quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Salada de figos com tofu

Cheguei ontem à casa e encontrei um balde de figos que o meu marido trouxe de casa da mãe. Para uma "figómana" como eu, foi incrível como consegui resistir e não comecei a devora-los todos. Até agora fiz uma salada, doce de figo, ofereci alguns a uma amiga e ainda tenho uns quantos, que estou a pensar utilizar num bolo. Vou começar com a salada, que ficou uma loucura de boa e é muito fácil de fazer!

Ingredientes(para 1 pessoa):
1 mão cheia de folhas para salada(usei rúcula, alface e chicória)
50 grs de tofu ao natural
2 figos frescos
amêndoas e sementes de sésamo
Molho:
1 colher(chá) de mel
1 colher(sopa) de azeite
1 colher (sopa) de vinagre de arroz
1 colher(café) de mostarda
sal
Preparação:
Comecei pelo molho, misturando todos os ingredientes numa tacinha. Coloquei o tofu numa taça com um pouco de água e levei ao microondas por um minuto, em potência máxima. Deixei esfriar um pouco, cortei aos pedaços e juntei ao molho misturando bem. Reservei por 15 minutos. Entretanto arranjei as folhas(que eram fresquinhas, colhidas no dia e biológicas, uma delícia!) e dispus num prato. Cortei os figos em quartos e juntei-os às folhas. Espalhei o tofu com o molho por cima, polvilhei com as sementes de sésamo e as amêndoas cortadas em pedaços.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Os amigos animais

Quem me conhece bem sabe que eu nunca quis ter um animal de estimação. Já vem desde a infância esta tendência, e não foi por falta de tentativa dos meus pais. Sei que isso choca muita gente, já fui taxada de insensível e algumas pessoas pensam que não gosto de animais. Mas é justamente o contrário do que sinto! No meu mundo ideal e perfeito, eu imagino o ser humano num estágio tão avançado que prescindirá de domesticar os animais, deixando que eles vivam no seu habitat natural, co-existindo todas as espécies em equilíbrio, talvez uma continuação do Génesis, do Velho Testamento. Será utopia?
Não suporto ver pássaros engaiolados, peixes em aquários, ratos e porquinhos-da-índia a correr histéricos nas rodinhas, tartaruguinhas solitárias em mini ilhas, gatos e cães trancados em apartamentos, sozinhos o dia inteiro, à espera do fim do dia para um afago do dono. Não suporto ver animais sofrerem pelos seres humanos e por reflectir mais a fundo nisso, estou gradativamente a deixar de comer carne, porque penso que a maioria das pessoas se tivessem de matar os animais por suas próprias mãos, para se alimentar, jamais comeriam carne, basta um despertar de consciência (não é Rute?), um clique, para nos fazer pensar de onde vem o que colocamos no prato. Lembro-me em pequena dos meus pais criarem coelhos para consumo e quando um desaparecia, ficava tão triste e nem pensava sequer em tocar no prato. São as tais incongruências (ou não) da minha personalidade.
Não é porque não tenho um cão ou um gato a viver comigo no apartamento que não gosto de animais. Aliás a própria expressão "gostar de animais" quanto a mim é profundamente contraditória, como se o “amor” fosse a única forma de manter vivos os animais. Será que se deixarmos de “amá-los” eles morrerão? Para mim o amor tem um sentido mais abrangente, de liberdade, e não de posse e domínio…
Quando se tem uma criança a viver connosco tudo se complica ainda mais, pois a minha filha contrariamente ao que eu era, pede-me constantemente para ter um animal de estimação; pede-me constantemente para ir ao circo (lugar que jamais gostei de ir), e por mais que tente lhe transmitir os meus pontos de vista, na maior parte das vezes o peso da sociedade se impõe.

A situação causada pelo homem com a domesticação e uso dos animais (tráfico ilegal de espécies, caça furtiva, uso de peles e partes de animais, consumo exagerado de carne, leite e ovos, etc) e a destruição do meio ambiente levam e levarão à extinção várias espécies e se formos mais além, até de nós próprios.

Há um tempo atrás se me convidassem para ir a um Jardim Zoológico, não era um programa que gostasse de fazer, achava sempre deprimente. Hoje em dia a minha opinião está a mudar, frequento várias vezes por ano o Zoo de Lourosa, o único Parque ornitológico do país, que se dedica inteiramente às aves. Lá vivem várias espécies, dos 5 Continentes, algumas ameaçadas, em que dentro do exequível tenta-se recriar o seu habitat natural, para que seja possível a sua continuidade. Realizam-se várias acções educativas por ano, todos os alunos do concelho visitam este espaço, conhecendo as várias espécies, seus hábitos, a alimentação, os perigos que enfrentam, tudo isso dentro de um amplo espaço natural, onde não falta um parque infantil e esplanada.

No meu sonho do futuro (sei que terei de viver milhares de vidas até que isso aconteça!), não será preciso existir estes lugares, pois o homem tomará consciência do equilíbrio da natureza, o seu conhecimento será usado para melhorar o ambiente, permitindo que todos os seres vivam plenamente, em liberdade, e até o Homem não será mais escravo de si próprio no dia em que se libertar do “ter” porque tudo já lhe foi dado, só é preciso respeitar…
Hoje não deixo nenhuma receita, apenas uma sugestão, deliciosa, natural e vegetal:

Um delicioso prato de fruta fresca!

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

# 5 Segunda sem carne


Parece que o Verão está a despedir-se. Hoje o dia foi soalheiro, mas já se sente aquela brisa mais fresca que agita as folhas das árvores tornando-as cor de prata: este costuma ser o primeiro sinal que o meu cérebro acusa da chegada próxima do Outono, e esta estação já pede comidas mais quentes para “aconchegar” o estômago. Não é por ser composta apenas de vegetais que a comida terá de ser insípida e pouco saciante, antes pelo contrário, os estufados e molhos ficam mais coloridos e apurados, especialmente com a ajuda das leguminosas e as especiarias que dão o toque final.
Hoje, a minha primeira segunda-feira, depois das férias :( foi assim:
Pequeno-almoço:
Pão barrado com compota de maçã e tomate, cuja receita publiquei aqui ontem, e uma chávena de café. Apetecia-me cobrir o pão com uma camada generosa de compota, mas a balança não quer colaborar nisso.

Almoço:
Alheira vegetariana salteada com nabiças e espinafres
Levei ao lume uma frigideira anti-aderente sem nada. Acrescentei o recheio de ½ alheira vegetariana, cebola e alho picadinhos. Deixei apurar. Entretanto arranjei uma boa mão cheia de nabiças e espinafres. Desliguei o lume e mexi bem, para murchar as folhas e misturar tudo. Polvilhar com sementes de sésamo. Servi com salada de tomate e alface e tostas integrais.
Sobremesa – 1 tangerina
Muito importante - Os alimentos ricos em vitamina C facilitam a absorção do ferro proveniente dos vegetais, daí a combinação verduras de folha verde escura + tangerina!

Jantar:
Farinha de pau veggie
Já falei da farinha de pau aqui. É uma comida tradicional, que se dava aos bebés quando começavam a comer as primeiras sopinhas. Hoje em dia, parece que está um pouco fora de moda, mas lembro-me, na minha infância de ver o meu avô regalar-se com um pratinho dela quentinha. E como quem sai aos seus não degenera adoro um pratinho de farinha de pau quando o tempo começa a esfriar. Hoje fiz uma versão completamente vegetal e ficou deliciosa, a partir de hoje é a minha preferida!

Arranjei uma mão cheia de nabiças e cortei-as em juliana. Reservei. Num tachinho dispus: cebola, alho, ½ cenoura, 1 tira de pimento vermelho e feijão verde, tudo bem picadinho, reguei com um fio de azeite e levei ao lume até que a cebola murchasse. Acrescentei 1 colher de sopa de feijão cozido e 1 colher sopa de molho de tomate caseiro (pode substituir por ½ tomate sem casca). Temperei com 1 pitada de açúcar, molho de soja, 1 pitada de sal, noz-moscada e pimenta Assim que o molho começou a ferver juntei cerca de ¾ de chávena de água a ferver. Juntei 2 colheres (sopa) cheias de farinha de mandioca, em chuva, e mexendo rapidamente para não ficarem grumos. Acrescentei as nabiças cortadas, mexi, rectifiquei temperos e desliguei. Servi, polvilhada levemente com parmesão vegan (receita aqui).
Soube tão bem!

Entre as refeições, intercalo fruta, iogurte de soja e umas bolachinhas integrais e claro, água, muita água!

domingo, 4 de setembro de 2011

Compota de maçã e tomate

Gosto muito de fazer(e de comer!)compotas. Aprecio a  mistura de frutas, mas nesta combinação estava um pouco receosa do resultado, depois de prova-la achei uma das melhores compotas que fiz até hoje. E o estoque vai crescendo, para consumir e oferecer!
Ingredientes:
800 grs de tomate, sem pele, cortado aos pedaços e escorrido.
800 grs de maçã, descascada e cortada em cubos
800 grs de açúcar
1 colher(café) cheia de gengibre em pó
1 pau de canela
Preparação:
Colocar os ingredientes num tacho ao lume, ir mexendo e pisando a maçã, até que esteja no ponto de estrada.Se quiser poderá usar a varinha mágica. Eu gosto de sentir os pedacinhos da fruta. Guarde em frasco esterilizados e se quiser que dure mais, pasteurize-os. Já expliquei o processo aqui.

Tarte preguiçosa...

 ...para um adulto, mas que foi a felicidade para uma criança numa tarde chuvosa de Sábado.

Nestes dias cinzentos tenho aproveitado algum tempo livre para fazer algumas compotas e doces para usufruir da fartura de fruta desta época. A minha filha fica qual abelha à minha volta, querendo brincar ajudar na cozinha. E hoje foi um dia destes. Lembrei-me, então, desta receita de tarte, que fez furor na minha adolescência, talvez pela forma inusitada e fácil da confecção, que seria perfeita para uma criança de 7 anos se entreter. E assim foi, a cozinha ficou um pouco enfarinhada, mas foi divertido! Além disso aproveito sempre estes momentos para lhe incutir alguns ensinamentos, que no meio da brincadeira, entram rapidamente na cabecinha para nunca mais sair. 

Eis alguns conceitos que foram abordados nesta "aula"culinária:
- Conceito de índice, ordem alfabética, procurar a receita, ler e compreender.
- Regras de higiene:Lavar as mãos antes de manusear os alimentos e prender o cabelo.
- Organização: Reunir os ingredientes e utensílios, antes de começar.
- A embalagem plástica da canela, para onde vai? Para a reciclagem, ecoponto amarelo.
- A fruta biológica/fruta comercial, quais as diferenças entre elas.
- Os ovos, de onde vem, quais os melhores(das galinhas do campo, no caso da casa da avó) e porque.
- De onde vem a farinha e o açúcar.
- Diferenças entre manteiga e margarina.
- O fermento faz crescer os bolos.
- As medidas e quantidades.
- O porque de partir um ovo, separadamente, antes de o juntar ao resto dos ingredientes, para evitar que estrague a massa caso não esteja em condições.
- Verificar o tempo, aprendizagem das horas.
- A valorização da cozinha caseira/tradicional em detrimento da industrial
- E sobretudo aprender a fazer a tarte e compreender  que não é preciso muito para ter momentos felizes, como este!

do livro Receitinhas para você - Coleção Sesi - 1985
Ingredientes:
4 maçãs grandes ou 5 pequenas
2 colheres(sopa)de manteiga ou margarina para untar usei óleo em spray
3 ovos usei biológicos
canela em pó
vinho branco - 3 colheres de sopa mais ou menos - usei 2 colheres (sopa) de vinho do Porto (lembrei-me das gemadas com gotas de vinho do Porto que o meu pai me dava em criança...)
10 colheres(sopa) de açúcar
1 colher(sopa) de fermento em pó
10 colheres(sopa) de farinha de trigo não muito cheias!

1 - Colocar em um pirex, untado com manteiga ou margarina(ou óleo), as maçãs cortadas em gomos ou fatias grossas. esta parte foi comigo ;)
2 - Polvilhar por cima a canela. Derramar o vinho.
3 - Misturar  o açúcar, a farinha, o fermento e polvilhar por cima.
4 - Por último, colocar os ovos batidos(clara e gema)- partir os ovos e bate-los é o momento mais ansiado da receita, estão a imaginar!
5 - Deixar  em repouso sem mexer, durante uns 15 minutos, para que os ingredientes líquidos penetrem nos secos.ficou 30 minutos
As colheres de farinha foram muito cheias, devia levar menos!
6 - Levar a massa ao forno brando durante 20 minutos mais ou menos. Quando perceber que está assada, aumentar o calor do forno para dourar a torta.

sábado, 3 de setembro de 2011

No aproveitar é que está o ganho - Bolinhos de arroz

Não gosto de deitar comida fora, por vários motivos. O primeiro, óbvio e que está entranhado em nós desde a infância: existe tanta gente no mundo a passar fome e nós a desperdiçarmos comida. E se pensarmos no tempo, energia, dinheiro, água e amor ... que consumimos para confeccionar uma refeição e depois deitar isso tudo ao lixo, parece coisa de malucos...E ainda tem o problema do lixo, que já abordei aqui
É claro que engolirmos a comida sem vontade e sem necessidade, apenas para não a deitar fora, também não é nada bom para o nosso organismo. O ideal é fazemos pouca quantidade, é melhor faltar do que sobrar (é, hoje o meu lema é esse e não o contrário!). No entanto ter sobras é quase inevitável e porque não converte-las em algo diferente, que será consumido na próxima refeição. Hoje foi o que fiz com uma chávena de arroz que estava sobrando no frigorífico, transformou-se nuns bolinhos deliciosos e bastante nutritivos. O milagre da multiplicação! Os ingredientes podem ser outros de acordo com o que tenha na despensa e o que a sua imaginação ditar. Baseei-me na receita deste blogue, que infelizmente está parado, mas espero que um dia retorne à actividade pois tem receitas óptimas.

Ingredientes(para 15 bolinhos):
1 chávena(chá) de arroz cozido
1/4 chávena de água morna
1/2 cebola pequena picada
1 dente de alho
1 colher(sopa) de farinha de sementes de linhaça(ou moer as sementes)
1 colher(sopa) de flocos de aveia
1 colher (sopa) de parmesão vegan (receita aqui, no arroz da Avó Luísa)
1 colher(sopa) de feijão cozido
2 colheres(sopa) de farinha de milho
3 colheres(sopa) de farinha integral(pode ser necessária mais quantidade) 
1 colher(sopa) de sementes de papoila 
Salsa picada, sal, molho de soja, noz moscada, páprica, pimenta preta, ou outros temperos de sua preferência.
Óleo de amendoim para fritar
Preparação:
Numa taça colocar todos os ingredientes, excepto as farinhas, as sementes de papoila, a salsa e os temperos. Triturar com a varinha mágica ou liquidificador. Junte as farinhas, as sementes de papoila e os temperos, prove e rectifique a quantidade de farinha e temperos. Faça bolinhos, com a colher ou bolinhas e frite-os em óleo quente. Escorra em papel toalha. Sirva com uma boa salada ou legumes.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

As migas deliciosas das amigas

Embora não seja uma blogagem colectiva, quase parece, e eu como estou  a ficar viciada nestas andanças, alinhei nesta Amizadeias e em bom tempo o fiz, porque estas migas ficaram um verdadeiro manjar! Há tempos que um prato não me dava tanto prazer a comer! 
E a história foi assim: A Belocas, do Iguarias Caseiras lançou o mote, a Claúdia na Cozinha repetiu a façanha a Rute viu, gostou e partilhou e eu fui atrás do comboio. É assim, nas Amizadéias, tipo bola pinchona espalhando ricochetes de inspiração pelo país de Sul a Norte e quem sabe para fora daqui...

Foi assim que eu fiz - hoje foi só pra mim :)
Coloquei uma frigideira anti aderente ao lume, deitei um fio de azeite, cortei pra lá 1 cebola pequena às meias luas, 1 pimento vermelho pequeno às tirinhas fez-lhe companhia e  para alegrar a festa juntei 1 tomate maduro sem casca aos quadradinhos, deixei-os chiar e estufar. Seguiram-se 2 batatas médias cortadas em palitos não muito grossos. E estufaram mais um bocadinho e trocaram sabores.
Acrescentei um toque oriental com molho de soja. Quando a mistura começou a secar juntei água a ferver e deixei cozinhar. Fui provando e temperando com sal, pimenta e uma pitada de açúcar para reduzir a acidez e juntando borrifos de água a ferver. Quando as batatas começaram a amolecer (tem de se ter um pouco de paciência!) fui amassando-as com um pisador(pode ser com as costas da colher ou garfo). 
A mistura já estará mais sequinha e compacta. Adicionei uma mão cheia de espinafres, que cobriram tudo e gostei, como gosto sempre do milagre de os ver murchar. Achei que ainda faltava algo, porque não me apeteceu fazer mais nada para acompanhamento e eu já estava a desmaiar de fome(almocei uma sopa em pé, ninguém merece!), juntei então um bocadinho de feijão cozido(cerca de 1 chávena de café). 
Mexi, apaguei o lume, deitei no prato com um restinho de salada crua, tirei as fotos e ao ataque: hummmm! A chuva a cair e eu a deliciar-me com este pratinho, ainda espantada em como ingredientes tão simples podiam resultar numa coisa tão boa e confortável!

Obrigada, Amigas!