A
gaivota "adolescente" aprendeu as suas primeiras lições de voo nas páginas dos livros onde a imaginação levava a outros mundos e paragens, mas rapidamente descobriu que vivia numa gaiola dourada. A gaivota tornou-se jovem e a vontade de aprender cada vez mais levou-a a observar com atenção o ambiente que a rodeava e começou a sentir-se presa...presa de hábitos, presa de zelos, presa pelo medo, presa no meio da multidão de uma cidade imensa...E resolveu voar para longe, voar de verdade! Apanhou um avião, atravessou o Atlântico e aterrou num país pequenino, cheio de mar, com um clima temperado, com pessoas mais reservadas mas nem por isso menos calorosas. É o país da sua origem, de onde seus pais haviam também voado, na juventude, à procura de melhor vida...E ela, na sua juventude de gaivota voltava a fazer o mesmo, retornava à casa paterna, à busca de novos horizontes.
O que procurava era mais sossego para uma personalidade mais introvertida, liberdade para sair sem medo, menos gente à volta, queria voar por paragens mais calmas e conseguiu.
É claro que nem tudo foi fácil, houve a adaptação, as saudades, mas tudo isso foi ultrapassado porque a gaivota era jovem, cheia de vida, perseverança, e...
...havia algo que a chamava, era a sua alma "gémea "que a esperava daquele lado e mal chegou, passado uns meses encontraram-se... Era maravilhoso vê-los voar juntos, descobrirem o amor, a amizade sincera, o companheirismo. Passaram a juventude juntos e nunca mais se sentiram sós.
Tinha que ser...e foi! Acredito no destino, acredito que apesar das voltas da vida o que nos está reservado acaba por se apresentar. Temos que ter o coração e a mente abertos para captarmos esses momentos, não uma espera alerta, mas uma simples aceitação, às vezes batemos com a cabeça, mas isso também faz parte da aprendizagem de viver e não "passar "pela vida. Na juventude, ainda não temos "vícios", nem estamos acomodados, queremos viver aventuras e isso nos deixa a alma e o coração libertos para aquilo que a vida nos quer ofertar.
Por isso beberei sempre desta eterna fonte da juventude: o amor e a descoberta!
Na minha mala trouxe muitos livros e lembranças que me acompanham até hoje. Antes de vir comprei um caderno e escrevi algumas receitas que marcaram a minha infância e muitos momentos especiais. O caderno ficou guardado por muito tempo, algumas receitas não eram possíveis de serem feitas, ou porque não havia os ingredientes ou porque não sabia substituí-los, mas hoje em dia encontro quase tudo e sei fazer as substituições necessárias.
A sobremesa que trago hoje é adaptada de uma receita deste caderno, com ingredientes que actualmente uso, mas a ideia base é a mesma, um doce refrescante com uma fruta bem tropical e que hoje encontramos facilmente: abacaxi.
Quem quiser fazer a sobremesa original é só seguir a receita do "caderno" tendo atenção que a lata de creme de leite substitui-se por 1 pacote(200ml) de natas, cá em Portugal.
A minha versão actual é "vegan" e bem saudável, sem corantes. Para quem quiser se aventurar:
Gelatina de abacaxi "vegan"
Ingredientes(para 6 pessoas, fiz metade da receita)
1 abacaxi picado em pedaços pequeninos
1 litro de água
Açúcar a gosto
1 colher(sopa) bem cheia de agar-agar
1 pacote de natas de soja
Preparação:
Colocar o abacaxi num tacho com a água e adoçar a gosto. Deixe cozer por 30 minutos. Adicione o agar-agar e deixe ferver por uns minutos, mexendo até dissolver-se. Desligue o fogo e adicione as natas de soja. Transfira a mistura para um pirex ou forma plástica e leve ao frigorífico. Desenforme e decore com fruta. Sirva bem fresco.
E com esta receita refrescante termino a minha participação de hoje na Blogagem Colectiva Fases da Vida: Juventude