Mais uma vez a inspiração para a participação nesta Teia Ambiental veio de uma situação ocorrida no meu quotidiano.
Depois de uma noite mal dormida, causada pelo barulho da festa da queima das fitas do Instituto cá da cidade, tive que ir trabalhar, como quase todos os comuns mortais.
A minha colega de trabalho, observando as minhas olheiras e o meu estado meio catatónico perguntou-me: Então o que é se passou…
Depois de eu contar que quase arejei a capa de estudante e fui juntar-me à festa, porque mais valia, dado que o barulho era tanto…
E tu não fazes nada! dizia ela.
Esta situação já ocorre tantas vezes, ao longo do ano e por tantos anos, e depois de ligar à polícia montes de vezes e não ter acontecido nada, uma pessoa acaba por se acomodar.
A minha colega, bem dormida e indignada, resolveu telefonar à uma outra colega nossa, Engenheira do Ambiente e perguntar se era possível e legal, este barulho todo ocorrer a tais horas da noite e bla, bla, bla…Desligou o telefone e disse quase tudo o que eu já sabia. A Câmara Municipal pode autorizar especialmente estas festas e como as pessoas não tem se manifestado por escrito, as situações tem ocorrido com alguma frequência, inclusive, pondo em causa a existência de uma espécie de morcego, em vias de extinção, que habita o parque existente na cidade…
De repente do meu estado letárgico, as minhas antenas ambientais ligaram-se automaticamente com as palavras extinção e espécie ameaçada e a partir daí resolvi pesquisar sobre estes animais e o que descobri foram coisas incríveis, que resolvi partilhar convosco hoje e agora já acho que vale a pena lutar um pouco mais pelo meu sono justo e pela existência dos morcegos.
Por coincidência ou não, descobri que este ano é o Ano do Morcego (não, não é o horóscopo chinês!).
O declínio de muitas espécies de morcegos a nível mundial, levou ao lançamento, pelo Programa do Ambiente das Nações Unidas e pelo Acordo sobre a Conservação dos Morcegos Europeus, do Ano do Morcego, a celebrar nos anos de 2011 e 2012.
Existem mais de 1100 espécies de morcegos no mundo, totalizando cerca de 1/5 de todos os mamíferos. A enorme diversidade dos morcegos reflecte-se na sua ecologia, aspecto e dimensão. Os maiores morcegos são chamados raposas-voadoras, estas podem ter até 2m de envergadura e pesar até 1.5 kg. No outro extremo, está uma espécie de morcego que pesa apenas 2 g e é considerada o mamífero mais pequeno do mundo. Só não existem morcegos na Antárctica. Os morcegos em Portugal são todos pequenos. No nosso país existem 27 espécies, todas protegidas e muitas delas ameaçadas de extinção.
O que comem
Os morcegos tem a dieta mais variada entre os mamíferos, pois podem comer frutos, sementes, folhas, néctar, pólen, artrópodes, pequenos vertebrados, peixes e sangue. Somente três espécies se alimentam exclusivamente de sangue: são os chamados morcegos hematófagos ou vampiros, encontrados apenas na América Latina e no Sul do México.
Onde vivem
Os morcegos podem abrigar-se em diversos locais, mas os mais utilizados são as árvores, os edifícios e as cavidades subterrâneas, como grutas e minas.
Algumas espécies vivem ainda em fissuras nas rochas.
Hibernam
Em climas temperados, como é o caso de Portugal, os morcegos hibernam durante os meses mais frios do ano.
Quanto tempo vivem
Os morcegos têm uma longevidade excepcional.
Em média os morcegos vivem três vezes mais do que outros mamíferos não voadores com os mesmos tamanho e taxa metabólica. Assim, por exemplo, foram já registados na natureza, morcegos de Brandt (7g de peso) com 41 anos de idade e morcegos-de-água (9g) com 28 anos de idade.
Como se orientam
Em geral os morcegos vêem bem, mas a visão é por vezes insuficiente no escuro. Por isso, os morcegos utilizam também a ecolocalização, para navegar e localizar as suas presas.
Benefícios
Apesar da má imagem que os morcegos têm, estes animais são de facto inofensivos e dado que são sensíveis a elevados teores de poluição, particularmente de pesticidas, são importantes indicadores da qualidade do ambiente.
Os morcegos são também importantes no controlo das populações de insectos, muitos dos quais podem ser vectores de doenças ou pragas agrícolas.
Importa também salientar que os morcegos contribuíram para o desenvolvimento de diversas aplicações humanas, como o radar e os anticoagulantes e continuam a ser a base para estudos de aerodinâmica e de sistemas de orientação para invisuais.
Em algumas regiões tropicais os morcegos que se alimentam de frutos e néctar são agentes importantíssimos na polinização e dispersão de sementes de muitas espécies de plantas.
E agora uma bela tarefa dos morcegos:
Os guardiões nocturnos da biblioteca
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| Biblioteca do Convento de Mafra |
Duas das mais antigas bibliotecas de Portugal: A Biblioteca Joanina, em Coimbra, e a Biblioteca do Convento de Mafra têm guardiões muito especiais: em ambas, colónias de morcegos voam livremente, à noite, e asseguram a conservação dos livros. Os morcegos comem os insectos que habitualmente vivem nos livros, e que acabariam por degradar o papel. Estes animais nocturnos, silenciosos, são assim exemplo de uma simbiose particular com alguns dos tesouros culturais do país.
Depois destas informações espero que agora vejam com bons olhos este animal, muitas vezes perseguido, por culturalmente estar ligado à histórias de bruxarias e filmes de terror e se quiserem saber mais, aconselho a visitarem:
O site do Ano do Morcego em Portugal 2011-2012
E como morcegos, lembram-me o Halloween e Halloween lembra-me abóboras a receita de hoje são umas gomas de abóbora, para comer na noite das bruxas ou à qualquer hora que apetecer um docinho…
Nesta receita não coloquei quantidades, pois o resultado depende muito da espécie da abóbora. Use pelo menos 1kg.
Gomas de abóbora
Gomas de abóbora
Ingredientes:
Abóbra, descascada e partida aos pedaços
Uma pitada de sal
Açúcar
Pau de canela
Cravo da índia (facultativo)
Preparação:
Coza a abóbora com um pouco de água e o sal até ficar macia. Escorra a água e rale com a varinha mágica até ficar um puré sem grumos. Deixe esta massa escorrer num passador por algumas horas. Pese e calcule o açúcar, metade do peso do puré. Leve ao lume, num tacho, o açúcar, o puré de abóbora, a canela e o cravo da índia, se o usar e cozinhe até que a mistura fique ligeiramente dourada e tudo esteja bem agregado e formando uma bola, acho que ultrapassa o ponto de estrada…
Deixe a mistura esfriar ligeiramente. Num tabuleiro forrado com papel vegetal e com um bico de confeiteiro no formato flor faça bolinhas. No meu caso utilizei, o dispara-biscoitos e o tapete de silicone que comprei à Luísa Alexandra, e a tarefa revelou-se muito simples. Leve o tabuleiro ao forno pré aquecido em temperatura baixa (50ºC) e vigie até que se forme uma camada seca nas bolinhas, verifique, tocando-as, não devem estar “peganhentas”. Desligue o forno e deixe-as esfriar lá dentro. Depois de frias, retire-as e guarde-as (se conseguir) dentro de uma caixinha. Pode envolve-las com açúcar ou frutose.
Em vez de leva-las ao forno podem ser secas ao sol, como a marmelada.
Espero que gostem! E até o próximo dia 7 de Junho. Beijinhos verdes!



