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domingo, 18 de novembro de 2012

Bolo invertido de quivi - BC Viver Bem para Comer Melhor

Duas receitas seguidas de bolos por aqui. Os bolos são a minha perdição e podem ser de qualquer sabor e feitio que eu não rejeito uma fatia. Aliás como podem verificar a etiqueta Bolos é a que tem as letras maiores...pois a nível culinário é das coisas que mais prazer me dá fazer. Por isso juntando o útil ao agradável, muitas receitas de bolo virão, pelo menos até eu ir a um nutricionista! Eu gosto de qualquer bolo, já com os esquisitos aqui de casa não se passa o mesmo, principalmente com a mais pequena. Quando quero fazer um bolo que sei que eles não vão apreciar muito, tenho algumas opções: espero uma ocasião para ter mais pessoas para dividir, faço e congelo o que sobra ou faço uma versão mini para mim, como foi o caso do bolo de hoje. 
Para mim o resultado ficou ótimo, a camada de quivi deu uma frescura e maciez incríveis ao bolo, além de ter ficado com um toque naturalmente bonito. Para a base, inspirei-me neste bolo de morangos do blogue Veganana. Já escrevi aqui que a Lori tem bolos deliciosos, então fui lá buscar mais este. Acrescentei coco ralado à massa para que ficasse mais densa, como acho que convém a este tipo de bolo e como era para mim, um punhado de sementes de papoila, outra esquisitice não muito aceite por aqui. 
Este bolo foi feito especialmente para a blogagem coletiva Viver Bem para Comer Melhor, uma iniciativa conjunta da Josy(Cozinhando com Josy), da Margarida (Tachos Vs Panelas), da Ana Cláudia (Ana Cláudia na Cozinha) e da Katy (Ajustando as Velas). Achei que as escolhas do legume e fruta para este mês vieram bem à calhar, pois as abóboras estão no seu auge para serem consumidas e os primeiros quivis começam a aparecer. O concelho onde vivo, Santa Maria da Feira, é um produtor de quivis de ótima qualidade, na sua época(de outubro à dezembro), tenho sempre quivis oferecidos por amigos ou comprado à produtores locais. É um fruto delicioso, fresco que enfeita muito bem saladas de fruta e tartes de creme, e também dá para ser usado em compotas, batidos, gelados, mousses... Mas ainda mais importante que a beleza é o seu valor nutricional pois constitui uma excelente fonte de vitamina C, contendo quase o dobro da vitamina de alguns citrinos. Também é rico em potássio, ferro e cálcio. Comido em jejum ajuda o melhor funcionamento do intestino. 
A sábia Mãe Natureza oferece-nos nesta época do ano(Outono, aqui no Hemisfério Norte) fartura de frutos ricos em vitamina C, ótimos para manter as defesas do nosso organismo em alta. Por isso Comer Bem para Viver Melhor, também é alimentar-se de produtos da época, que além de tudo são mais saborosos e económicos.

E agora, depois desta conversa toda, finalmente, a receita!

Bolo invertido de quivi
(eu fiz 1/4 da receita para uma forma de 15cm de diâmetro)
Ingredientes
Massa:
2 chávenas(chá) de farinha de trigo
1 chávena(chá) de açúcar mascavado claro
 
1 colher(café) de bicarbonato de sódio  
1 colher (sopa) de vinagre de maçã ou branco  
1 colher(chá) de essência de baunilha  
2 colheres(sopa) de coco ralado seco
1 colher (sopa) de sementes de papoila 
2 colheres (chá) de fermento em pó  
1/2 chávena(chá) de óleo vegetal(usei de girassol)  
1 chávena(chá) de agua  
1 pitada de sal
Cobertura:
3 ou 4 quivis cortados em fatias com meio centímetro de espessura
1 colher(sopa) de açúcar mascavado claro
Preparação
Unte uma forma redonda com cerca de 25cm de diâmetro com margarina vegetal, coloque no fundo uma rodela de papel vegetal e unte-o também. Polvilhe o fundo da forma com o açúcar da cobertura e coloque as fatias de quivi por cima. Reserve. Para a massa, misture os ingredientes secos(menos o fermento), adicione o vinagre, a baunilha e mexa alternando a água e o óleo até obter uma massa homogénea. Adicione as sementes de papoila e o fermento mexendo delicadamente. Espalhe a massa por cima dos quivis reservados e leve ao forno para cozer por cerca de 30 minutos. Teste com o palito.Desenforme e retire o papel vegetal.
Confira mais deliciosas participações aqui no blogue da Josy
Veja como participar aqui


sábado, 17 de novembro de 2012

Bolo de abóbora e chocolate - BC Comer Bem para viver Melhor

Para finalizar com chave de ouro o último dia da abóbora na BC- Comer Bem para Viver Melhor nada como uma boa fatia de bolo e feito com a estrela principal. Esta receita já apareceu aqui no blogue, mas desta vez dei-lhe uns toques diferentes acrescentando cacau e farinha custard. Também contei com a ajuda da minha filha. Ela adora participar na realização de bolos ou biscoitos. Aconteceram alguns pequenos acidentes, um ovo e farinha para o chão, mas assim ela vai aprendendo e nada que uma boa dose de paciência não resolva. Pensei que ela não iria comer o bolo depois que visse que levava abóbora(é esquisita...), mas não, comeu e adorou! Por isso, um bom motivo para vocês experimentarem. Além disso a receita é muito fácil, aliás como quase todas por aqui...

Bolo de abóbora e cacau
Ingredientes:
1 chávena(chá) de abóbora cortada em pedaços
4 ovos biológicos
1/2 chávena(chá) de óleo de girassol (ou outro à escolha)
1 1/2 chávenas(chá) de farinha de trigo
1/2 chávenas(chá) de farinha custard (ou amido de milho "maizena")
1 chávena(chá) de açúcar amarelo
1 colher(sopa) bem cheia de cacau em pó puro(sem açúcar)
1 colher(sopa) de fermento em pó
Preparação:
Junte a abobóra, os ovos, o óleo, o açúcar e o cacau e bata no liquidificador. Deite essa mistura numa vasilha e misture as farinhas e o fermento. Leve a cozer em forno 170ºC por mais ou menos 30 minutos. Teste com o palito. Desenforme e delicie-se!
 

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Bolo formigueiro vegano da Lori



Existem momentos em que a vontade de comer um doce vence a mais resistente racionalidade, e a minha nem é muito resistente. Normalmente nunca faço bolos durante a semana, que é para não me tentar, mas hoje teve de ser... Tudo aquilo que contribuir para desviar o caminho dos meus pensamentos de hoje eu aceito de bom grado. E fazer um bolo é para mim uma espécie de regalo, até mais do que o comer, talvez por isso tenha tantas receitas de bolo por aqui. Juntar os ingredientes e observar a massa crescer no forno tem o poder de transportar as preocupações para um sítio mais longínquo...Um sucesso instantâneo que faz tão bem ao ego!

Escolhi esta receita do Veganana, um delicioso blogue vegano que recentemente descobri. Tem receitas maravilhosas e a boa disposição e simpatia da Lori, cativou-me de imediato. Os bolos chamaram-me logo a atenção (formiga, eu?) e foi difícil escolher um deles. Optei por este que me recordou a infância, foi um bolo que fez furor na época. Sei que a receita original levava manteiga, ingrediente que eu bani dos bolos há muito tempo. Para mim, a versão vegana da Lori é muito melhor, simplesmente deliciosa, fofinha e tão fácil e rápida de fazer, que a partir de hoje decretei que este será o bolo formigueiro oficial daqui de casa.
Se quiserem (e acho que devem!) fazer este bolo, visitem o Veganana AQUI para obterem a receita, pois eu a segui à risca.

Fofinho!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Fim de semana produtivo

 
A natureza anda em alta produção e eu também. Nesta altura do ano a safra de legumes e frutas é enorme e variada. Há que aproveitar a oportunidade e armazenar para o inverno, como a formiguinha. 

Para aproveitar umas ameixas bem maduras fiz compota de ameixa e maçã. Já expliquei aqui no início do blogue como fazer. Desta vez retirei também a casca das ameixas, para que a compota não ficasse com um travo muito ácido. 


Feijão verde arranjado e cortado, pronto a ser congelado. Para ser usado em sopas e estufados no inverno.


Um misto de legumes assados foi o meu almoço de ontem. O que sobrou irá ser consumido durante a semana em sandes ou como complemento de massa.
Cortei aos pedaços para uma assadeira os legumes que estavam sobrando no frigorífico: Abóbora, beterraba, cenoura, cebola, feijão verde, pimento, funcho, tomate e 1 couve coração aos quartos. Tudo regado com azeite e vinho branco e temperado com sal, pimenta malagueta e orégãos. Foi ao forno por cerca de 45min. Simples? Mas muito saboroso...


E para alimentar as formiguinhas trabalhadoras nada como um doce. E um bolo, que é o que mais gosto de fazer. Este foi de courgette, que agora também há de sobra, bem como os ovos caseiros. Baseei-me nesta receita do blogue da querida Rute, o Publicar para Partilhar. A receita é muito aromática, mas tive que a alterar para os gostos das outras formigas esquisitas cá de casa. Um toque de cacau e tudo resolvido. Ficou delicioso com uma "textura fofinha, mas ao mesmo tempo húmida” como bem definiu este bolo, a Rute.

Bolo de courgette e cacau
Ingredientes
320grs de courgette aos pedaços
4 ovos biológicos
¾ chávena de óleo(usei becel)
1 chávena(chá) de açúcar amarelo
1 colher(sopa) de cacau em pó (100% cacau sem açúcar)
2 chávenas(chá) de farinha de trigo
½ chávena(chá) de amido de milho(maizena)
1 colher(sopa) de fermento em pó
Preparação
Unte uma forma de chaminé com óleo e polvilhe com farinha. Ligue o forno a 180ºC. No copo do liquidificador coloque a courgette e o óleo. Triture até ficar um creme liso. Adicione o açúcar, os ovos e o cacau e ligue o liquidificador até misturar. Transfira a mistura para uma taça e junte a farinha e a maizena aos poucos e finalmente o fermento, com delicadeza. Verta a massa para a forma e leve ao forno por cerca de 30 minutos. Verifique a cozedura com o teste do palito. Retire do forno. Aguarde 5 minutos e desenforme. 

Depois desta trabalheira toda bem mereci uma fatia!

sábado, 7 de julho de 2012

Reunir, o 4º R

Um caso invulgar tem sido notícia nos jornais e lidera o assunto destes dias nas conversas aqui na minha cidade. Um homem, com cerca de 38 anos e que vive com a mãe no centro da cidade, não é visto há 18 anos por ninguém, ou seja, não sai de casa há 18 anos! Um familiar fez a denúncia às autoridades porque deseja saber como ele se encontra, e agora as televisões têm vindo ao local na tentativa de captarem uma imagem do homem. O ministério público já averiguou o caso e diz que ele está vivo, aparenta boa saúde e apresenta um discurso coerente e atualizado. Eu ouvi muitas opiniões sobre o caso e também tenho a minha. A maior parte das pessoas que ouvi condenaram o seu isolamento e a atitude da mãe em não tomar providências para que o filho se tratasse. Engraçado pensar como as pessoas que condenam este isolamento total, que quanto a mim, o maior prejudicado é a própria pessoa, mas não pensam que os seus "isolamentos" parciais são muito mais prejudiciais à comunidade. Conheço muita gente que mora na cidade e não caminha para ir ao trabalho, não passeia pela cidade, não compra no comércio local para não conviver com as pessoas da terra, ou apenas para conviver com quem lhe convém. 
Também conheço pessoas que quando falo que vou ao Porto de autocarro ou comboio reagem como se eu utilizasse esses meios porque tenho medo de conduzir numa cidade...Como se conduzir numa autoestrada fosse um qualquer ato heróico! Eu cá para mim prefiro ir de comboio ou autocarro a apreciar a paisagem e se for acompanhada a conversar, além de que todos sabemos(menos os áses do volante) que a utilização de transportes públicos é melhor para o planeta, menos CO2 são libertados para a atmosfera. Infelizmente essa maneira de pensar acaba por comandar os destinos de um país inteiro. Quantas estradas foram construídas, sulcando as paisagens, causando desequilíbrios ambientais, destruição de terrenos férteis e cursos de água, a grande utilização de combustíveis fosseis na pavimentação gerando poluição, destruição de aldeias e modos de vida para que apenas "meiaduzia" de automóveis lá circulem! Será que não seria melhor incentivar o uso dos transportes públicos e melhorar as linhas existentes? Logicamente seria menos gravoso para o ambiente e mais leve para os cofres do Estado e consequentemente o nosso bolso.
A maneira de pensar de um povo é que faz uma Nação. E cada pessoa que cá está faz parte do povo. Eu, tu, nós e eles. Muitas vezes temos a mania de dizer que a culpa é deles, de quem governa...Mas todos nós somos responsáveis pela linha de pensamento e atitude do coletivo, quanto mais não seja pelo exemplo, para os mais jovens!

Eu cá continuarei a ir a pé para o trabalho, utilizar as escadas em vez do elevador, comprar no comércio local e utilizar os transportes públicos sempre que possível. Eu faço a minha parte e você?

Para mim os 3 r's passaram a 4. Reduzir, reutilizar, reciclar e reunir.

Reunir pessoas no transporte público, reunir pessoas para fazer uma horta comunitária, reunir pessoas num mercado local, reunir pessoas nos passeios públicos, reunir pessoas para publicarem na Teia Ambiental...reunir para sermos melhores. 

A união faz a força!

A receita que vos trago hoje já não é novidade aqui no blogue, já foi mostrada aqui. Cedi ao pedido da minha filha e reunidas na cozinha chegamos ao resultado que é sempre surpreendente. Desta vez troquei os espinafres(que não tinha) por couves e o bolo ficou delicioso na mesma, por isso acredito que poderá ser feito com qualquer verdura (agriões, alface, acelga...). 

Aproveito a oportunidade do verde aparecer outra vez por aqui para passar o testemunho de escolher a próxima cor para o dia 21/07/2012 para a amiga Romy, do blogue Receitas da Romy. Tenho a certeza de que ela fará uma ótima escolha dentro do arco-iris para que a nossa aventura colorida continue com a coletiva Blogagem das Cores!

Bolo de couves
Ingredientes:
2 ovos
1 ½ chávena de açúcar amarelo
2 chávenas de chá de farinha de trigo
1 colher (sopa) de fermento em pó
1 colher (sobremesa) de aroma de baunilha
¼ chávena de chá de óleo de girassol
1 mão cheia de folhas de couve galega
Preparação:
Comece por untar uma forma com cerca de 20cm de diâmetro com óleo e polvilhe com farinha. Ligue o forno a 170ºC. Coloque no copo do liquidificador(ou use a varinha) as couves, o óleo, o açúcar e os ovos. Bata até homogeneizar. Coloque esta mistura numa taça, junte a farinha, o aroma de baunilha e o fermento com movimentos delicados. Transfira a massa para a forma e coza no forno por cerca de 30 minutos. Desenforme, espere arrefecer e sirva. Fica ótimo com cobertura de chocolate!

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Fechado para auto questionamento


Em pleno estádio de questionamento, a inspiração abandonou-me e estive quase para faltar hoje ao 4º tema da BCAP, justamente o Questionamento. Inicialmente pensei em abordar o tema pelo efeito de prisão que o questionamento suscita, quem só questiona tem medo de viver, o contrário de quem vive sem barreiras e sem regras. Quem se apaixona, não questiona. É verdade. Mas um dia ele chega, o tal do Questionamento.

Há alturas da vida em que não adianta “varrer o lixo para debaixo do tapete” ou “esconder a cabeça na areia como o avestruz”. Eu estou numa destas alturas em que o tapete já não esconde o lixo e a minha cabeça está tão grande, cheia de questões que não cabe em buraco algum. Mas é necessário encarar as questões de frente. É ameaçador, frustrante, sinto-me triste e ansiosa, mas não dá mais para adiar as perguntas que temo em fazer a mim mesma. Ainda não tenho respostas e nem sei se as terei, mas questionar-me já é bom. Mas é como tomar uma injecção, sabemos que faz bem, mas dói. Algumas perguntas não tem resposta, dependem de fatores ou pessoas que não posso controlar…É, porque os outros também se questionam e muitas vezes as respostas delas não são aquelas que ansiávamos ou que são as melhores para nós… Sei que este não é o texto que queria escrever, mas serve para demonstrar o estado de espírito de um ser em pleno Questionamento, principalmente quando são questões importantes e fulcrais de uma vida. Os sentimentos são intensos, a ansiedade é total, o medo de errar é muito, mas também há um sentimento positivo que emerge do meio do caos, o sentimento de auto controle, não aquele dos desportistas ou políticos, mas um sentimento de reconhecimento próprio, porque muitas vezes, e eu falo por mim, esqueço a minha própria existência e em questionamento o “eu” tem papel primordial, não dá para ficar em segundo plano. O isolamento reflexivo, a pouca vontade de comunicar, o silêncio que procuro, traz a paz que só faz bem para um ser frenético como eu.

Mas a vida continua e foi preciso fazer um bolo para a festa da escola. Sem receita. Os questionamentos foram muitos, é com a aventura que as questões mais aparecem. É claro que a prática contou muito…Já fiz muitos bolos na vida. É claro que as questões vão ficando mais complexas com o passar dos anos, mas a experiência ajuda muito.

Untei com manteiga de soja uma forma de chaminé. Liguei o forno a 160ºC. Numa taça(tigela) parti 5 ovos pequenos, juntei 1 ½ chávena de chá de açúcar amarelo, ½ chávena de chá de óleo de amendoim, ½ chávena de chá de aveia em flocos que completei com ½ chávena de chá de coco ralado. Bati tudo com a varinha mágica( pode usar o liquidificador) até ficar um creme homogéneo. A essa mistura juntei 2 chávenas de chá de farinha de trigo, uma pitada generosa de canela e 1 colher de sopa de fermento em pó. Despejei a massa na forma e levei ao forno por cerca de 30 minutos. Usei o palito para testar. 
O bolo ficou bonito e o aroma era delicioso. Só que não o provei! Será que ficou bom? Pela experiência acho que sim. 
Simples, mas bom.

 Confira mais(e melhores!)participações aqui.


terça-feira, 5 de junho de 2012

Não fugi...até fiz um bolo de chocolate!

Oláaa! Há alguém aí? Sei que as teias de aranha abundam por aqui e o abrandamento das publicações sugerem uma certa calma. Mera sugestão! Por trás deste monitor a atividade é frenética, a vida está a mil por hora, o tempo passa a voar. Tenho saudades de me sentar calmamente por aqui, escrever e visitar os amigos. Espero que esta semana as coisas acalmem um pouco. Mas o mundo não para e a vida de outros seres continua a crescer. A minha hortinha da varanda está em plena atividade! Não me tenho esquecido de rega-la todos os dias e acompanhar a evolução e crescimento das plantas é muito bom! Sempre que me ponho a observar os meus vasos, lembro-me com frequência da Teia Ambiental e da felicidade que seria se todos amassem a Natureza e não fosse preciso lutar para a sua preservação. Penso que o Mundo seria muito menos violento e as pessoas mais felizes se se dedicassem à agricultura vez da criação de animais para abate...É uma sensação de prazer e contentamento lançar uma semente à Terra e vê-la crescer, ainda mais sabendo que nenhum ser foi sacrificado.

Uma pequena courgete em formação
Teia Ambiental
Questiono-me nestas alturas frenéticas se serei eu uma desorganizada sem conserto, deixando as coisas acumularam-se para, de repente, acontecer tudo de uma vez ou se devo cortar em algumas coisas para realizar outras com mais calma e melhor...Ser ou não ser, eis a eterna questão! Mas agora, a avalanche não me concede tempo nem para esses pensamentos! Para o próximo dia 15, na 4ª fase da Blogagem Coletiva Amor aos Pedaços, muitas dúvidas andarão no ar, e embora eu já saiba o que vou escrever, o problema é quando? e como?

BCAP - 4ª fase - Questionamento - 15/06/2012
Deixar de cozinhar é impossível. E apesar da criatividade não ser muita, não temos passado fome. Tenho tantas receitas que quero experimentar, tantos ingredientes para descobrir, mas é preciso calma... 
No domingo à tarde cedi aos pedidos da criança que deixa este lar de pernas para o ar e fui para a cozinha fazer este bolinho. Afinal a criança que habita em mim também adora bolo de chocolate! Para o deixar mais saudável, cortei no açúcar e usei do amarelo. Substituí o chocolate em pó por cacau em pó puro e alfarroba.
Modéstia à parte, um dos melhores bolos de chocolate que já comi!

BOLO DE CACAU E ALFARROBA
Ingredientes:
1 pitada de sal
7 ovos 
1 1/3 chávenas(chá) de açúcar amarelo(mascavado claro)
1 colher(sobremesa) de essência de baunilha
1/2 chávena(chá) de amido de milho(maizena)
1/2 chávena(chá) de farinha de alfarroba
1 1/2 chávenas(chá) de farinha de trigo
1/2 chávena(chá) de cacau(com mínimo de 70% de cacau)
1 colher(sopa) de fermento em pó
14 colheres(sopa) de azeite(mal cheias)

Preparação:
Pré-aqueça o forno à temperatura média de 180ºC. Unte com manteiga vegeta ou azeite uma forma e polvilhe-a com farinha. Coloque em uma panelinha 1 chávena(chá) de água e leve ao lume até ferver. Retire do lume, junte o cacau e mexa até dissolver. Reserve. Peneire a farinha, a maizena, a farinha de alfarroba e o fermento. Reserve. Coloque no copo do liquidificador(ou use a varinha mágica) as gemas, o açúcar,  o azeite e a essência de baunilha e bata até ficar uma mistura homogénea. Acrescente aos ingredientes secos a mistura do cacau e das gemas e mexa com uma colher pau até que os ingredientes estejam bem ligados. Bata as claras em castelo com a pitada de sal e misture-as à massa com movimentos delicados. Transfira para a forma e leve a cozer no forno por cerca de 45 minutos(teste com o palito). Espere 5 minutos antes de desenformar. E delicie-se!




A escolha do prato VERDE foi propositada...para lembrar que no próximo dia 21 esta cor vai ser rainha na Blogagem das Cores!
Blogagem das Cores

terça-feira, 15 de maio de 2012

Em recuperação...

Quando pensei em escrever sobre a Esperança, vieram-me logo à cabeça algumas frases típicas: A esperança é a última a morrer, Enquanto há vida, há esperança, Tenha esperança, porque que tudo vai melhorar...e por aí adiante! Assim, a mulher tem a esperança que o crápula do marido mude, o homem tem a esperança de que a sua linda mulher nunca envelheça, a mãe vive com a esperança de que o seu filho seja "alguém na vida", o povo tem a esperança que o próximo governante seja melhor e assim vamos vivendo, sempre esperançados...
Já deve ter dado para perceber, nestas poucas linhas, que me sinto um pouco desconfortável com esse sentimento. Na verdade sou esperanço-dependente, vulgo sonhadora. Sempre que me apercebo que passei um certo(bastante) tempo a esperar que alguém ou uma situação se transforme naquele quadro-absolutamente-lindo montado na minha cabeça e quando "caio na real" sinto-me enganada(na verdade sinto-me mesmo é p..da vida!). Este tempo que passei com a "esperança de..." sinto-o como um hiato, um desperdício, e depois fico com aquele sensação de vazio, de pura perda... É um sentimento parecido(para pior) com o que quase todos nós vivemos na antecipação de uma festa na adolescência, vibramos com os preparativos, com a roupa, pensamos se "ele" estará lá... e depois chega na hora, tudo fica banal, a realidade nunca chega aos pés da imaginação, pura decepção!
A minha definição:
A esperança é a droga vendida pelo traficante chamado Ilusão e o preço que pagamos é o Tempo, a nossa moeda mais preciosa! Começamos a ver os factos distorcidos, à espera do que já não vem, e quando falta a dose, embrulhadinha em papel de prata, a realidade é uma ressaca terrível de enfrentar!

Peguei pesado, OK! É fofinho ser sonhadora, é lindinho ver florzinhas e estrelinhas brilhantes em tudo, e depois? Será que não existe beleza na realidade? Claro que sim! 
E uma certa dose de droga também é necessária, o que mata, também pode curar!
Cheguei à conclusão, que é preciso ser também minimalista até com a Esperança! Destralhar expectativas, ser poupada nos limites, aceitar a realidade, valorizar o que já temos, deixar de querer fazer tudo e mudar o Mundo, ou seja consumir Esperança com parcimónia, apenas em casos necessários, em pequenas doses homeopáticas, guarda-la para as ocasiões especiais, quando tudo está mesmo perdido e quando só nos resta a luz ao fundo do túnel. É para isso que quero a Esperança, hei-de de aprender a viver assim...afinal não quero acabar com uma overdose!

E desculpem pelas amargas palavras, mas encontro-me num desses momentos de ressaca esperançal :\

Também hei de aprender a comer apenas um quadradinho de chocolate negro de cada vez, uma dose diária, e enquanto esse tempo não chega...e porque não dá para melhorar tudo de uma só vez, deixo-vos com uma receita para levantar o moral, sempre na esperança que não deixem de cá vir, apesar do mau humor da anfitriã...

Bolo de chocolate
para fazer num instante e comer sofregamente
Ingredientes:
4 ovos biológicos
2 colheres(sopa) de manteiga(usei de soja)
1 chávena(chá) de açúcar amarelo(não fica muito doce)
1 chávena(chá) de cacau em pó(do bom!)
1 banana em pedaços
1 chávena(chá) de aveia em flocos
1 chávena(chá) de leite de amêndoa(ou outro leite vegetal)
3 chávenas(chá) de farinha de trigo
1 colher(sopa) de fermento em pó
Manteiga e farinha de trigo para untar
Preparação:
Bater no liquidificador ou com uma varinha mágica: ovos, manteiga, açúcar, cacau, banana, aveia e leite. Retirar do liquidificador, acrescentar a farinha e mexer até obter um creme homogéneo. Adcionar o fermento e mexer delicadamente. Transferir para uma forma de chaminé untada e enfarinhada. Cozer em forno pré-aquecido a 170ºC por cerca de 30 a 40 minutos( usar o palito para verificar).

E com esta visão meio estranha da Esperança, participo, na Blogagem Colectiva Amor aos Pedaços.
Confira aqui outras participações.



domingo, 15 de abril de 2012

Tinha tudo para dar certo...


Estava com 5 claras no frigorífico à espera de serem gastas. Resolvi aproveitar para fazer um bolo, mas não um qualquer, um inventado por mim!(Havia uma jovem à espera do amor…para sair das garras de um pai austero há que aproveitar a existência do grupo de jovens da Igreja para expandir amizades e poder sair com gente de sua idade). Retirei as claras do frigorífico e deixa-as repousar por 30 minutos para que ficassem à temperatura ambiente. Coloquei-as na taça da batedeira junto com uma pitada de sal.(O ambiente do grupo era saudável, alegre e leve. E estava sempre a entrar gente nova…numa das reuniões apareceu um rapaz moreno, magro e de olhos escuros que se fixaram com insistência naquela jovem desde o primeiro instante…). Liguei a batedeira e as claras começaram primeiro a espumar. Quando ficaram firmes e brancas como a neve, resolvi juntar-lhes 5 colheres de sopa de açúcar amarelo, tive receio, será que irão permanecer firmes? Não seria melhor juntar açúcar refinado? Mas eu queria algo mais natural… Juntei, então, com calma, 1 colher de cada vez e a mistura continuou homogénea, firme, de cor bege claro.(Ao longo do tempo os olhares foram sendo correspondidos, começaram as conversas…os amigos dele notaram o interesse…e as amigas dela também…e naturalmente o namoro começou. Para a jovem, até aquele momento os amores tinham sido platónicos, não correspondidos, ora pelo objeto de sua afeição, ora era ela o objeto que não correspondia à afeição de outro. Foi a primeira vez que houve encontro de interesses, e isto era uma grande novidade!). Até agora estava a correr tudo bem, mas o bolo precisava de substância, então acrescentei, também aos poucos, sem pressa, 5 colheres de sopa de amêndoa moída, uma de cada vez e a massa continuou uniforme, com uma textura maravilhosa. Desliguei a batedeira e adicionei 1 colher de sobremesa de fermento em pó, misturando levemente com uma vara de arames.(Era um namoro doce, alimentado pelo romantismo da juventude, por ramos de flores, por prendas no dia dos namorados, pelo grupo de amigos e festas de garagem, tudo muito sereno, que a liberdade não era muita…). Untei uma forma de chaminé com óleo em spray e polvilhei-a de farinha de trigo. Verti com cuidado a massa e coloquei o bolo no forno pré aquecido a 170ºC. Nesta hora hesitei, deixo o forno quente ou diminuo a temperatura? Ia observando, ansiosa, pela janela do forno, a evolução do bolo e vi, com alegria que ele estava a crescer! (Muitos dos encontros aconteciam no autocarro, ele ia para o trabalho e ela para a faculdade, havia entrado para o 1º ano, outra novidade que surgiu em sua vida e tudo corria muito bem!) O bolo ia crescendo, mas algumas dúvidas surgiram, tenho que verificar se já está cozido, será que ao abrir a porta do forno, murchará? Se eu deixar tempo demais não ficará seco? Então, abri, de-va-ga-ri-nho o forno e espetei rapidamente um palito e ainda saiu massa agarrada, fechei a porta e aparentemente o bolo continuou lindamente a crescer. Distraí-me uns momentos, e quando olhei pelo vidro, vi o desastre! O bolo murchou! (Aparentemente tudo corria bem, mas era só aparência…A vida dela era um corrupio e começaram os exames, os fins de semana de estudo, não havia tanto tempo para os encontros românticos. Para ele a vida era a mesma rotina de sempre e o pequeno monstro dos ciúmes foi crescendo em seu coração, foi tomando forma. A doçura transformando-se em amargura. Até que ele lhe fez um ultimato: Ela tinha que escolher - ou ele, ou os estudos, senão estava tudo acabado! O coração dela ficou pequeno, o DESENCANTO tomou conta do seu ser, pensou no pai austero e no que a sua vida iria futuramente se transformar, outra pessoa a tolher-lhe a liberdade seria impossível tolerar! E tudo acabou! Refletiu que amor é aquilo que constrói, é a mistura de dois seres que crescem juntos, embora as contrariedades, não aquilo que está dentro de uma gaiola, alimentado com mimo, mas preso! Jurou, que nunca mais procuraria o amor, que se a sua alma gémea existisse, algum dia o acaso as juntaria, nem que para isso tivesse que VOAR PARA LONGE!) 


Fiquei chateada! Tanto tempo a vigiar, tanto cuidado na confecção e o raio do bolo murcha! Então ri-me e pensei: não tenho mesmo jeito para receitas muito temperamentais, demoradas, detalhadas, que prendam demais a minha atenção. O que eu gosto mesmo é de uma boa receita sem frescuras, daquelas que resultam numa massa consistente, que mesmo que haja um pequeno engano, que eu abra a porta do forno antes da hora, o bolo cresce na mesma! 

E o mesmo acontece com o amor verdadeiro, cresce, mesmo com as contrariedades da vida!

Se alguém quiser experimentar esta receita, agradeço que me contem o resultado ou se acham que faltou alguma coisa para que desse certo. Para quem ficou meio desiludido e quiser tentar uma receita sem frescuras, aqui no blogue, na etiqueta Bolos tem várias!

E com este meu DESENCANTO culinário participo na Blogagem Coletiva Amor aos Pedaços.
Confira aqui outras participações.

quinta-feira, 15 de março de 2012

A lenda encantada do Monte da Corujeira


Século XI
"Antigamente o Monte das Corujeiras eram encostas com giestas, urze, esteva, alecrim, um ou outro castanheiro, carvalho, choupo, salgueiro e, nas encostas mais altas o pinheiro. O povo usava os pinhões, a bolota e a castanha na sua alimentação diária, onde faziam o pão. Do Monte via-se o castelo, onde vivia um alcaide mouro, que ouviu falar de uma donzela cristã muito linda, que vivia num castelo inimigo, em Gaia. Ela era muito bondosa e tudo quanto tinha dava aos pobres, dizia-se em todas estas terras, maravilhas da formosura e bondade daquela donzela, chamada Lia.
O Emir que era o alcaide da Feira, o mouro Ben Iussef, quis conhecer a donzela. Então, disfarçado com uns trajes de pobrezinho tirou as fardas de mouro e foi até Gaia pedir esmola à donzela. Acho-a tão bonita, tão bonita que ele logo ali resolveu raptá-la. E, pela calada da noite, subornou uns criados do castelo que a apanharam, fingindo um rapto. O mouro, armado em homem bom e defensor da donzela, fingiu que lutou para a libertar dos seus raptores, parecendo, aos olhos desta, como um anjo libertador. Com o intuito de “fugir” aos malfeitores, convenceu-a a entrar num barco, onde hoje fica hoje a Afurada, e trouxe-a para o Castelo da Feira. 
Toda esta lenda lembra um romance de cavalaria… e lá viveram os dois muito felizes. Ele era um mouro apaixonado e ela era uma cristã devota, que ia ensinando àquelas pessoas o Cristianismo. O casal amava-se. 
Tudo corria bem, só que o alcaide tinha um irmão invejoso e rancoroso. Começou a inquirir secretamente os seus próximos à revolta contra o alcaide, pois achava mal que o mano vivesse com aquela cristã, que estava aqui a narrar as histórias e as leis de Cristo, o que era sacrilégio para o Corão, então assalta o castelo, mata o alcaide e, quando ia matar a donzela, sentiu-se a fraquejar, porque além de ser mulher, havia, secretamente uma paixão pela cunhada, logo, não conseguiu matá-la. 
Resolveu entregá-la aos soldados, e disse-lhes “Olhem, levem-na daqui, para esses montes e matem-na lá, matem-na e que eu não a torne a ver!”. Os soldados que sabiam o quanto ela era bondosa, não tiveram, também, coragem para a matar e abandonaram-na no Monte da Corujeira, lugar medonho e cheio de animais selvagens, onde ela seria de certeza devorada. A donzela foi-se alimentando de frutos silvestres e das árvores, mas para não saberem quem ela era, com uma pedra afiada, retalhou a cara toda. Toda aquela beleza desapareceu, ficou uma coisa pavorosa. Vestiu-se de negro, e andava por ali à noite, como alma penada. 
Durante o dia, sempre bondosa, recebia numa barraca de cascas e folhas das árvores e arbustos, as pessoas com maleitas. A todos tratava bem. Curava feridas dos viandantes, e dizia coisas proféticas. Começou a ser conhecida como a bruxa do Monte da Corujeira e tudo o que dizia batia certo. Então o mau alcaide, o tal que tinha morto o irmão, que julgava que ela já estava morta, ouviu falar da Bruxa do Monte e também lá foi ouvi-la numa altura de crise, perguntando: “E então a mim o que é que me vai acontecer?” E ela diz-lhe: “Olha! Ainda bem que cá vieste, ainda bem que aqui vieste! Eu tinha uma coisa para te dizer e não sabia como te havia de prevenir, é que esta noite o teu Castelo da Feira vai ser atacado por um exército tão grande, tão grande que tu não tens gente para o defender! E vão-te matar! Os teus inimigos serão imensos... e não escapas da morte esta noite!”. O alcaide pensou “Ah, conversas de bruxa, quem é que vai nisso?!”. E vai para o castelo, mas ele ao ir para o Castelo, a antiga donzela, que agora parecia bruxa, manda juntar todos os amigos, toda a gente conhecida que gostava dela e a quem ela fez bem, pedindo-lhes para a acompanhar nessa noite, juntamente com todas as manadas de bois possíveis e dirigirem-se para o Castelo da Feira. Assim foi...Juntou-os no monte, eram milhares de bois, onde ela mandou colocar archotes nos chifres de cada boi, acesos, e à medida que a noite avançava, dirigiam-se para o castelo. O alcaide ao ver esses montes iluminados, parecem-lhe serem milhares de guerreiros, todos com aqueles fachos. O alcaide diz “a bruxa tinha razão! ora a bruxa disse que eles me iam matar, portanto nada de combates, isto a bruxa tinha razão!” e fugiu, nunca mais ninguém o viu.
A bruxa tranquilamente entra no castelo, deixou de ser bruxa, continuou a ser a doce donzela que ensinou aquela gente a praticar o bem, através da religião cristã e foi dessa maneira, conta a lenda, que a gente da Feira esqueceu o Corão e passou a rezar a Sanctae Maria." Uma das lendas de Santa Maria da Feira. Texto daqui

Século XX - finais da década de 80
Em Terras de Santa Maria, numa tarde outonal de domingo, finalizava mais uma matiné na pequena discoteca de São Vicente, que tinha o pretensioso nome de Rendez Vouz. A nostalgia invadia o meu ser, como sempre acontecia no final do domingo e ainda mais neste, que coroava um fim de semana cheio: tinha acabado de fazer 20 anos, ainda trazia na cabeça o penteado da festa, uma trança embutida que a cabeleireira, em vão, tentou me convencer a gostar. Havia passado a tarde inteira a dançar os ritmos frenéticos, a beber sumo "verde" de laranja com licor e a procurar decifrar a letra dos Xutos, mas só conseguira perceber: “que saudades que eu já tive da minh’alegre casinha tão modesta quanto eu” e desisti.
As últimas músicas tocavam na pista quase vazia, e eu e as amigas estávamos a sair, quando um grupo de rapazes entra, desajustados àquele lugar, com ar meio irónico, quase a zombar da pequenez do espaço, da inocência da matiné domingueira, fazendo de conta que entravam ali por acaso, como por engano... mas era tudo um estratagema, uma encenação de uma das minhas amigas e de um deles para "casualmente" se encontrarem. Eu, só mais tarde me dei conta desta combinação…andava sempre na lua! Mas aterrei rapidamente quando um dos rapazes passou-me a mão pelos cabelos e disse: Que penteado tão bonito! Fiquei furiosa! Primeiro pelo ar zombateiro, segundo porque dava-lhe razão pelo ar zombateiro e terceiro pela audácia em mexer-me no cabelo! Fuzilei-o com o olhar! E muito empertigada, recolhi o cabelo para trás, humpf! Mas…era tarde de mais, no meio da “ira” o meu “radar” feminino já lhe tinha avaliado o perfil alto, as vestes escuras, os lindos olhos... e a sensação de indignação cedeu naturalmente um pouco. Trocamos algumas provocações e ficou tudo por aí. 
Nesse dia, ao viajar no autocarro para o Porto, onde estudava, algo de pouco habitual já havia se instalado em mim, talvez uma seta encantada pelo Cupido já tivesse acertado o meu coração e eu não sabia... Uma parte de mim queria que a semana passasse a correr, que o domingo chegasse depressa, a outra parte tentava convencer a primeira a não dar importância ao sucedido, dentro da minha cabeça ocorria um diálogo, como naqueles desenhos animados em que há a consciência bipartida em duas miniaturas: anjo e diabo, que lutam entre si, tentando convencer a pessoa a agir segundo a sua vontade e passei a semana toda assim, neste duelo interior.
Novo domingo chegou, mais capricho na indumentária, menos no penteado e rumo à disco do costume. E “ele” apareceu, torturantemente quase ao fim da matiné(também tinha duas miniaturas a digladiar-se dentro da cabeça…) e assim foi por muitos domingos, o encantamento crescendo cada vez mais…crescia alimentado por muita conversa, e não só ;), nós não nos calávamos, encostados ao balcão, descobrindo o que cada um pensava, animados pela música. É claro que lhe fiz um pedido muito especial: Por favor decifra-me a música dos Xutos, não percebo uma palavra!!! (aventuras de uma brasuca recém chegada em terras lusas)
Foram tempos lindos, o início de uma história que espero seja eterna como a lenda que vos trouxe, a minha lenda encantada.

Estes tempos são inesquecíveis, esta sensação de encantamento é única, sentimo-nos tão felizes que vemos o mundo com outras cores e as pessoas com outros olhos. O encantamento é uma droga tão inebriante, que não é a toa que muita gente quer viver sempre nesta situação amorosa...
É um estado que gosto de sentir permanentemente em minha vida nos seus  vários setores, o eterno descobrir de novas sensações, o clic que nos faz vibrar: o acordar com um sol brilhante, ir ao Castelo e descobrir um novo ângulo, ganhar um beijo sem esperar, descobrir uma nova padaria com pão delicioso, ir à praça e verificar que os morangos já chegaram, encontrar um novo blogue maravilhoso, acertar na receita e ouvir os "huums" dos outros... São estes pequenos encantamentos que preenchem os meus dias com a alegria da novidade e que tornam tudo mais colorido e vibrante. 

Por isso, um simples, mas grande conselho: nunca feche o seu coração e a sua mente, aprenda a enxergar o lado bom da vida, mesmo nas pequenas coisas, que juntas e somadas, tornam-se grandes. Viva encantado!

A minha mais nova paixão culinária, é a realização de bolos e doces sem a utilização de açúcar refinado ou adoçante artificial. Esta receita é a segunda que sai da minha cozinha, mas outras já andam em preparação…É um novo mundo a descobrir, pleno de sabores sutis e delicados …que me está a encantar!


Bolo de banana e maçã encantado
1 banana madura
6 colheres(sopa) de cenoura ralada
2 ovos biológicos
½ chávena(chá) de óleo
1 colher(sopa) de farinha de alfarroba
½ chávena de frutos secos sem caroço(passas, tâmaras e ameixa)
4 colheres(sopa) de sumo de laranja natural
Bater tudo no liquidificador
Juntar:
1 chávena(chá) de farinha integral
½ chávena(chá) de farinha refinada
1 maçã(com casca) cortada aos cubinhos
1 colher(sopa) de canela em pó
Raspas de 1 laranja
1 colher (sopa) de fermento em pó
A massa não deve ser muito batida, apenas misturar os ingredientes.
Colocar em forma untada e enfarinhada e levar a cozer em forno 170º por cerca de 30 minutos. Fazer o teste do palito para verificar a cozedura.

Nota: Não fica um bolo muito doce, se quiser aumentar a doçura use mais frutos secos ou mais uma banana. E no dia posterior o sabor ainda é melhor! 


Esta publicação faz parte da minha participação na Blogagem Coletiva Amor aos Pedaços.
Confira aqui outras participações.


quarta-feira, 7 de março de 2012

A moda na Teia Ambiental

Fashion, coleção primavera-verão, acessórios, pret-a-porter, haute-couture, hippie chic, sandálias plataforma...são termos comuns no seu vocabulário?
Você tem mais de 20 pares de sapatos?
Você compra peças de roupa, acessórios ou malas, todas as semanas?
Você sabe tudo sobre as últimas tendências mesmo antes das lojas exporem as coleções?
Você compra revistas de moda com muita frequência?
As suas conversas giram em torno do que se usa em roupas, cabelos, maquilhagem?
Os seus passeios preferidos são uma ida ao shopping?
Se você respondeu sim à todas as perguntas, e não trabalha na área da moda, então é porque provavelmente é uma fashion victim(vítima da moda).
"O termo “fashion victim” foi originalmente cunhado pelo estilista Oscar de la Renta para definir pessoas que são incapazes de identificar limites da moda comumente reconhecidos. São aqueles indivíduos maravilhados com o materialismo proporcionado pelas coleções que não param de se renovar nas araras das lojas e acabam usando tudo o que vêem pela frente, muitas vezes, ao mesmo tempo."(fonte daqui)
Acho que a maioria das leitoras respondeu não às perguntas porque acho pouco provável que uma fashion victim esteja a ler um blogue de culinária, mas nunca se sabe...
Imagem daqui
Penso que quase todos nós passamos por períodos em que a moda poderá ter tido alguma importância, principalmente na adolescência, que é uma fase em que idolatramos tudo que seja fora do círculo comum e principalmente familiar. Mas algumas pessoas continuam pela vida fora em busca  do ilusório mundo perfeito, usando a moda como uma afirmação ou máscara.
É verdade que cada um faz o que quer da sua vida, mas tudo tem as suas consequências... e pensando no lado ambiental e ecológico é fácil perceber que ser hiper fashion traz consequências negativas ao meio ambiente.
Imaginem a quantidade de sapatos, roupa, acessórios comprados por uma pessoa ultra fashion que provavelmente na estação seguinte já está a descartá-los, onde é que esta tralha vai parar? Mais dia, menos dia no lixo.
E a proliferação de lojas de roupa de qualidade inferior e preços baixos, muitas vezes à custa de mão de obra explorada, simplesmente para satisfazer o modismo de uma estação e parar no lixo mais dia menos dia.
A quantidade de animais mortos para confecção de sapatos, bolsas, casacos, cintos, que muitas vezes são descartados quase novos, porque já "não se usam"...sem esquecer ainda quando são utilizados animais em perigo de extinção...
E o sofrimento dos animais para testar mais uma sombra de olhos ou rímel novo, ou qualquer parafernália perfeitamente inútil!
Estes são alguns dos prejuízos diretos que qualquer um de nós com o mínimo juízo equaciona rapidamente, mas e o que está camuflado.
Já imaginou que uma mulher com sapatos de saltos altíssimos provavelmente não anda de transportes públicos e muito menos a pé, nem que sejam distâncias curtas...olha as emissões de CO2 e gasto de energia fóssil desnecessária.
E muito menos pensar em reciclar lixo, que não sobra tempo na agenda atafulhada de cuidados de beleza.
Que princípios estas pessoas passam aos seus filhos, o materialismo em primeiro lugar?

Mas, embora seja este o lado negro da moda, felizmente já existem muitas pessoas que se preocupam em ter atitudes que respeitem o ambiente e que usam a imaginação para estarem eco fashion.
Exemplos disso:
Ecobags, bolsas em tecido para evitar o uso indiscriminado de sacos plásticos.
Imagem do Google


Customização de roupas, malas e acessórios.
As minhas pregadeiras realizadas com gravatas e botões antigos
Criação de roupa e acessórios com material reciclado.
Criação de João Sabino
Utilização de fibras naturais e mais ecologicas no vestuário(algodão naturalmente colorido, bambu, milho, coco, couro vegetal feito de latex natural são algumas opções)

Muitas marcas de cosméticos já não testam em animais! Confira aqui!

A nossa atitude em relação à moda(e em outros aspectos da vida) também tem de mudar! A moderação nas compras, a opção por peças de melhor qualidade, com preço justo, que duram mais. O uso de roupa adequada à profissão de cada um, ao estilo de vida, à ocasião, ao formato do corpo é o que nos faz sentir bem. A criatividade é que faz o estilo único de cada um e não a moda pela moda.

Lembrando sempre que a beleza interior reflete-se no nosso exterior, sem ser necessário adornos exagerados. E cuidar da beleza interior com boa alimentação, atitudes positivas e saudáveis, com certeza vai nos fazer sentir felizes e belos!

A receita que vos trago hoje não podia ser mais apropriada, um bolo sem açúcar e rico em fibras naturais.

BOLO DE BANANA SEM AÇÚCAR E SEM FARINHA.
Receita daqui
Ingredientes:
4 bananas bem maduras
1/2 chávena de uvas passas sem caroço 3 ovos 
menos que 1/2 chávena de óleo 
2 chávenas de aveia ( pode ser em grãos finos ou grossos) 
2 colheres (sopa) de fermento em pó
Preparação:
Bater no liquidificador as bananas, a uva passa, os ovos e o óleo. Numa taça colocar essa mistura e acrescentar a aveia e o fermento mexendo bem devagar. Untar e enfarinhar uma forma e levar ao forno por 20 minutos.

Esta publicação faz parte da Blogagem Coletiva Teia Ambiental, que acontece em todo dia 7 de cada mês. Veja aqui no blogue Flora da Serra outras participações.