sábado, 7 de maio de 2011

Esta noite quero sonhar com morcegos…

Mais uma vez a inspiração para a participação nesta Teia Ambiental veio de uma situação ocorrida no meu quotidiano.
Depois de uma noite mal dormida, causada pelo barulho da festa da queima das fitas do Instituto cá da cidade, tive que ir trabalhar, como quase todos os comuns mortais. 
A minha colega de trabalho, observando as minhas olheiras e o meu estado meio catatónico perguntou-me: Então o que é se passou…
Depois de eu contar que quase arejei a capa de estudante e fui juntar-me à festa, porque mais valia, dado que o barulho era tanto…
E tu não fazes nada! dizia ela. 
Esta situação já ocorre tantas vezes, ao longo do ano e por tantos anos, e depois de ligar à polícia montes de vezes e não ter acontecido nada, uma pessoa acaba por se acomodar. 
A minha colega, bem dormida e indignada, resolveu telefonar à uma outra colega nossa, Engenheira do Ambiente e perguntar se era possível e legal, este barulho todo ocorrer a tais horas da noite e bla, bla, bla…Desligou o telefone e disse quase tudo o que eu já sabia. A Câmara Municipal pode autorizar especialmente estas festas e como as pessoas não tem se manifestado por escrito, as situações tem ocorrido com alguma frequência, inclusive, pondo em causa a existência de uma espécie de morcego, em vias de extinção, que habita o parque existente na cidade…
De repente do meu estado letárgico, as minhas antenas ambientais ligaram-se automaticamente com as palavras extinção e espécie ameaçada e a partir daí resolvi pesquisar sobre estes animais e o que descobri foram coisas incríveis, que resolvi partilhar convosco hoje e agora já acho que vale a pena lutar um pouco mais pelo meu sono justo e pela existência dos morcegos.

Por coincidência ou não, descobri que este ano é o Ano do Morcego (não, não é o horóscopo chinês!).
O declínio de muitas espécies de morcegos a nível mundial, levou ao lançamento, pelo Programa do Ambiente das Nações Unidas e pelo Acordo sobre a Conservação dos Morcegos Europeus, do Ano do Morcego, a celebrar nos anos de 2011 e 2012.
Existem mais de 1100 espécies de morcegos no mundo, totalizando cerca de 1/5 de todos os mamíferos. A enorme diversidade dos morcegos reflecte-se na sua ecologia, aspecto e dimensão. Os maiores morcegos são chamados raposas-voadoras, estas podem ter até 2m de envergadura e pesar até 1.5 kg. No outro extremo, está uma espécie de morcego que pesa apenas 2 g e é considerada o mamífero mais pequeno do mundo. Só não existem morcegos na Antárctica. Os morcegos em Portugal são todos pequenos. No nosso país existem 27 espécies, todas protegidas e muitas delas ameaçadas de extinção.
O que comem
Os morcegos tem a dieta mais variada entre os mamíferos, pois podem comer frutos, sementes, folhas, néctar, pólen, artrópodes, pequenos vertebrados, peixes e sangue. Somente três espécies se alimentam exclusivamente de sangue: são os chamados morcegos hematófagos ou vampiros, encontrados apenas na América Latina e no Sul do México.
Onde vivem
Os morcegos podem abrigar-se em diversos locais, mas os mais utilizados são as árvores, os edifícios e as cavidades subterrâneas, como grutas e minas.
Algumas espécies vivem ainda em fissuras nas rochas.
Hibernam
Em climas temperados, como é o caso de Portugal, os morcegos hibernam durante os meses mais frios do ano.
Quanto tempo vivem
Os morcegos têm uma longevidade excepcional.
Em média os morcegos vivem três vezes mais do que outros mamíferos não voadores com os mesmos tamanho e taxa metabólica. Assim, por exemplo, foram já registados na natureza, morcegos de Brandt (7g de peso) com 41 anos de idade e morcegos-de-água (9g) com 28 anos de idade.
Como se orientam
Em geral os morcegos vêem bem, mas a visão é por vezes insuficiente no escuro. Por isso, os morcegos utilizam também a ecolocalização, para navegar e localizar as suas presas.
Benefícios
Apesar da má imagem que os morcegos têm, estes animais são de facto inofensivos e dado que são sensíveis a elevados teores de poluição, particularmente de pesticidas, são importantes indicadores da qualidade do ambiente.
Os morcegos são também importantes no controlo das populações de insectos, muitos dos quais podem ser vectores de doenças ou pragas agrícolas.
Importa também salientar que os morcegos contribuíram para o desenvolvimento de diversas aplicações humanas, como o radar e os anticoagulantes e continuam a ser a base para estudos de aerodinâmica e de sistemas de orientação para invisuais.
Em algumas regiões tropicais os morcegos que se alimentam de frutos e néctar são agentes importantíssimos na polinização e dispersão de sementes de muitas espécies de plantas.
E agora uma bela tarefa dos morcegos:
Os guardiões nocturnos da biblioteca
Biblioteca do Convento de Mafra
Duas das mais antigas bibliotecas de Portugal: A Biblioteca Joanina, em Coimbra, e a Biblioteca do Convento de Mafra têm guardiões muito especiais: em ambas, colónias de morcegos voam livremente, à noite, e asseguram a conservação dos livros. Os morcegos comem os insectos que habitualmente vivem nos livros, e que acabariam por degradar o papel. Estes animais nocturnos, silenciosos, são assim exemplo de uma simbiose particular com alguns dos tesouros culturais do país.

Depois destas informações espero que agora vejam com bons olhos este animal, muitas vezes perseguido, por culturalmente estar ligado à histórias de bruxarias e filmes de terror e se quiserem saber mais, aconselho a  visitarem:
O site do Ano do Morcego em Portugal 2011-2012

E como morcegos, lembram-me o Halloween e Halloween lembra-me abóboras a receita de hoje são umas gomas de abóbora, para comer na noite das bruxas ou à qualquer hora que apetecer um docinho…
Nesta receita não coloquei quantidades, pois o resultado depende muito da espécie da abóbora. Use pelo menos 1kg.
Gomas de abóbora
Ingredientes:
Abóbra, descascada e partida aos pedaços
Uma pitada de sal
Açúcar
Pau de canela
Cravo da índia (facultativo)
Preparação:
Coza a abóbora com um pouco de água e o sal até ficar macia. Escorra a água e rale com a varinha mágica até ficar um puré sem grumos. Deixe esta massa escorrer num passador por algumas horas. Pese e calcule o açúcar, metade do peso do puré. Leve ao lume, num tacho, o açúcar, o puré de abóbora, a canela e o cravo da índia, se o usar e cozinhe até que a mistura fique ligeiramente dourada e tudo esteja bem agregado e formando uma bola, acho que ultrapassa o ponto de estrada…
Deixe a mistura esfriar ligeiramente. Num tabuleiro forrado com papel vegetal e com um bico de confeiteiro no formato flor faça bolinhas. No meu caso utilizei, o dispara-biscoitos e o tapete de silicone que comprei à Luísa Alexandra, e a tarefa revelou-se muito simples. Leve o tabuleiro ao forno pré aquecido em temperatura baixa (50ºC) e vigie até que se forme uma camada seca nas bolinhas, verifique, tocando-as, não devem estar “peganhentas”. Desligue o forno e deixe-as esfriar lá dentro. Depois de frias, retire-as e guarde-as (se conseguir) dentro de uma caixinha. Pode envolve-las com açúcar ou frutose.
Em vez de leva-las ao forno podem ser secas ao sol, como a marmelada.

Espero que gostem! E até o próximo dia 7 de Junho. Beijinhos verdes!


terça-feira, 3 de maio de 2011

Abacaxi delícia...com certeza!


Quando vi estas maçãs no delicioso blogue Ondas de Sabores, da Maísa, sabia que as tinha de provar, porque tinham um aspecto divino e a receita é daquelas que aprecio bastante: prática e fácil. Mas eu tinha cá em casa um abacaxi, que saiu um pouco desconsolado e então pensei, vou usa-lo na receita da Maísa e deu super-certo, ficou uma sobremesa bem fresca para estes dias de sol. Usei gelatina de maracujá, mas para a próxima vez será de morango, para que fique com uma cor diferente… E estou a pensar também fazer com peras e pêssegos…
Vale a pena conferir as maçãs que a Maísa fez, entre outras receitas maravilhosas que por lá vão encontrar.
Obrigada, Maísa!

Fiz assim:
Descasquei um abacaxi e cortei-o em fatias grossas (1,5cm de espessura) e retirei o centro de cada uma. Coloquei-as na panela de pressão.
Polvilhei com 1 chávena (chá) de açúcar.
Dissolvi 1 pacote de gelatina de maracujá em 2 chávenas (chá) de água fria e juntei à panela sobre o abacaxi, acrescentei 1 pau de canela, 1 estrela de anis e 1 cravo da índia.
Fechei a panela e aguardei 8 horas, sem abrir.
Após 8 horas levei ao fogo e quando quando começou a apitar, contei 1 minuto e desliguei o fogo.
Somente no dia seguinte abri a panela, retirei o abacaxi para 1 taça e na calda juntei um cálice de rum (usei Baccardi).
Deitei a calda sobre o abacaxi e deixei no frigorífico até servir. Enfeitei com um galho de hortelã.

sábado, 30 de abril de 2011

A minha cozinha, a minha receita - 1º aniversário do blogue Na Cozinha da Mariana

Está quase a acabar o dia, só agora consegui arranjar tempo para vir aqui escrever esta mensagem para o passatempo que a querida Mariana criou para comemorar o 1º aniversário do seu maravilhoso blogue Na cozinha da Mariana.
A minha cozinha não é muito grande, os móveis já estão um pouco antigos, mas é um lugar onde me sinto muito bem. Gosto de acordar pela manhã bem cedo e antes de todos levantarem preparar o café calmamente, sentir o aroma invadir o espaço e sentar-me à mesa com uma caneca gigantesca de café, em absoluto silêncio e contemplar a paisagem magnífica que posso vislumbrar pela janela. Este é um momento de preparação para o meu dia, que é quase sempre frenético e agitado, sei que a partir do momento que me levantar da cadeira do pequeno almoço não vou parar até a noite, daí a necessidade deste momento calmo e só meu.
Em outros momentos a minha cozinha é um verdadeiro pandemónio, quando nós os três lá estamos, um a cozinhar, outro a falar e a criança a brincar. Ou os três a cozinhar, muitas vezes a pequenina, que tem 7 anos, também ajuda e já vai aprendendo. O meu marido também cozinha e muito bem.
Na minha cozinha tem muitos objectos decorativos que eu própria fiz em outros tempos, como um quadro que pintei há muito, e que existe uma réplica na cozinha da minha mãe, para uma lembrar da outra enquanto cozinha. Há também um moinho de café manual, oferta do meu avô. 
Sei que esta cozinha não é daquelas ultra-modernas e cómodas que agora existem e que nos facilitam imenso a vida, às vezes penso nisso quando quase tenho que me deitar no chão para alcançar alguns objectos do armário que eu baptizei de "buraco negro" porque às vezes desaparecem lá coisas e eu aí sonho com aqueles gavetões fantásticos. 
Mas adoro a minha cozinha, porque a melhor decoração que existe nela é o amor.  

E foi com amor que fiz este bolo, que é um dos preferidos da minha filha.
Bolo de coco e alfarroba
6 ovos, de preferência caseiros
2 colheres de sopa de manteiga
6 colheres de sopa de açúcar
3 colheres de sopa de farinha de alfarroba(ou 6 colheres de sopa de chocolate em pó)
150 grs de coco ralado
1 colher de sobremesa de fermento em pó
Bater todos os ingredientes(excepto o fermento) no liquidificador ou com a varinha mágica,  juntando por último o coco e misturar o fermento delicadamente com uma colher de pau. Leve a cozer em forma untada e polvilhada com farinha no forno à 160º por mais ou menos 40 minutos.
Cobertura (normalmente faço 1/2 receita):
1 colher de sopa de manteiga
3 colheres de sopa de açúcar
2 colheres de sopa de farinha de alfarroba(ou 4 colheres de sopa de chocolate em pó)
1 pacote de natas(creme de leite)
Leve tudo ao lume(ou microondas) e mexa até dar o ponto.
Cobrir o bolo e decorar a gosto.
Mariana, as rosas do bolo são para ti, um presente pelo aniversário do blogue. 
Parabéns, e que continues nos mimando com as deliciosas receitas da tua cozinha.
Beijinhos.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Fusilli com favas e alho-francês

Quando vi esta receita no livro "Essencial da Cozinha" do Jornal de Notícias, não descansei enquanto não a fiz. Reunidos os alhos e limões da horta da mãe e as favas e a erva cidreira do quintal da sogra, a massa do supermercado...foi só seguir a receita à risca. Ficou tão boa, que vou repetir de certeza.

Ingredientes(para 4 pessoas):
250g de favas frescas(eu tirei as peles)
2 colheres de sopa de sumo de limão
50ml de azeite 
sal e pimenta moída(usei preta)
2 alhos franceses
2 colheres de sopa de azeite
400g de fusilli(massa espiral)
algumas folhas de erva cidreira
1 casquinha de limão
Escaldar as favas em água com um pouco de sal por cerca de 3 minutos e escorrer. misturar o sumo de limão com uma pitada de sal, pimenta e azeite e, com este molho, regar as favas e deixá-las a marinar por um pouco. Lavar o alho francês, limpar e cortar a parte branca e verde clara em rodelas com cerca de 1 cm de largura. 
Aquecer o azeite num tacho grande, juntar-lhe o alho francês, deixar alourar um pouco e temperar com um pouco de sal e de pimenta. Acrescentar 1/2 chávena de água e deixar refogar, tapado, por cerca de 5 minutos.
Entretanto, cozer a massa com bastante água com uma pitada de sal, de acordo com as instruções da embalagem. Cortar a casca de limão às tirinhas e picar as folhas de erva cidreira.
Escorrer a massa e mistura-la com as favas, o alho-francês e a cidreira. Servir no prato e decorar com a casca de limão às tiras.

Salada morna de bacalhau com legumes verdes

Não sei se acontece com vocês, mas muitas vezes vou para a cozinha com objectivo de fazer um determinado prato e de repente, junta daqui, busca dali e sai outra coisa totalmente diferente. Hoje havia muitas novidades frescas das hortas da família: batatas novas, favas, ervilhas de quebrar e normais e então saiu esta espécie de salada que estava uma delícia. Adoro esta época no campo, há tantos ingredientes deliciosos que a simplicidade das receitas só realça o sabor. Há que aproveitar! 


Coloquei num tacho com água uma posta de lombo de bacalhau.Lavei algumas batatas novas e assim que o bacalhau ferveu coloquei-as no tacho com 2 ovos caseiros. Retirei o bacalhau, quando cozido, acrescentei um pouco de sal às batatas até acabarem de cozer. Entretanto, num tacho à parte refoguei alho e cebola bem picados num pouco de azeite. Juntei ervilhas de quebrar e ervilhas normais frescas, temperei com sal e tapei o tacho. Quando estavam quase no ponto, juntei espinafres e esperei murchar. Desliguei o lume. Para montar a salada, descasquei as batatas e cortei-as grosseiramente, desfiz o bacalhau em lascas grossas. Numa saladeira, fiz camadas de bacalhau, batatas e legumes. Enfeitei com os ovos cozidos cortados e azeitonas pretas e reguei com um fio de azeite.
 
A qualidade da foto não é das melhores, estou a usar a máquina da Hello Kitty da minha filha, uma vez que a minha foi para o conserto pois a criaturinha deu cabo dela no fim-de-semana.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Salada Primavera

Adoro comer e fazer saladas, porque os ingredientes são infinitos e podemos brincar com as cores, misturar folhas e frutas e variar no formato e apresentação. Hoje fiz uma salada só para mim, pois não apetecia-me comer carne, e queria comemorar estes dias lindos de Primavera, e hoje tinha ingredientes biológicos acabadinhos de chegar...

Ingredientes para 1 pessoa:
2 folhas de alface frisada biológica
2 fatias de queijo flamengo(ou outro a gosto)
1 cenoura biológica pequena, em fios
1/2 beterraba biológica, cor de rosa, em fios
1 tomate em rama pequeno
1 mão cheia de rúcula biológica
3 morangos biológicos, com sabor a morango, deliciosos
1 ovo caseiro cozido(do quintal)
Cebola às meias luas
4 azeitonas pretas
Sal marinho
Azeite extravirgem
Oregãos secos

Preparação:
Dispor os ingredientes de maneira decorativa no prato. Misturar o azeite com sal e regar a salada. Salpicar os oregãos e deliciar-se.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Bruscheta de atum

Segunda feira de Páscoa, misturada com feriado do 25 de Abril - Dia da Liberdade, e uma nostalgia de fim de festa(e fim de férias também, chuif). Hoje fez um dia belíssimo de sol e a tarde foi passada no parque infantil com a minha filha. Para o jantar, uma receita simples, bruscheta, depois de um fim de semana de comilança...Para os adultos com atum com queijo mozzarela e para a criança, fiambre com salsichas.
Ingredientes:
Fatias de pão de centeio
1 dente de alho 
1 lata de atum em azeite
Tomate chucha fatiado
Fatias de queijo mozzarella curado
Folhas de rúcula
Oregãos
Pimento vermelho
Azeite
Sal e pimenta preta
Fiambre de peru
Salsichas de peru
Preparação:
Coloquei as fatias de pão numa assadeira e levei a torrar levemente no forno. Cortei o dente de alho ao meio e esfreguei cada fatia de pão com o lado cortado. Para as bruschetas de adulto reguei o pão com um fio de azeite, coloquei fatias de tomate, uma pitada de sal, atum, fatias de queijo e enfeitei com rúcula, pimento vermelho e salpiquei oregãos e pimenta preta. Para as bruschetas de criança, e como a minha filha não gosta de queijo derretido, simplesmente coloquei por cima das fatias de pão o fiambre e as salsichas. Dispus tudo numa travessa e levei ao forno para derreter o queijo. Acompanhei com salada de alface e sopa de legumes.