sexta-feira, 10 de junho de 2011

Salada Lusa

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía. 
Luís de Camões


São estas as cores desta terra: o verde sempre vivo dos pinheiros, dos campos cheios de erva no Inverno, dos campos de milho no Verão. O vermelho das rosas de Santa Isabel, das papoilas do Alentejo, das cerejas. São estas as cores que me encantam, que me fizeram apaixonar por este País. E esta língua tão rica e tão poderosa, que possuímos e pela qual devemos  nos orgulhar pois Camões a fez brilhar.

Viva Portugal!

Para esta salada usei uma boa mão cheia de rúcula, um bolbo pequeno de funcho que cortei em juliana fina e escaldei em água a ferver por 3 minutos, deixando arrefecer para utilizar, 3 fatias de queijo flamengo que cortei em tiras, azeitonas pretas descaroçadas, miolo de 3 nozes. Coloquei tudo num prato vermelho. Enfeitei com um morango e temperei com sal, vinagre de arroz e azeite extra virgem.

terça-feira, 7 de junho de 2011

A casa dos meus sonhos e... um bolo "cor de rosa"

Por força da minha profissão(Engenheira Civil) estou envolvida quase diariamente na execução de projectos de habitações e na sua própria construção. É muito interessante observar as motivações que levam as pessoas a escolherem o local, a tipologia, os materiais e todos os aspectos que envolvem a realização final de uma casa. Os sentimentos que envolvem todo o processo são os mais variados, desde a ansiedade para visualizarem o primeiro desenho do sonho até a sua concretização mais lenta, na maior parte das vezes a quilómetros luz da ideia inicial...
 Habitação Social em Alvarenga, Arouca, projecto do Arqt.º Nuno Sampaio. Participei da fiscalização da obra


Eu própria, não sei se por assistir a isto todos os dias, não tenho uma ideia formada da “casa dos meus sonhos”, a minha tendência, (se calhar porque passei a vida, desde que me lembro e acho que até antes, em mudanças), é considerar a casa mais como o “lar”, para mim são as pessoas e as relações entre elas que são a alma da casa, como se o edifício ganhasse vida própria apenas ao ser habitado, portanto pouco se me importa o modelo da casa. Provavelmente o que gostaria mais de fazer é restaurar (também é reciclar!) uma velha casa abandonada. Isto não quer dizer que eu não saiba apreciar uma bela casa moderna…

Mas existem alguns aspectos ambientais que para mim são essenciais na idealização e construção de uma casa, e se em algum dia construir (ou restaurar) a minha própria casa, serão estes que guiarão o resultado final:

O ANTES:
A localização
Há pessoas que preferem morar no campo, outras no coração da cidade. Eu gosto do meio-termo (uma cidade média, com o campo à porta, muito verde, mas com os serviços essenciais bem pertinho).
O castelo que vejo da minha janela…e a Colcha gigante “Donzela” da artista plástica Joana Vasconcelos

O gosto pessoal e estilo de vida devem ser tidos em conta, mas não só…Em termos ambientais, o ideal é morarmos perto do local de trabalho e escola das crianças ou próximo de transportes públicos que minimizem a utilização de automóvel próprio, que levaria a um maior gasto económico e a emissões de gases tóxicos para a atmosfera.
A orientação do terreno e da própria construção (em termos de pontos cardeais) é muito importante, para aproveitarmos uma maior incidência de raios solares (caso de Portugal), para que o edifício usufrua de um maior ganho solar no Inverno, levando a uma maior poupança de energia e do ambiente.
A utilização de infra-estruturas públicas de esgotos e abastecimento de água é essencial para evitar a poluição do solo e destruição dos lençóis freáticos do solo. No caso de ser de todo impossível a utilização de infra-estruturas públicas, a solução para o tratamento de efluentes e captação da água deve ser bem estudada para evitar perigo de contaminações.
A tipologia
Adequar o tipo de construção ao terreno que possuímos para evitar grandes mobilizações de solo, que além de serem dispendiosas, agravando o custo final da obra, causam grandes impactos na paisagem e dificuldades na drenagem de águas pluviais e outros problemas. Como exemplo: se o que pretende é uma casa térrea, de apenas um piso, o terreno deverá ter uma pendente o mais possível plana, caso contrário terá de escavar ou aterrar…
A área
Devemos pensar bem no tamanho da nossa casa, quanto maior, mais cara a sua construção, a manutenção, o gasto energético…Será que precisamos de 2 cozinhas, ou uma sala que não usamos, ou 5 quartos?

O DURANTE:
A construção da obra
Aqui nesta fase é que definimos o rosto e o aspecto que terá a casa. E são diversos os materiais e processos construtivos que poderão ser utilizados. A escolha é quase infinita e deveria ser sempre a mais amiga do ambiente, e quase sempre é a menos dispendiosa…
Alguns exemplos de materiais:
Cerâmica, isolamentos naturais (fibras vegetais, canhamo, celulose…), tintas biologicas e com base aquosa, madeiras com garantia de proveniência (oriundas de florestas controladas), pedra (da região), por exemplo em construção de xisto, cortiça , vidro, ferro, cobre, plásticos reciclados e muitos outros.
Devemos evitar o uso de materiais betuminosos, vernizes sintéticos, amianto, que são inclusivamente tóxicos.
Sistemas de energias alternativas
Existem vários tipos de sistemas que utilizam energias alternativas para o aquecimento do ambiente e das águas e até arrefecimento...
Painéis solares, energia eólica (do vento) e geotérmica (da terra) por enquanto são as energias mais comuns, mas este é um sector que está em bastante desenvolvimento e estão sempre a surgir coisas novas.
Existe a possibilidade de produzirmos energia que será introduzida na rede pública, fazendo-se o balanço gasto/produção.
Pode parecer que o custo inicial é maior, mas em pouco tempo recupera-se o investimento e mais uma vez o ambiente e nós ganhamos com isso.
Sistemas de poupança de água
Há muitos mecanismos para a poupança de água e até a sua reutilização. Autoclismos com descargas controladas, redutores de caudal de água, são alguns exemplos.
A realização de uma cisterna que serve para armazenar água da chuva para posterior utilização na rega do jardim, um método antigo que está a ser muito usado.
Produção de resíduos e fim de vida do edifício
Muitas vezes quando a obra está a ser realizada não se pensa onde serão depositados os resíduos provenientes da construção e muitas vezes são deliberadamente abandonados em matas e terrenos poluindo o ambiente…Já existem ecocentros para a deposição destes materiais e a maior parte poderá ser reciclada dentro da própria obra, através de um plano cuidadoso. E quando o edifício chega ao fim da vida? A sua demolição não deve gerar resíduos perigosos ao ambiente, mas sim materiais que possam ser reciclados, é só pensarmos nas três cores base (amarelo, verde e azul) e o que sair disso deve ser evitado na construção.

O DEPOIS:
Chega a hora da decoração e mobiliário e aqui também podemos pensar no nosso Planeta. A escolha dos electrodomésticos, e acho que isso não é novidade, hoje em dia está muito facilitada, pois a maioria já vem com a indicação do gasto de energia, e os que gastam menos (A+) são os mais amigos do ambiente e da carteira, embora a primeira vista, mais caros…
No mobiliário, a qualidade deve sempre ser uma primeira opção, mais vale ter pouco ou ir comprando com tempo e investir num mobiliário de qualidade mas que durará décadas, do que estar sempre a trocar, causando uma quantidade de lixo muito maior.
O jardim, é outro local, onde muitos perdem a cabeça, parece que hoje em dia a moda é um amplo relvado (gramado, no Brasil), que para manter viçoso são necessárias muitas regas, sem falar na manutenção… Há jardins maravilhosos, realizados com plantas adequadas ao clima, que quase não precisam de manutenção ou regas abundantes e ainda servem de habitat aos passarinhos. Ainda assim eu preferia plantar uma linda horta, que poderá até parecer um jardim…
Imagem daqui
Bem, acho que me empolguei um pouco, mesmo assim não deu para escrever tudo, este assunto é muito vasto, espero que vocês não estejam a morrer de tédio.
Para despedida deixo aqui a referência de um tipo de construção que achei muito interessante e para aqueles que ainda não possuem casa quem sabe não se aventurem por aqui:
Construção com fardos de palha - podem ver mais no blog terrapalha
Imagem daqui
E a receita? 
Todo o castelo tem uma princesa, e no meu não seria diferente…No fim de semana fiz um bolo com a minha princesa, inspirado neste aqui da Rute, do blog Publicar para Partilhar, era para sair um bolo cor de rosa e ficou quase…mas estava delicioso, para princesa nenhuma botar defeito.
Bolo de beterraba e morangos
Ingredientes:
4 morangos e 1 beterraba pequena crua, feitos em puré
4 ovos
1 ½ chávenas de chá de açúcar
1 ½ chávenas de farinha de trigo integral
½ chávena de maizena(amido de milho)
1 colher(sopa) de fermento em pó para bolos
½ chávena de óleo de amendoim
Raspa de 1 limão
Sumo de ½ limão.
Preparação:
Bater com a varinha mágica (ou liquidificador) o puré de morangos e beterraba, os ovos, o açúcar e o óleo. Juntar os ingredientes secos misturando com um batedor. Juntar o sumo e raspa de limão. Cozer em forma untada e enfarinhada, no forno aquecido a 180ºC por cerca de 30 minutos.
A cor maravilhosa da massa antes de ir para o forno


Esta foi a minha participação na Teia Ambiental de hoje. Até a próxima...

domingo, 5 de junho de 2011

Receita vegetariana

Esta manhã foi passada na praia, a conectar energias com o nosso lindo mar, a apanhar sol e sal, a fazer exercício(caminhar na areia) e a respirar (sem pólen, ufa!). 
Depois de ter ido à urna cumprir o meu dever cívico, venho cá cumprir o meu dever "bloguista" de postar esta receita deliciosa e saudável que foi o nosso jantar ontem à noite.

BERINGELAS RECHEADAS (adaptada da revista Sabe Bem, do Pingo Doce)
Fiz 1/2 receita (para 2 pessoas)
Ingredientes:
2 beringelas médias  (+/- 300g)
80g soja granulada fina 
1 cebola picada
2 colheres de sopa de azeite virgem extra
2 cenouras raladas
1 courgette pequena
1 colher de chá de sal
1 colher de chá de óregãos(usei seco) e um raminho de fresco para enfeitar
1 colher de café de cominhos em pó
250g arroz basmati ou thai (para acompanhamento)
1/2 embalagem de molho bechamel (usei um pouquinho de natas de soja)
50g de queijo mozzarella ralado(usei fatias)
Preparação:
Lave as beringelas, corte-as ao meio a todo o comprimento e escave parte da polpa do interior. Salpique o interior e a polpa retirada com sal e deixe tudo a escorrer dentro de um passador.
Cubra a soja granulada com água morna e deixe hidratar.
Numa frigideira aloure a cebola picada no azeite quente, junte a cenoura ralada e a courgette cortada em cubos pequenos e deixe cozinhar sobre lume brando.
Entretanto, passe a beringela por água corrente e escorra. Adicione a polpa picada da beringela aos legumes, junte a soja bem espremida, tempere com uma pitada de sal, os óregãos e os cominhos. Misture bem, tape e deixe cozinhar durante cerca de 15 minutos sobre lume brando.
Coza também o arroz em água a ferver temperada com uma colher de chá de sal. Ao mesmo tempo, coloque as cascas de beringela escavadas num tabuleiro untado com azeite e leve ao forno regulado para 180ºC. (Levei ao microondas)
Deixe cozinhar até ficarem com um aspecto meio murcho.
Envolva então o cozinhado de soja e legumes com o molho béchamel.(eu usei natas de soja)
Recheie as meias beringelas(escorra todo o líquido que se tiver formado no seu interior). Salpique a superfície com queijo mozzarella ralado e leve de novo ao forno a gratinar.(Usei fatias de queijo mozzarella e levei ao microondas para derreter). Sirva com o arroz bem escorrido.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Queques de chocolate para comemorar o Dia da Criança

Para comemorar ontem o dia da criança, a minha filha levou um lanche para partilhar no piquenique organizado pela escola. Ao perguntar o que ela queria levar, a resposta não poderia ser outra: bolo de chocolate.
E foram estes queques de chocolate que fizeram a alegria da criançada...e não só! Ficaram uns cá em casa para as crianças que existem dentro de nós ;)
Esta receita é muito simples de executar, mesmo! Nestes últimos tempos são estas receitas que povoam a minha cozinha, porque não há tempo(e pachorra) para mais. A Primavera dá cabo de mim, gosto muito deste sol, flores e passarinhos a cantar, mas tenho alergia ao pólen e esta época é um pouco dramática, de modo que fazer até o básico já custa.  O que vale é que já está quase a terminar... e tudo volta à normalidade! Mas vamos ao que interessa:

Queques de chocolate
(do livro Cozinha para quem quer poupar, de Mafalda Pinto Leite)

Dobrei a receita e deu para 32 bolinhos

Ingredientes:
1 1/2 chávenas de farinha com fermento (usei sem, e acrescentei 1 colher sobremesa de fermento em pó)
1/2 chávena de cacau em pó
3/4 chávena de açúcar
3/4 chávena de leite
125 grs de manteiga derretida e arrefecida
2 ovos batidos
1 colher de chá de essência de baunilha
Preparação:
1. Aqueça o forno a 200ºC. Unte ou coloque formas de papel de queques numa forma com 12 buracos de queques. (Usei formas mais pequeninas, deu para cerca de 16 bolinhos)
Misture a farinha com o cacau e o açúcar numa tigela grande. Faça um buraco no centro.
2. Adicione o leite, a manteiga, os ovos e a baunilha à mistura de farinha. Use uma colher grande para misturar delicadamente.
3. Deite a massa dentro das formas preparadas(eu coloquei, ainda, uma pintarola - confete de chocolate, em cima de cada um). Leve ao forno por 12 a 15 minutos, ou até estarem cozinhados no interior. Retire do forno e deixe ficar por 5 minutos antes de transferir para uma grade própria para arrefecer.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Doce de morangos e ruibarbo

Como eu já havia escrito aqui, as compotas não podem faltar cá em casa. Aproveito sempre a fruta da época, para fazer uns frascos e guardar para outros tempos ou para oferecer à alguém especial. 
A combinação de ingredientes, desta vez, foi inspirada nesta tarte que fiz no fim de semana. O doce ficou delicioso e com uma cor linda. Não vou indicar o procedimento, que está aqui descrito e é o que faço sempre para este tipo de doces, no entanto deixo-vos as quantidades e ingredientes que utilizei:
2 kg de morangos limpos e cortados aos pedaços
200 grs de ruibarbo(2 hastes) cortados às rodelas
200grs de açúcar para compotas(com pectina)
600grs de açúcar branco
Sumo de meio limão

terça-feira, 24 de maio de 2011

Couscous com verdura

Os legumes e verduras são muito versáteis, além de serem imprescindíveis na nossa alimentação. Este prato pode servir como refeição completa ou complemento de um peixe ou carne. A combinação de legumes é ao gosto de cada um, pode também ser acrescentado atum, delicias do mar, bacalhau...o que a imaginação pedir. Hoje eu fiz assim:

Cortei em juliana folhas de repolho e acelga, misturei uma mão cheia grande de espinafres. Numa frigideira acrescentei um fio de azeite, cebola em meias luas, alho picado e os talos da acelga picados e levei ao lume até a cebola ficar transparente. Juntei as verduras e deixei apenas que murchassem, desliguei o fogo e temperei com um pouco de sal fino, molho de soja e pimenta preta. Entretanto coloquei 1/2 chávena(chá) de couscous numa taça e despejei água a ferver até cobrir, mais um dedo, temperei com um pitada de sal, abafei com um pano e deixei hidratar por uns minutos. Após ter absorvido toda a água, mexi o couscous com um garfo e misturei com a verdura. Por cima coloquei azeitonas cortadas, para enfeitar.

domingo, 22 de maio de 2011

Tarte de iogurte com morangos e ruibarbo

Não vai há muito tempo a vizinha chamava, do outro lado do muro: 
- Ei, vizinha, fiz um bolo, ficou tão gostoso! Quer a receita? 
E lá vinha uma folha de caderno escrita numa letra caprichada com a receita do quitute e um pedaço do mesmo para comprovar o feito.
Hoje em dia, a vizinha pode estar lá do outro lado do mundo, no Brasil, na Espanha, no Japão... mas o espírito é o mesmo. A realização de experiências e a pressa de contar...E a foto para comprovar o feito.
E eu vim aqui, correndo para contar que fiz a receita da tarte de iogurte, que vi aqui na vizinha Mariana, que por sua vez viu na vizinha Sarinha. E que eu também já vi na vizinha Margarida. Bem, depois destas visualizações todas, eu vim aqui mostrar a minha.
Para o "recheio" usei morangos e ruibarbo, o que resultou numa combinação esplêndida, o doce do morango com o travo refrescante do ruibarbo. Pode usar qualquer combinação de fruta. E a receita é super-fácil e deliciosa...

Obrigada, amigas vizinhas, pela óptima receita.

Ingredientes(para uma forma redonda de 20cm de diâmetro)
250grs de açúcar(usei 200grs, mas ainda usarei menos para a próxima)
100grs de farinha de trigo 
50 grs de margarina(usei Becel cozinha)
3 iogurtes de aroma de morango(125 grs cada um)
2 ovos
5 morangos cortados aos pedaços
1 haste de ruibarbo cortada às rodelas
Preparação:
Liguei o forno 180ºC.
Untei e enfarinhei a forma.
Bati os ingredientes, excepto a fruta, com a varinha mágica (pode usar o liquidificador).
Juntei a fruta e misturei bem com uma colher de pau.
Coloquei a mistura na forma e foi ao forno por 30 a 40 minutos. Testar com palito, que sairá húmido, mas limpo quando a tarte estiver cozida. 
Deixei arrefecer um pouco, desenformei e coloquei no frigorífico até servir, bem fresquinha.