Para comemorar o 2º aniversário do blog
Espiritual-idade, participo hoje na festa virtual para a qual Rosélia gentilmente me convidou, com o tema
O que é a Espiritualidade para mim.Difícil de definir, no entanto fácil de sentir, penso que a espiritualidade existe em todos nós, pelo menos para aqueles que crêem que existe algo que nos move além da matéria.
Perde-se no tempo quando aprendi e absorvi em meu ser a ideia da existência de Deus. Será que já nasci com ela?
Depois do meu Nascimento, em São Paulo, Brasil, meus pais, cristãos católicos, baptizaram-me com 2 meses de idade, na Igreja de Santo António, disso, como é óbvio, não me recordo, mas tenho um álbum de fotografias e o vestidinho cor de rosa que usei nessa ocasião.
Na minha Infância, fui estudar para um colégio católico, o Colégio Nossa Senhora do Sagrado Coração. Desse tempo recordo-me bem. Junto com a aprendizagem das primeiras letras e números, havia as aulas de ensino religioso. A imagem que mais me marcou nessa fase foi a de Irmã Geralda, numa das primeiras aulas, em que à medida que nos narrava a criação do mundo, descrita no primeiro capítulo da Bíblia, o Génesis, ia desenhando no quadro a sua evolução, com giz colorido, e nós assistíamos maravilhados, encantados com sua bela voz de negra e o desenho lindíssimo que ia nascendo de suas mãos e que ocupava o quadro todo. Essa foi a primeira ideia que me lembro da existência de Deus e foi muito positiva.
Cantávamos muito, acompanhados de violão que algumas freiras tocavam e as nossas orações, hoje sei disso, eram muitas vezes meditações feitas com olhos fechados e com música muito doce, como a conversar com Deus dentro de nós. Lembro-me também que o Colégio promovia várias acções beneficentes de solidariedade social em que todos participavam e envolviam toda a família.
Na 4ª classe meus pais resolveram passar uma longa temporada cá em Portugal (8 meses) e fiz cá a minha Comunhão, foi algo que também me marcou e pude perceber várias diferenças que haviam no ensino religioso, tive um choque quando apercebi-me que não sabia de cor várias orações, como o ato de contrição, mas a febre da novidade fez-me ultrapassar isso tudo. Lembro-me desse dia, de vestido branco e em que fui ler ao lado do padre gigante (ele mede 1,90m!) e da festa, em que fui a personagem principal e sentei-me na cabeceira de uma mesa muito comprida.
Ao entrar na
Adolescência, Deus entrou-me na minha natureza inquieta, ao ingressar para o grupo
Renovação Carismática Católica, através dos dons do Espírito Santo, em experiências que chegavam a ser transcendentes e muito intensas. Lembro-me desses tempos em que todos parecíamos cheios da graça, vivíamos a cantar músicas religiosas e até aqueles mais rebeldes ficavam envolvidos. Em alguns momentos lembro-me das expressões serenas das freiras, e só depois compreendi...que esta euforia não duraria muito, as hormonas também eram um pouco culpadas disso. Mas esses tempos foram importantes para aprender a olhar para dentro de mim, a meditar, aprender que Deus existe pela beleza do mundo e de suas obras, deixei para trás o materialismo necessário da infância e ingressei no Mundo começando pela porta do meu ser.
Na minha Juventude, houve a mudança para Portugal, e foi também marcada pelo meu abandono da religião. Mas não de Deus. Nunca deixei de falar com Ele, em meu coração, como havia aprendido, mas os rituais da Igreja já não faziam mais sentido para mim. A espiritualidade tomou outro sentido, foi nessa fase que comecei a ler sobre diversas culturas e religiões, mas os estudos tomavam-me muito tempo e nesse campo foi quase que um adormecimento, um coma, em que Deus era como um amigo, que estava presente no meu dia a dia, nos meus momentos de solidão, aflição e também de alegria, mas de uma forma mais íntima e solitária.
Com a Maturidade, fase em que me encontro, a universalidade de Deus, é para mim quase uma certeza. Penso que Deus existe, acima de qualquer religião. Não penso que para acreditarmos Nele, é necessário pertencer a um grupo, mas também acho que se a pessoa se sentir bem, é uma escolha pessoal, que eu respeito. A única coisa que a mim causa-me impressão é quando a religião motiva a desunião das pessoas, e infelizmente, nesse campo tenho uma experiência familiar. É incompreensível para mim, quando em nome da religião, as pessoas deixem de conviver umas com as outras, por causa de "regras" religiosas. Eu, que fui ensinada, desde pequena que se Deus criou todos nós com o dom da palavra e da audição é para vivermos em comunidade, em pleno convívio uns com os outros e se deu-nos inteligência é para sermos tolerantes e entendermos que o credo depende muitas vezes do lugar do globo onde nascemos, até da geografia e do clima! Mas Deus, é universal e existe em toda a parte, não importando o aspecto que tem para cada um!
O respeito pelos nossos semelhantes, pelo nosso Planeta, a atitude individual, mas proactiva e bondosa em relação a todos os seres é para mim a Espiritualidade, e Deus continua a representar para mim o Grande Criador e aquele mundo maravilhoso, desenhado pela Irmã Geralda é o que considero que todos devemos ter e preservar.
A minha filha está na fase da Infância, e depois de muito reflectirmos, eu e meu marido decidimos matricula-la na Catequese, na Igreja Católica, para que seja ela também a ingressar na busca individual de Deus, sem a nossa influência com as experiências pessoais de já termos trilhado esse caminho.
Espero, na Melhor Idade, continuar neste caminho e serenar ainda mais o meu espírito, mas não estagnar na aprendizagem do conhecimento, tendo Deus como uma certeza e não como uma obrigação mecânica de rituais, em que se perde a essência da Sua existência. Espero poder fazer parte do mundo e no mais pequeno dos gestos contribuir para que melhore mais, por todos nós, para ser cada vez mais belo e em que todos possam desfrutá-lo nas mesmas condições. Que todos tenham pelo menos o básico, para que possam aprender, meditar e encontrar Deus, é este o meu sonho.
E quando a Morte chegar, que seja apenas uma passagem para outro lugar, ou uma pausa para cá voltarmos outra vez, não sei... e acho que ninguém sabe, mas tenho a sensação que nada é definitivo, que o que nos anima é tão sublime, que não deve ser efémero, que vamos todos caminhando para mais perto da Perfeição, junto de Deus.
E foi com a história da minha vida, neste prisma, que descrevi o que representa para mim, a Espiritualidade.
Neste contexto, a receita do bolo que trago hoje, leva apenas ingredientes vegetais. Por nosso Planeta que Deus tão bem nos presenteou e pela inteligência que nos deu, para procurar formas menos agressivas de tratar nossos semelhantes, sejam eles irracionais ou racionais, este pequeno gesto é isto que simboliza, uma forma de se alimentar sem que disso seja necessário martizar algum ser, pelo menos hoje! E também porque para comemorar um aniversário gosto de um bolo, e deste ritual eu não abro mão!
Parabéns Rosélia! Pelo blog, pelos ensinamentos que nos trazes, pela vida missionária que tens em prol dos semelhantes, fazendo com que Deus entre nos seus corações e o Mundo seja um lugar cada vez melhor!
Bolo de frutas
Ingredientes:
2 chávenas(chá) de farinha de trigo
1 chávena(chá) de açúcar amarelo(mascavo claro)
1 colher(sopa) de fermento em pó
1/2 chávena(chá) de óleo de amendoim (ou outro de sua preferência)
1/2 chávena(chá) de sumo de maçã sem açúcar(ou outro de sua preferência)
2 colheres(sopa) de sementes de linhaça moídas(opcional)
1 pitada de canela
1 pitada de erva doce em pó
2 chávenas(chá) de maçã cortada em pedaços
1 banana cortada em pedaços
1 fatia pequena de melão cortada em pedaços
Preparação:
Triture as frutas juntamente com o óleo e o sumo de maçã no liquidificador ou usando a varinha mágica, até que se forme uma mistura lisa e homogénea. Junte o açúcar e as sementes de linhaça moídas e bata até misturar. Junte a farinha de trigo, misturando sem bater e por último o fermento, misturando levemente. Transfira a mistura para uma forma untada e coza no forno pré aquecido a 180ºC por cerca de 50 minutos. Verifique com um palito. Desenforme morno e se quiser polvilhe açúcar em pó.
O bolo tem uma textura húmida, é pouco doce mas sente-se o sabor da fruta em cada dentada, a banana domina o sabor, mas aos poucos sente-se o sabor das outras frutas.
Pode-se usar a fruta que quiser, outras combinações e até aos pedaços, o importante é manter mais ou menos a mesma quantidade e acrescentar mais sumo se necessário, para conseguir a consistência da massa.