costuma ficar muito dourada, então preste atenção nas laterais do bolo.
COMECE COM A FAROFA : Retire os cabinhos das amoras, lave -as e escorra bem. Reserve. Misture todos os outros ingredientes com as pontas dos dedos até obter uma mistura húmida e granulosa. Reserve.
FAÇA A MASSA: Coloque todos os ingredientes no copo do liquidificador, começando pelos líquidos e bata até ficar homogêneo.
Coloque a massa em uma forma rectangular de aproximadamente 32x22cm, untada e enfarinhada.
Por cima da massa distribua as amoras e por cima delas salpique a farofa, se os grumos estiverem grandes esmague-os com os dedos antes de salpicar.
Leve ao forno médio até dourar, teste inserindo um palito que deverá sair seco, a farofa de cima não costuma ficar muito dourada, então preste atenção nas laterais do bolo.



